Esse é um texto sobre a mitologia, os fundamentos filosóficos e as estruturas sociais criadas por Hideo Kojima
no mundo de Death Stranding. Atenção, este texto contém spoilers da história.
INTRODUÇÃO
Imagine um universo de videogame que representa um mundo destruído por um evento sobrenatural deixando a sociedade isolada, tendo que se reconectar através de estruturas metálicas para continuar existindo e sobrevivendo. Esse é o universo de Death Stranding. Bem, não é tão simples assim.
Hoje eu quero trazer uma refelxão sobre esse universo abordando os temas que são o cerne do jogo: Existência, Filosofia e sobrevivência.
Reduzir Death Stranding a uma narrativa pós-apocalíptica seria ignorar completamente a dimensão mais importante da sua construção. O jogo não é apenas mais um jogo de sobrevivência depois do fim do mundo mas da capacidade de uma sociedade continuar existindo apesar do fim do mundo, da necessidade humana de estabelecer vínculos, da relação entre vida e morte, da fragilidade das instituições e da possibilidade de reconstruir uma civilização depois que seus fundamentos foram totalmente destruídos.
O mundo do jogo apresenta uma contradição fundamental dentro daquele universo: Nunca tivemos tamanha tecnologia para criar coisas incríveis e conectar pessoas, mas nunca estivemos tão distantes e com tanto medo do amanhã. No jogo, a humanidade dispõe de tecnologia capaz de criar torres de energia impressas, tricilos, off-roads e agregar avanços científicos nunca anges imaginados mas perdeu a capacidade de conviver fisicamente e compartilhar espaços.
Sendo assim, a narrativa funciona de forma simultânea como uma ficção científica, alegoria filosófica, crítica social e reflexão política.
A jornada de Sam ultrapassa a missão individual de transportar cargas. Ela representa uma tentativa quase que utópica de reconstruir os próprios fundamentos da experiência coletiva.
A MITOLOGIA
Não tem como entendermos a sociedade do jogo sem entendermos primeiro o fenômeno sobrenatural que destruiu sua organização.
O Death Stranding é um fenômeno e também um acontecimento sobrenatural com proporções apocalípticas que rompeu a separação convencional do mundo dos vivos com o mundo dos mortos. E foi a partit do Death Stranding, desse acontecimento, que elementos associados a morte passaram a interferir diretamente na realidade física.
A humanidade descobriu de forma trágica que a morte não representa o desaparcimento definitivo de uma pessoa. Existe no entanto uma dimensão intermediária que o jogo chama de praia (beach), que funciona como uma espécia de espaço de transição entre a existência e o além.
É interessante a similaridade dessa idea com o purgatório da teologia católica, por exemplo.
Esse evento do Death Stranding também acaba revelando que cada pessoa possui uma relação particular com essa dimensão e algumas pessoas conseguem estabelecer contato com essas dimensões.
O fenômeno sobrenatural do Death Stranding no entanto desencadeia consequências devastadoras para a humanidade.
A MITOLOGIA: AS PRAIAS, A VIDA E A MORTE
As praias são a explicação mais dificil de se entender no jogo quando você começa sua jornada, a explicação vai se desencadear conforme você avança e a narrativa aqui ja começa a tracejar a sua importância tanto quanto mitologia como filosófica.
Elas representam espaços metafísicos relacionados a identidade, memória e à passagem da vida para a morte.
Não são simpliesmente uma explicação bem elaborada de céu e inferno. A natureza das praias é mais complexa que isso, pois constituem uma dimensão na qual a existência individual e a experiência da morte se encontram.
A Praia também questiona uma das certezas fundamentais da experiência humana: A ideia de que a morte estabelece uma separação definitiva entre aqueles que permanecem vivos e aqueles que partiram.
No jogo essa fronteira se torna permeável.
Também temos as Ep’s. A existência das Ep’s (Entidades de praias) demonstram exatamente a consequência dessa ruptura. Essas entidades são associadas aos mortos que permanecem presos à realidade dos vivos, e que representam uma ameaça para aqueles que encontram com elas no meio do caminho.
É dai que nasce o horror do jogo, dessa inversão: aquilo que deveria pertencer ao passado continua interferindo no presente.
Essa tensão com as Ep’s é explorada na gamerplay cada vez que Sam se depara com uma região infestada delas.
