Jogos de terror de sobrevivência focados em fuga e perseguição conquistaram seu espaço entre a comunidade nos últimos anos. Doctor Viscera, o mais novo título desenvolvido pela Liminal Road (criadora de Laser Tag Massacre) e publicado pela Nuntius Games, nos joga exatamente nesse cenário de tensão. Preso em um sanatório repleto de perigos, o jogador precisa usar a inteligência e os recursos limitados para escapar de ameaças implacáveis antes que suas chances se esgotem.

HISTÓRIA E ENREDO
A narrativa começa de forma bem direta e nos coloca rapidamente no centro do pesadelo. Controlamos um protagonista que fazia uma viagem de carro durante a noite, debaixo de uma forte chuva. O trajeto é repentinamente interrompido por um tronco caído que bloqueia a passagem pela estrada no meio de uma floresta. Sem muitas opções de resgate, ele decide caminhar até um sanatório perto, para buscar abrigo e ajuda.
Ao entrar na recepção do prédio, a situação sai completamente do controle. O personagem é dopado quase imediatamente e um médico o arrasta até uma cela isolada. A partir de então, o objetivo se torna encontrar uma saída daquele lugar aterrorizante e sobreviver às figuras bizarras que patrulham o local.
GAMEPLAY
A estrutura de Doctor Viscera se inspira em obras já consagradas pelos fãs de terror independente e traz mecânicas muito similares a jogos como Granny e os desenvolvidos pela Puppet Combo, especificamente Nun Massacre e Stay Out of The House. A premissa principal é a de escapar do sanatório, e para isso o jogador possui cinco chances. Durante as tentativas, é necessário explorar os ambientes, coletar chaves, ferramentas e resolver diversos enigmas. O mapa também oferece múltiplas formas de fugir, cada uma com itens específicos, o que incentiva o jogador a investigar todos os cantos em busca da melhor rota.

A limitação de recursos é um fator que eleva a dificuldade, principalmente porque o inventário conta com apenas dois slots e exige um planejamento cuidadoso do que carregar no momento. Um detalhe interessante e bem equilibrado é o sistema de morte do jogo. Cada vez que você é pego pelo perseguidor, você acorda em um novo local de spawn na chance seguinte. O ponto positivo é que os itens que estavam na sua mão vão com você para esse novo local, evitando a frustração extrema de perder peças fundamentais para os puzzles.
Os perseguidores são o grande destaque para manter o ritmo e a aflição. O doutor, criatura principal, anda muito rápido e tem a habilidade de atravessar buracos e atalhos agachado, cortando facilmente suas rotas de fuga. Além dele, existe uma enfermeira rondando os corredores que persegue o jogador portando uma pistola. Como se essas duas ameaças constantes não bastassem, o jogo utiliza uma mecânica de armadilhas, colocadas aleatoriamente pelo Doutor no chão, semelhante à de Granny, exigindo que você olhe muito bem por onde pisa enquanto foge. Além disso, espalhados pelo mapa também possuem alguns pisos quebrados que fazem barulho e chamam a atenção dos perseguidores. Para ajudar o jogador, existem armários espalhados no sanatório que servem para se esconder e evitar ser pego.
Vale ressaltar que achei o jogo um pouco difícil, e grande parte dessa dificuldade vem justamente da velocidade do Doutor. Ele se movimenta de forma muito rápida pelos corredores, o que nos dá pouquíssimo tempo para reagir. Qualquer erro na hora de escolher a rota de fuga ou qualquer tropeço no cenário acaba sendo fatal, exigindo que você conheça o mapa muito bem para conseguir escapar. Durante a maioria das rotas, eu optei por jogar na dificuldade normal, porém dei uma chance a todas as dificuldades para testar, e destaco a opção do modo teste, que serve para conhecer o mapa e entender melhor quais caminhos tomar e o que fazer nos puzzles.

DIREÇÃO DE ARTE E SOM
A direção de arte de Doctor Víscera é fantástica e visualmente muito bonita. O jogo aposta na estética de PSX para criar um clima sujo e abandonado que se encaixa muito bem na temática do sanatório. As cores foram usadas com maestria, criando uma paleta verde que me impressionou e trouxe uma identidade única para o título.

Um grande acerto da Liminal Road foi incluir opções nas configurações para remover o filtro pixelado da tela. Particularmente, achei que o visual ficou muito melhor e mais agradável de jogar sem esse filtro, permitindo enxergar os belos detalhes dos cenários sem perder o clima de terror.
A trilha sonora é simples e pouco variada, mas consegue trazer a sensação de estar preso à beira da morte. Ela manteve o clima de tensão durante toda a minha jogatina. A música de piano tocando ao fundo remete ao clima de Granny e ajuda a construir um suspense funcional.
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Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.

