O mercado de RPGs de ação com estética anime está cada vez mais saturado, o que torna a tarefa de se destacar um verdadeiro desafio para novos estúdios. Por isso, quando recebi o acesso antecipado de DragonSword: Awakening, confesso que mantive minhas expectativas moderadas. Desenvolvido pela Hound13, o título me pegou completamente de surpresa. O que parecia ser apenas mais um projeto genérico se revelou uma das experiências mais genuinamente divertidas e viciantes que joguei nos últimos tempos, deixando uma excelente primeira impressão, apesar de um deslize considerável para o público brasileiro.

Gráficos radiantes e desempenho impecável
A primeira coisa que chama a atenção ao iniciar a jornada pelo Continente de Orbis é o deslumbrante trabalho visual. Construído na Unreal Engine 5, o jogo entrega um mundo aberto vibrante, com cores quentes e uma iluminação que valoriza cada cenário, desde os campos abertos verdejantes até as masmorras mais profundas e misteriosas. O estilo artístico em cel shading é polido e expressivo, lembrando grandes produções do gênero.
O ponto que realmente merece aplausos é o desempenho técnico. O jogo está rodando extremamente liso. Mesmo em momentos de combate intenso, onde a tela é inundada por efeitos de partículas, magias e transições rápidas de câmera, a taxa de quadros por segundo se mantém estável, sem engasgos ou quedas perceptíveis. Para um título que ainda está em fase de testes, essa otimização prévia é um sinal muito positivo do capricho da equipe de desenvolvimento.

Heróis únicos e combos devastadores
A jogabilidade é o verdadeiro motor que faz você perder a noção do tempo. O sistema central é baseado no gerenciamento e evolução de múltiplos heróis. Cada personagem possui sua própria árvore de habilidades, equipamentos específicos e mecânicas únicas. Na versão atual, já é possível notar a profundidade tática na construção da equipe, e a promessa dos desenvolvedores é entregar dezenove heróis logo no lançamento, com a garantia de que novos rostos serão integrados ao elenco posteriormente.
O grande trunfo do combate reside na mecânica de revezamento dinâmico entre os parceiros, conhecida como tag team. Os personagens possuem habilidades especiais focadas em aplicar penalidades de estado nos inimigos. O segredo do loop viciante é iniciar uma sequência de ataques com um herói, aplicar a alteração de status e, por meio de uma sequência rápida de botões, invocar o parceiro para engatar um combo devastador. Essa alternância fluida transforma as batalhas em um espetáculo coreográfico muito divertido de executar, onde o jogador é constantemente recompensado pela boa coordenação e pelo conhecimento das sinergias do grupo.

O equilíbrio das missões e a barreira do idioma
O ritmo da progressão é outro acerto. O design das missões consegue equilibrar muito bem momentos de leveza com grandes desafios. Em um momento você está explorando uma vila pacífica e aceitando uma missão carismática para resgatar uma ovelha perdida para uma criança; logo em seguida, o jogo te joga em uma caverna escura para enfrentar aranhas gigantescas em batalhas que exigem foco total e uso inteligente dos combos de equipe. Essa variedade de situações impede que a rotina do mundo aberto se torne monótona, garantindo que o desejo de jogar mais uma hora permaneça ativo.

Contudo, nem tudo são flores nesta jornada. Há um ponto crítico que precisa de atenção urgente por parte dos desenvolvedores antes do lançamento oficial. O jogo atualmente não possui suporte para legendas em português do Brasil. Para um RPG que se propõe a contar uma história rica, envolvendo o passado de heróis lendários, conspirações políticas e o despertar de um dragão ancestral, a ausência da nossa localização é uma barreira de entrada imensa. Muitos jogadores brasileiros acabarão perdendo a conexão com a narrativa e com o carisma individual de cada herói simplesmente pela barreira idiomática. Sendo o Brasil um mercado de extrema relevância para jogos com essa proposta, o suporte ao nosso idioma não deveria ser deixado de lado.

Expectativa para o lançamento
DragonSword: Awakening tem sua versão completa agendada para julho de 2026. A base construída aqui é extremamente sólida, entregando um combate de alto nível, excelente performance e um mundo que dá gosto de explorar. Se a desenvolvedora ouvir o feedback da comunidade internacional e providenciar a localização necessária para regiões como a nossa, o título tem potencial gigantesco para se tornar um dos grandes destaques do seu ano de lançamento. Vale a pena ficar de olho e adicioná-lo à lista de desejos.
Divulgação: Recebi uma cópia gratuita deste produto para avaliação da Hound13. https://www.keymailer.co
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.