A MITOLOGIA: A CHUVA TEMPORAL E A DETERIORAÇÃO DO TEMPO
Um outro fenômeno central da narrativa do jogo é a Timefall, conhecida como chuva temporal.
Diferente da chuva convencional ela acelera o envelhecimento de tudo aquilo que toca. Plantas crescem e morrem rapidamente, objetos se deterioram e estruturas são consumidas pelo tempo.
A chuva temporal funciona como se fosse, por exemplo, a representação física da instabilidade da existência. É como se você pudesse sentir de forma tangível o seu tempo sendo encurtado na terra.
O tempo aqui, que normalmente é percebido como uma força abstrata, se torna uma ameaça concreta. A passagem dos minutos pode destruir seus equipamentos, alimentos, construções e até mesmo a segurança de uma comunidade.
Existe uma associação interessante entre o tempo e a mortalidade.
A humanidade sempre viveu sob cosnciência de que tudo está sujeito a deterioração. Isso é o óbvio da existência. Mas Death Stranding transforma essa condição em uma realidade visível, na qual até os objetos mais resistentes precisam lutar contra o tempo.
A MITOLOGIA: A OBLITERAÇÃO E A FRAGILIDADE DA EXISTÊNCIA
As Obliterações representam uma das manifestações mais destrutivas do Death Stranding dentro do jogo.
Quando um Ep cruza o caminho de um ser humano vivo e vence sua batalha contra ele, esse ser humano será engulido e isso acarretará em uma explosão de proporções gigantescas, que são as obliterações.
Esses eventos deixam enormes crateras e modificam permanentemente a paisagem do jogo.
A existência humana nesse sentido passa a carregar um risco adicional: A morte de uma única pessoa pode provocar a destruição de tudo ao seu redor.
E isso altera a organização social. A morte deixa de ser apenas uma questão indiviudal e familiar e se torna o problema de toda a coletividade.
O tratamento dos cadaveres por exemplo, se torna uma atividade essencial da organização social do jogo para a manutenção da segurança pública.
A relação da humanidade com a morte precisa ser reorganizada e o corpo de quem morreu passa a pertencer a organização daquele mundo, que estabelece a incineração como prática universal para descartes de corpos, evitando assim as obliterações.
Não há espaço para a despedida, apenas para o luto invisível.
O corpo é lacrado, levado as pressas para as centrais de descartes e incinerado.
A MITOLOGIA: ENTIDADES DE EXTINÇÃO
Não bastasse tudo que envolve a mitologia que se mistura na narrativa e na gameplay, Death Stranding expande a mitologia em torno do ponto central da trama ao apresentar as entidades de extinção.
As entidades de extinção são associadas no jogo com os grandes ciclos de vida na terra. Com isso a narrativa do jogo sugere que a história do planeta é marcada por eventos periódicos de extinção, com isso a separação entre vida e morte é alterada em uma escala muito maior.
Amelie, que é a personagem central da narrativa do primeiro jogo e o motivo pelo qual Sam entra na missão da Bridges, está diretamente ligada a esse processo.
A sua existência por exemplo, vai colocar em cheque a continuidade da humanidade. O Death Stranding não é apenas um acidente a ser resolvido com tecnologia de ponta. Ele está ligado a uma estrutura mais profunda: A existência.
Mesmo que a humanidade reconstrua suas cidades com tecnologia de ponta, estruturas, redes de conexão e equipamentos de comunicação, ela não possui controle sobre sua existência.
E essa é uma das grandes tragédias do universo criado pro Kojima.

A SOCIEDADE DEPOIS DO COLAPSO: ASPECTOS SOCIAIS DO JOGO
A catastrofe do Death Stranding não destruiu apenas infraestruturas e cidades, ela também destruiu a capacidade de convicência social e organização das pessoas como comunidades.
Os estados unidos, o foco do primeiro jogo, deixa de funcionar como uma nação forte e integrada e a população sobrevivente passa a viver em instalações subterrânes, abrigos isolados e assentamentos espalhados pelo território.
O espaço público praticamente desapareceu. Só existe o vazio.
As estradas se tornaram perigosas, as viagens representavam risco de vida, fosse por encontrar invasores ou por encontrar EP’s e o contato físico foi reduzido drasticamente. A humanidade sobreviveu mas perdeu grande parte das condições que tornam possível uma vida coletiva.
É neste contexto narrativo que surge a UCA: United Cities of America, uma tentativa de reorganizar os territórios e criar uma conexão entre os assentamentos e os abrigos como uma organização política e admnistrativa centralizada.
