Boa Leitura!

Como é estar de voltar no Hearthstone

Durante anos este jogo foi o meu portal quase diário para um universo particular e extremamente necessário no meu desenvolvimento dentro do hobby de videogames, mas principalmente no gênero dos jogos de cartas. Recordo-me perfeitamente da rotina de chegar exausto da adolescência em casa e poder me reservar algumas horas antes do retorno aos estudos ou do descanso diário, para jogar algumas partidas que, ganhando ou perdendo, compunham aquela satisfação rotineira em um jogo bastante convidativo. Seu ritmo calculado, no qual uma vantagem de compra de cartas ditava o vencedor, parece ter mudado completamente desde a última vez que joguei em relação a agora, anos depois, tendo a oportunidade de jogar novamente.

A curiosidade e a oportunidade se encontraram e falaram mais alto quando cliquei no botão “Jogar” pela primeira vez depois de tanto tempo. A Taverna ainda tem a mesma voz acolhedora; já as partidas, essas sim mudaram completamente.

Este texto e esta matéria que pode ser entendida tanto como um artigo quanto como uma carta nostálgica para quem fui e para o que Hearthstone se tornou ao longo desses anos, talvez atinja uma gama muito específica de leitores. Mas espero que, assim como eu, eles também se sintam motivados a voltar ao jogo ou, ao menos, a ouvir os relatos de quem, depois de tanto tempo, teve a oportunidade e o convite não só de retornar, mas de estar em uma posição completamente diferente da de um jogador comum.

Meu muito obrigado aos amigos da Blizzard Brasil, ao suporte da equipe internacional de Hearthstone e, antes de tudo, aos queridos amigos da Patobah pela oportunidade não só de produzir conteúdo deste jogo, mas também de me reconectar com ele.

Como é estar de voltar no Hearthstone Hearthstone

O Retorno ao Jogo.

Pensei que teria tido tempo suficiente para estruturar tudo o que eu gostaria de abrir conversando com vocês, mas ainda assim, mesmo algumas temporadas depois, tudo ainda parece muito novo e completamente pronto para ser descoberto, mesmo depois de ter visto tanto. Hearthstone carrega, agora no meu contato diário e quase religioso com o jogo, uma sensação de constante inovação e mudança do tipo que não te dá tempo para puxar o ar sem que novas cartas, ajustes e alterações cheguem para tentar modificar tudo com o que você estava acostumado. Sendo isso bom ou ruim, é inegável que toda vez que as “portas” do jogo se abrem ao ser iniciado, a sensação que se percebe é de uma gameplay completamente transformada, semana a semana. Abrir o Battle.net e clicar em “Jogar”, depois de tantos anos e agora dia a dia, traz consigo não só a sensação de retorno a um passatempo, mas também um exercício quase “arqueológico” de tentar relembrar como as coisas eram no dia anterior e como agora foram alteradas.

O primeiro contato com o Hearthstone contemporâneo que eu tive naquele evento que trouxe cobertura aqui para vocês, expôs de imediato o abismo temporal entre um jogador que parou de logar na sua adolescência e o ecossistema que a empresa, por meio da prática contínua de suporte, construiu e consolidou desses anos para cá. Para mim e para aqueles que guardaram a memória de um jogo de xadrez metódico, o retorno agora exigiu desaprender velhos hábitos antes mesmo de poder compreender as novas regras.

Onde antes havia um menu charmoso, mas bastante vazio e que provocava a ansiedade pelo que podia preencher aquelas lacunas, agora me deparo com o bombardeio visual comum a um jogo que se redescobriu completamente em como entreter e prender a atenção, seja visualmente ou pelas suas propostas. Trilhas de recompensa, abas de cosméticos, pacotes ao alcance de um clique e modos paralelos, como os Campos de Batalha, disputam a minha atenção de formas distintas, mas bastante convincentes. A sensação imediata é a de estar diante de uma antiga casa que foi completamente redecorada e remodelada por dentro, com paredes novas e uma multidão de inquilinos (as cartas) esperando para se apresentarem e explicarem como podem funcionar no meu novo baralho.

