O universo de H.P. Lovecraft sempre foi um terreno fértil e perigoso para os videogames. Fazer o jogador sentir o peso do desconhecido sem transformar tudo em um mero festival de tiros, exige um equilíbrio delicado entre atmosfera, ritmo e design. Quando a Nacon me concedeu o acesso antecipado a The Mound: Omen of Cthulhu, confesso que a curiosidade técnica e temática falou alto de imediato. Testando o título no PlayStation 5 Pro, encontrei uma experiência que não apenas honra as raízes do horror cósmico, mas entrega uma estrutura coop surpreendentemente dinâmica e viciante.
O Prólogo e a Preparação Antes da Névoa
O game abre suas portas com um prólogo direto e curtíssimo, disponível para situar o jogador na atmosfera densa que dita o tom da narrativa. É uma pequena amostra introdutória, mas suficiente para estabelecer que aquele universo não tolera descuidos.

O verdadeiro coração do jogo bate dentro da sua base que é o navio. É a partir dele que toda a jornada se estrutura. Antes de encarar o mar e desembarcar nas ilhas tomadas pelo oculto, você e seu grupo precisam gerenciar o inventário com sabedoria. A preparação envolve escolher contratos específicos, comprar suprimentos e realizar aprimoramentos nas armas com as moedas acumuladas em expedições anteriores. Essa etapa inicial cria um ciclo de planejamento muito tático, onde cada escolha de item pode ditar o sucesso ou o fracasso completo da missão.




A Dinâmica das Expedições e o Suporte Prático da Carroça
Uma vez em solo firme, o objetivo fica claro. Cada contrato exige a coleta de uma quantidade específica de riquezas espalhadas pela ilha para garantir a conclusão bem-sucedida do objetivo. Só que a exploração está longe de ser um passeio calmo. O mapa é povoado por criaturas grotescas, armadilhas disfarçadas e maldições que punem jogadores afoitos.


Entre as mecânicas de exploração, uma das soluções mais inteligentes de design é a presença da carroça que acompanha o grupo. Em mapas expansivos, onde a tentação de se afastar para vasculhar cantos escuros é grande, basta tocar o berrante para que o transporte vá até a sua posição. Nela fica acoplado um baú para guardar os tesouros coletados. Além disso, ela serve como o ponto de extração para retornar ao barco assim que a meta é atingida. É uma ferramenta útil que evita idas e vindas desnecessárias pelo mapa.


A Experiência em Coop, Crossplay e a Análise Técnica no PS5 Pro
Ainda que seja perfeitamente possível jogar de forma solitária para quem busca uma experiência mais cadenciada, The Mound: Omen of Cthulhu se destaca verdadeiramente no modo cooperativo. O jogo conta com um sistema prático de comunicação por gestos e um recurso fundamental nos dias de hoje, suporte total a crossplay. Durante as sessões de teste, joguei no PlayStation 5 Pro acompanhado de um jogador na plataforma PC, com o canal de áudio via microfone funcionando perfeitamente sem falhas de conexão ou atrasos na comunicação.

Do ponto de vista técnico e de desempenho, o título entrega uma direção de arte inspirada, rica em iluminação e detalhes na construção de cenários. No entanto, rodando no PS5 Pro, ainda é possível notar pequenas oscilações na taxa de quadros por segundo em momentos de combate intenso ou até mesmo na exploração, além de carregamentos sutis de textura surgindo em tela durante a movimentação rápida. São pequenos pontos de otimização que devem ser ajustados pela equipe de desenvolvimento, mas que não chegam a comprometer o ritmo geral do gameplay.

O Veredito do Paganotti
The Mound: Omen of Cthulhu demonstra um potencial enorme dentro do gênero de exploração e sobrevivência cooperativa. A combinação entre mecânicas sólidas de contrato, gerenciamento de recursos e uma ambientação lovecraftiana refinada entrega um prato cheio tanto para entusiastas do terror quanto para grupos de amigos que buscam um bom desafio tático. É um título que coloca a fasquia alta e deixa uma excelente expectativa para outros lançamentos do mesmo gênero, como o aguardado Cthulhu: The Cosmic Abyss.
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