A proposta do jogo parece bem simples: Reconstruir a infraestrutura nacional através de uma rede de conexão entre os assentamentos e abrigos chamada de “REDE QUIRAL”, um sistema de comunicação que permite conectar a todos e partilhar informações.
A UCA representa a tentativa de reerguer uma sociedade assolada pelo vazio e a inexistência humana através de um pensamento baseado na integração.
Reconectar e reativar infraestruturas, comunicação, distribuição de recursos, segurança e coordenação territorial.
Ou seja, quanto mais assentamentos e regiões forem conecatdas na Rede Quiral, maior é a capacidade de organização e recuperação territorial. Essa integração é apresentada como condição para a sobrevivência coletiva.
Mas existe uma contradição nessa proposta, afinal, para participar da organização e da recuperação territorial coletiva, o indivíduo precisa aceitar fazer parte de uma rede maior, com organização política e admnistrativa e com lideranças de alto comando para usufruir de seus benefícios.
A SOCIEDADE DEPOIS DO COLAPSO: A ECONOMIA DA SOBREVIVÊNCIA
Diferente de tudo que temos até aqui em diversos jogos que abordam um futuro pós apocalíotico, Death Stranding aborda quase que de forma canônica para a lore do jogo a força humana e o trabalho físico como prática central da economia neste universo. A logística assume basicamente a função que já foi dos bancos em uma sociedade mais “normal”.
A moeda mais forte na transação deste mundo são os entregadores, porque agora, em regiões remotas e distantes que precisam se reorganizar e se conectar, os entregadores são a ferramenta indispensável do progresso.
O jogo faz questão de deixar isso claro em relação a Sam: É o trabalho de força física extrema que permite que a economia de um mundo que não possui mais moeda, siga existindo através da reconexão humana, do compartilhamento entre as bases que se conectam e da infrastrutura do mundo reativada.
Ele se transforma em uma figura indispensável para à manutenção da civilização.
É de Sam que partem as entregas de medicamentos, estruturas, armas, alimentação, cargas perdidas indispensáveis e claro, a conexão das areas remotas na Rede Quiral.
O jogo faz uma crítica explícita: Uma civilização não depende apenas de quem produz, governa ou inventa, mas também de quem faz os recursos chegarem a quem precisa deles.

A FILOSOFIA DE DEATH STRANDING: VIDA, MORTE E EXISTENCIALISMO
Death Stranding traz uma evidência cada ve mais tangível nas obras de Kojima. A questão filosófica como complexidade narrativa.
Ele não está preocupado em apenas explicar como este mundo chegou ao ponto em que se encontra e largar o jogador por ai apenas aproveitando a gameplay por algumas horas. Ao invés disso, ele se peocupa em questionar e compreender o que significa continuar vivendo quando os fundamentos da existência parecem ter sido destruídos.
E Sam Porter Bridges é o personagem perfeito para a dualidade dessa reflexão.
Ele não é apresentado como um grande herói movido por grandes ambições e disposto a tudo para salvar o mundo. Ele não é esse esteriótipo de personagem que decide acreditar quando ninguém acredita. Na verdade, Sam nem se quer acredita na própria missão.
Ele é um homem emocionalmente fechado, traumatizado e avesso ao contato físico humano. Incapaz de sentir, abraçar e se permitir.
Seu isolamento não é apenas geográfico. É psicológico.
Se formos analisar a estrutura da MITOLOGIA de Death Stranding, ela cabe na civilização territorial inteira da UCA, mas também cabe dentro do Sam, como se ele fosse um território inteiro vagando por aí.
A jornada de Sam o coloca em uma ironia filosófica, afinal, enquanto ele aprende a reconstruir o que sobrou da civilização e reconectar estruturas, ele começa a reconstruir o que sobrou dele e se reconectar aos poucos com as pessoas.
A FILOSOFIA DE DEATH STRANDING: O EXISTENCIALISMO
A ideia do existencialismo dentro deste universo parte de uma preocupação fundamental: Como o ser humano contrói sentido para sua existência em um mundo que já não tem mais respostas definitivas para suas questões?
E o jogo faz isso, ele constói essa narrativa com personagens que precisam encontrar motivos para continuar vivendo.
E ai precisamos entender que, em um mundo em que a morte passa a ser uma realidade constante e a extinção é real, as justificativas tradicionais para a existência perderm parte de sua força.