A profundidade que esse estranhamento causa encontra conforto em uma coleção que conta com bons e velhos conhecidos, ao mesmo tempo que passa a exigir dezenas de horas de dedicação e leitura para aprender o que cada nova carta faz e com o que ela pode combinar. O passado do jogo está ali; não foi apagado e muito menos é motivo de vergonha para os desenvolvedores, ainda que o presente caminhe em uma velocidade que quase desafia o ritmo do futuro.

Nesse cenário em que me vejo tanto como um velho jogador quanto como um novato, a economia do jogo foi rebalanceada de forma a estender uma mão salvadora por meio dos decks emprestados e dos pacotes gratuitos, sempre obtidos em alguma promoção ou após concluir objetivos de ganho gratuito. A curva de aprendizado, no entanto, continua não se resumindo apenas a ter boas cartas na mão; agora, mais do que nunca, ela reside na compreensão de que Hearthstone deixou de ser um jogo de pura contagem de recursos (se é que um dia foi apenas isso para alguém) e se tornou um simulador dinâmico de valores e reviravoltas.

A lareira e as brigas de cartas ainda te acolhem, a Taverna ainda mantém aquele tom divertido que se renova toda semana, mas o fogo que queima e alimenta o combustível criativo daqueles que continuam trabalhando no jogo é completamente novo. Retornar a este universo não foi tão simples quanto eu pensei, mas, contando com a ajuda do suporte e de uma comunidade que abraça, o processo se torna, no mínimo, um caos divertido de se conviver.

Choque Mecânico.

Se a entrada na Taverna segue igualmente ou ainda mais reconfortante, ela se põe frente ao fôlego extra que você passa a precisar quando tem o primeiro contato com as novas regras que governam o Hearthstone de hoje em dia. Para quem deixou o jogo na época em que a vitória dependia de muito menos mecânicas (porque sequer tínhamos tantas opções), agora é como assistir a um jogo completamente novo e diferente do que eu esperava, onde as cartas se movem de maneiras distintas, se multiplicam e fazem muito mais pelo campo de batalha do que eu me lembrava. O ritmo, que podia ser calculado quando o jogo era muito mais simples, deu lugar a uma criatividade e a uma sinergia incríveis, não só de se assistir, mas também de se jogar. Você fica desorientado, mas ainda assim se diverte.

O divisor de águas, no entanto, continua sendo a obtenção de recursos. Na minha época, parecia ser muito mais difícil vencer com base apenas nas cartas básicas que você tinha, o que forçava todo novo jogador a improvisar com decks cada vez mais rústicos, visto que a obtenção natural de cartas sem a inserção de recursos externos e financeiros ao jogo, tornava tudo muito mais penoso. Hoje, no entanto, percebo que a “vantagem de cartas” foi reescrita pela proliferação de mecânicas de criação instantânea, com destaque para a lendária palavra-chave Descobrir. Enfrentar um oponente agora se tornou não apenas lutar contra os limites que o investimento financeiro poderia impor, mas sim ter a oportunidade de enfrentá-lo de igual para igual, na medida em que você sempre tem a chance de surpreender e conduzir uma partida completamente diferente da anterior, graças a tantas mecânicas geradoras. Não me parece, até agora, haver algo como uma “vitória engatilhada”.

Como é estar de voltar no Hearthstone Hearthstone

Essa aceleração e aleatoriedade podem assustar, mas expõem o verdadeiro significado do que é um jogo de oportunidades. Não se trata mais apenas de criaturas com atributos maiores por menos mana, mas sim da densidade de texto, do efeito acumulado, dos combos e do que você pode fazer com o pouco que gera em dobro. As partidas que antes encontravam um limite nos enormes capangas agora se mesclam em turnos iniciais que servem apenas como uma breve introdução a uma jogada seguinte totalmente imprevisível.

Nesse cenário, reaprender a jogar como eu disse no tópico anterior, exige abandonar boa parte do que você sabia, mas também deixar para trás a frustração que velhas táticas causavam quando o oponente tinha um deck mais caro. A tentação inicial pode ser acreditar que o jogo continua o mesmo e que tanto conteúdo novo vai te afastar, mas a realidade é que o que há de novo quase sempre se mostra, no mínimo, divertido de se conhecer.

Barreira de Entrada e Nova Economia.

