Sempre imaginei como seria viver o início de Sword Art Online sem estar preso ao papel de Kirito, algo que a franquia parecia se recusar a explorar. E Echoes of Aincrad finalmente entrega essa oportunidade. Em vez de apenas acompanhar os acontecimentos conhecidos do anime, o jogo coloca um personagem criado por mim dentro daquele mundo mortal, onde cada batalha representa um passo rumo à sobrevivência.

É uma proposta que funciona muito bem e faz com que a experiência pareça mais pessoal do que qualquer outro jogo da franquia.
HISTÓRIA
A narrativa acompanha um aventureiro comum preso em Aincrad depois que o jogo se transforma em uma armadilha sem saída. Enquanto os acontecimentos da obra original continuam acontecendo em paralelo, minha jornada segue um caminho próprio, apresentando novos personagens, aliados e conflitos que expandem esse universo sem depender o tempo inteiro dos protagonistas conhecidos.
A história cumpre seu papel e tem bons momentos, mas fica claro que o grande destaque está em outro lugar. Ela serve muito mais como motivação para continuar explorando os andares de Aincrad do que como o principal atrativo da aventura.
GAMEPLAY
Aqui foi onde encontrei o melhor do jogo.
O combate é totalmente em tempo real e exige atenção constante. Não basta apertar um botão sem pensar. Esquivas, bloqueios, gerenciamento de estamina e o momento certo de usar cada habilidade fazem bastante diferença. Apesar de muita gente comparar o jogo aos Soulslike (e confesso que não consigo entender essa comparação), ele está mais próximo de um RPG de ação tradicional, com ritmo rápido e foco na combinação de habilidades.

Outro elemento que gostei bastante foi a variedade de armas. Cada tipo muda completamente a forma de lutar. Passei um bom tempo alternando equipamentos até encontrar o estilo que mais combinava comigo, e isso tornou a evolução muito mais interessante.
A personalização também merece elogios. Além dos equipamentos, existe uma boa quantidade de habilidades passivas e ativas para desbloquear, permitindo criar builds bem diferentes. Não é um sistema extremamente complexo, mas oferece liberdade suficiente para incentivar experimentações durante toda a campanha.
Um dos sistemas mais importantes é a sinergia com o parceiro de equipe. Em vários momentos precisei coordenar ataques conjuntos para quebrar a defesa dos chefes ou criar oportunidades de causar mais dano. Essa mecânica dá identidade ao combate e impede que tudo dependa apenas da habilidade do personagem principal.

A progressão também é bastante satisfatória. Conforme avançava, coletava materiais, criava armas melhores, fortalecia equipamentos e desbloqueava novas técnicas. A evolução é constante, então você tem uma real sensação de crescimento.
Infelizmente, alguns problemas começam a aparecer conforme a aventura avança.
A exploração não acompanha a qualidade do combate. Os cenários são grandes, mas frequentemente parecem vazios. Muitas missões acabam reutilizando os mesmos objetivos e boa parte das atividades secundárias segue um padrão repetitivo. Depois de um tempo, comecei a perceber que fazia praticamente as mesmas tarefas em regiões diferentes.

A variedade de inimigos também poderia ser maior. Embora existam batalhas divertidas, muitos monstros voltam a aparecer diversas vezes e alguns chefes passam a impressão de serem versões mais fortes de inimigos comuns. Isso reduz a expectativa do que encontrar nas lutas mais importantes.
Também senti falta de um mundo mais vivo. A proposta era transmitir a sensação de estar dentro de um MMORPG, mas diversas cidades possuem NPCs pouco interativos e poucas atividades além das missões principais. A ambientação convence visualmente, porém nem sempre transmite a sensação de um universo realmente habitado.
VISUAL E SOM
Visualmente, Echoes of Aincrad faz um ótimo trabalho ao recriar Aincrad. Os cenários são bonitos, os personagens lembram bastante o anime e vários momentos conseguem transmitir a sensação de aventura que marcou a primeira temporada de Sword Art Online.

A trilha sonora acompanha bem a ação e o áudio durante os combates ajuda bastante na imersão, mesmo sem apresentar músicas realmente fantásticas. No geral, está tudo dentro da qualidade esperada.
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