A mesma medida que o futuro deixou de parecer garantido, o trabalho, os relacionamentos e os objetivos pessoais e coletivos passam a ser questionados.
O que realmente importa em um mundo que nada mais importa?
E é nessa descrença de existir que Sam encontra sentido para seu existencioalismo na coisa mais banal daquela sociedade destruída: FAZER ENTREGAS.
As entregas deixam de representar objetos e passam a representar reconexão emocional, cura de traumas e memórias e a cada passo dado, você se apega ao Sam, suas dificuldades emocionais e sua realização quando realiza as entregas.
O sentido da existência deixa de ser encontrado exclusivamente no indíviduo e passa a ser construído na relação com o outro.
A FILOSOFIA DO ABSURDO: VIDA E MORTE
É impossível jogar Death Stranding e não encontrar resquícios filosóficos fortes em sua narrativa. O jogo demonstra uma aproximação com a filosofia de Albert Camus.
Camus discutia a condição absurda da existência humana, a tensão entre a nossa necessidade de encontrar significado em um universo que não oferece nem mesmo respostas claras para as nossas expectativas.
Em “O mito de Sísifo”, o personagem mitológico é condenado eternamente a realizar uma tarefa aparentemente inútil.
E a grande questão colocada não é como Sísifo pode escapar de sua condição mas como ele pode encontrar uma maneira de existir diante dela.
Sam apresenta uma base filosófica para sua existência, muito semelhante.
Ele precisa caminhar por paisagens hostis, carregar cargas pesadas, enfrentar Ep’s, cansaso físico, fome, frio, condições climáticas inóspitas em um ciclo de atividades que parecem intermináveis.
É um trabalho cansativo, repetitivo e frequentemente frustrante, muito frustrante.
E é justamente nessa repetição que ele encontra sentido, pois cada entrega concluída representa uma pequena vitória contra o isolamento e a destruição.
A humanidade talvez não consiga impedir todos os acontecimentos que ameaçam sua existência, mas ainda pode escolher como responder a eles.
O dilema entre vida e morte ganham sua parte, pois a morte é mais do que uma consequência narrativa para a vida.
Em muitas obras de ficção cinetífica a tecnologia surge como simbolo primário da sobrevivência humana e também das questões narrativas das histórias. Death Stranding optou por uma abordagem diferente.
A morte não é um simples problema técnico que precisa ser eliminado, ela faz parte da própria estrutura da existência.
O fenômeno que aproxima a vida da morte e os vivos dos mortos provoca grande sofrimento justamente porque rompe com uma fronteira que possui uma função que é fundamental: Permitir que os vivos sigam com a sua vida.
O jogo inclusive questiona se a superação de todos os limites representa uma evolução, uma vez que você anda sobre a morte, ouve sua voz, vê o seu rosto e o seu luto se torna em uma dor tangível e constante, quase impossível de superar.
A oportunidade de permanecer ligado aos mortos pode parecer desejável mas também pode impedir que os vivos aceitem suas perdas e reconstruam suas vidas e sua existência.

CRÍTICA SOCIAL: INDIVIDUALISMO, FRAGMENTAÇÃO E ISOLAMENTO
A dimensão social do jogo talvez seja a que mais se aproxime de nossa realidade.
O jogo foi lançado em 2019 em um período marcado por transformações tecnológicas, polarização política, culto ao individualismo e uma pandemia global que alavancou o crescimento das redes sociais e da mudança dos comportamentos diante disso. E isso tudo levantou questionamentos sobre os efeitos praticos do individualismo nas sociedades.
E a narrativa do jogo apresenta justamente uma humanidade que perdeu a capacidade de compartilhar espaços físicos.
O individualismo como resposta ao medo
Muitas pessoas passaram a se isolar por medo das ameaças externas, pela dor da perda, pela incapacidade de dialogar e pela desconfiança constante em outras pessoas. O isolamento não foi apenas fruto do fenômeno, ele foi também resultado de uma reorganização inicial muito inóspita e violenta.
O medo transformou a distância em proteção.
Essa é uma característica muito presente nas sociedades contemporâneas, onde cada indivíduo procura resolver seus próprios problemas, mas a soma de soluções individuais não garante a construção de uma sociedade coletiva e funcional.