No passado, encarar uma coleção desatualizada em Hearthstone era o equivalente digital a olhar para uma dívida que não podia ser paga, e fico muito feliz em afirmar que, pelo que tenho experienciado, a economia passou por transformações tão profundas quanto suas mecânicas. Na época em que me afastei, vários foram os motivos, mas a economia do jogo era algo alarmante. Ela passava por um teste de paciência que requeria um investimento financeiro direto. Conquistar ouro exigia a extenuante rotina de vencer várias partidas para somar poucas dezenas de moedas, enquanto abrir pacotes era uma roleta-russa em que a ausência de proteção contra cartas repetidas podia transformar o esforço de horas, dias ou até semanas em uma pilha imprestável de pó arcano mal aproveitado. Para o jogador que fala com vocês agora, depois de anos desde a última vez que joguei, o primeiro e inevitável temor foi reencontrar exatamente isso: ver-me de novo diante de um pagamento impossível e de um abismo de desvantagem que eu não conseguiria cruzar.

Surpreendentemente, a forma como fui recebido e a maneira como vi o jogo lidar com o meu retorno e com a existência de centenas de milhares de jogadores free-to-play ou de orçamento moderado, evoluíram de maneira impressionante. A Blizzard parece ter aprendido que, para atrair e fidelizar veteranos, era necessário estender uma tábua de salvação àqueles que voltavam depois de tanto tempo, em vez de simplesmente nos jogar aos leões das filas ranqueadas. O sistema atual foi agradável para alguém que retorna após tanto tempo e parece sê-lo da mesma forma para quem segue disputando sem colocar muito dinheiro no jogo. Aliado a essa mudança, os pacotes parecem funcionar agora não como sinônimo de frustração, mas como uma injeção de ânimo na coleção, preenchendo dezenas de lacunas deixadas pela ausência. Comparando isso à escassez que vivi nos primeiros anos do jogo, a sensação não pode ser outra senão a de um afago gentil com quem veio do passado.

Por dentro do jogo, a forma de acumular recursos também mudou. As antigas telas monótonas deram lugar a missões diárias bem distribuídas e a um passe de batalha que, embora exija engajamento constante, pelo menos recompensa o esforço dedicado. O ouro, antes disputado a cada moeda, agora flui de maneira muito mais previsível por meio da experiência de jogo, fazendo com que conquistas e missões realmente valham a pena. O acerto econômico dessa mudança foi tremendo, pois torna não só mais eficiente jogar, como também mais honesto ao permitir que os

participantes não precisem gastar fortunas de dinheiro real para se manterem de pé no meta atual.

Apesar das facilidades estruturais, ainda há o que melhorar. O jogo está mais generoso para quem sabe gerenciar seus recursos e finalmente consegue obtê-los; por isso, conto com a Blizzard e com a equipe de desenvolvimento para continuarem buscando o melhor para os dois mundos.

Suporte e carinho da comunidade.

Fico feliz de que, por mais intimidadora que tenha sido a proposta de retornar a este universo quando me foi oferecida, a solução e a surpresa tenham vindo do elemento mais humano deste jogo: os próprios jogadores. Ser recebido de braços abertos e ter a oportunidade de conferir em primeira mão uma nova coleção de cartas ao lado dos desenvolvedores e de tantos outros extraordinários criadores de conteúdo revelou para mim um cuidado cada vez mais raro na indústria. Eu estava lá e não ouvi de terceiros; vi a atenção, a disponibilidade e o carinho com que a equipe por trás de Hearthstone acolheu os criadores e transformou nossa experiência em algo muito mais tranquilo e humano do que uma mera transação corporativa. Fizeram com que o crachá de um “veterano afastado” desse lugar instantaneamente a um sentimento de pertencimento com todos com quem pude interagir.

Esse mesmo zelo transparece dia a dia no suporte contínuo aos jogadores e na enxurrada de novos conteúdos que o jogo vem recebendo temporada após temporada. Não se trata apenas de cumprir um calendário rígido de lançamentos, competindo com outras marcas do mercado, mas sim de manter o ecossistema pulsando, conversando com sua comunidade e alimentando uma paixão comum tanto de quem consome quanto de quem cria conteúdo. Fico muito feliz de estar de volta.

E você, o que você está esperando para baixar?

https://hearthstone.blizzard.com/pt-br

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