O medo é uma das principais forças daquele mundo e a população passa a aceitar o isolamento. Essa ideia dentro do jogo se assemelha as civilizações que, diante de condições extremas, sejam climáticas ou de guerra, buscam no isolamento e no individualismo uma garantia para sua sobrevivência, desmerecendo a realidade que, em momentos de crise não é o isolamento pelo medo e sim a união pela crença na pluralidade que pode determinar a sobrevivência de fato.
A DESIGUALDADE E A DIVISÃO ENTRE OS QUE VIVEM E OS QUE TRABALHAM
Como ja vimos aqui neste texto a divisão econômica do jogo se dá pelo trabalho braçal. As estruturas, os assentamentos, os refúgios subterrâneos dependem única e exclusivamente do trabalho de pessoas que vivem o perigo intenso do dia a dia e são levados a exaustão física e mental para manter tudo funcionando.
Sam está nessa categoria. É do trabalho direto dele que essas instalações, estruturas e assentamentos dependem para receber aquilo que precisam.
Essa organização entre os que vivem a vida comum do dia a dia em suas instalações e os que trabalham, nos permite fazer uma leitura sobre a divisão social do trabalho.
Alguns dependem do trabalho dos outros para manter suas estruturas sociais funcionando e em segurança e o entregador se torna peça funamental dentro desse sistema.
Mas continua sendo ele aquele que enfrenta os perigos territoriais que o restante da sociedade prefere evitar.
E nessa sociedade isolada e disfuncional procurando o sentido do existencialismo, Sam não é um líder político, religioso e nem militar.
Ele é um trabalhador.
Sua principal missão para reconectar a sociedade não é invadir um território, derrotar governos ou impor sua ideologia. É transportar coisas.
Essa escolha narrativa possui um significasdo social muito forte. O jogo reconhece o valor das atividades que sustentam a vida cotidiana mas que raramente recebem o mesmo prestígio atribuído as posições de poder.
Sam não reconstói a america por meio de discursos. Ele o faz por meio do trabalho. Cada entrega é uma pequena contribuição para a recuperação de uma estrutura coletiva.

CONCLUSÃO: A HUMANIDADE NÃO SOBREVIVE APENAS PORQUE PERMANECE VIVA
Death Stranding é uma obra sobre o fim do mundo, mas sua principal mensagem não está em como a humanidade pode sobreviver, e sim porque a humanidade pode sobreviver.
A mitologia apresenta uma realidade na qual a fronteira entre a vida e a morte foi rompida, a natureza se tornou imprevisível e humanidade perdeu a estrutura politica que sustentava sua civilização.
Mas o jogo deixa claro que o colapso não é apenas físico, é social.
A humanidade perdeu a capacidade de confiar, compartilhar e reconhecer a importância da sua própria existência coletiva. A recostrução da américa, a rede quiral e a jornada de Sam representam diferentes tentativas de superar essa condição.
Mas o jogo também demonstra que insfraestruturas, tecnologia e política não são suficientes para resolver essa equação.
Essa mesma sociedade pode possuir estradas, sistemas de comunicação, tecnologia e reorganização política, e, mesmo assim continuar fragmentada. O que pode mudar isso? Onde está a resposta para a sociedade nestas condições?
O que transforma um conjunto de indivíduos em uma comunidade é a capaciade de reconhecer que a existência de cada pessoa está relacionada a existência dos demais. Nesse sentido a jornada de Sam ultrapassa a missão de ser apenas um entregador que vai reconectar a sociedade.
Ele começa como um homem que procura evitar qualquer tipo de contato, cheio de traumas e de dores não curados de um luto nunca sofrido, mas termina compreendendo que sua própria existência não pode ser separada das relações que estabelece.
O BB representa a descoberta do afeto. As entregas representam a importância do trabalho. A rede quiral representa as possibilidades de superação através da tecnologia. A UCA representa a necessidade de uma organização política. As praias representam os limites entre vida, morte, memória e existência.
A grande questão filosófica que se coloca sobre Death Stranding é na verdade uma contradição: A humanidade precisa dos outros para sobreviver, mas constantemente sua própria existência tenta se proteger deles.
Death Stranding não uma história convencional pós apocalíptica. Nem tampouco é sobre conectar o mundo a uma rede inteligente.
É, no lugar disso, simplismente entregar alguma coisa para alguem que precisa dela, pois no fim reconstruir o mundo signifca devolver as pessoas uma razão para acreditarem umas nas outras.
FIM
Se você leu até aqui, muito obrigado.
Leia mais artigos AQUI
Você me encontra AQUI


