Witchspire chega em acesso antecipado prometendo uma aventura mágica e imersiva, na qual pude explorar os dois primeiros atos e biomas disponíveis nessa versão.

O jogo apresenta uma mistura interessante de mecânicas de sobrevivência, captura de monstros e exploração, entregando uma experiência que, apesar de precisar de polimento, possui um potencial gigantesco.
HISTÓRIA E PREMISSA
A narrativa nos coloca na pele de uma protagonista que se encontra longe de sua academia de magia e assume o papel de “a escolhida”. A trama avança de forma misteriosa, guiada por Cirrus, que nos direciona a atravessar portais, enfrentar chefes, como um grande Golem de pedra, e coletar chaves especiais para abrir a porta da Witchspyre, uma torre arcana localizada no meio de ilhas.
O objetivo principal nessas primeiras horas gira em torno de habilitar o voo com vassouras e descobrir onde estão os amigos da protagonista que desapareceram. A história é simples e contada em grande parte através de diários espalhados pelo mapa, instigando o jogador a explorar cada canto para entender melhor esse universo.
GAMEPLAY E EXPLORAÇÃO
A aventura começa com a criação do personagem, oferecendo opções de personalização de rosto, olhos e cabelo. O jogo disponibiliza seis classes distintas, e para o meu teste, acabei optando pela Selenifilos. Logo em seguida somos apresentados a um tutorial muito bem estruturado. Ele ensina as mecânicas básicas de ataque, uso de poções e movimentação de forma didática, culminando na escolha de uma criatura inicial para te acompanhar, uma dinâmica que lembra bastante o início de um jogo de Pokémon. Cada criatura possui um TIPO, que futuramente pode ser usado para atribuir tarefas ou para aplicar fraquezas em outras criaturas.

A exploração dos biomas traz fortes inspirações em Zelda Breath of the Wild e Palworld. O mapa é vasto, repleto de baús e emboscadas em masmorras que recompensam os curiosos. A exploração se torna ainda mais divertida quando liberamos a vassoura mágica para voar pelos cenários.
O sistema de construção traz uma novidade excelente. Ao entrar no modo de criação, o personagem ganha a habilidade de voar livremente para posicionar bancadas e estruturas onde preferir, inclusive flutuando no ar. É possível criar bases inteiras de uma forma intuitiva e rápida graças à mecânica citada anteriormente. Também existem as opções de decoração para deixar o ambiente mais bonito.
E, por fim, mas não menos importante, existem os crafts de estruturas-chave para a história. Dentre elas estão o caldeirão, para criar poções, o forno para criar receitas de comida, a fornalha para criar minerais e etc… Tudo que citei pode ser desbloqueado e aperfeiçoado na árvore de habilidades, evoluindo o nível do personagem ou encontrando totens espalhados pelo mapa.
Já o sistema de captura de criaturas funciona através do “bonding“. Ao derrotar um monstro, existe a chance de sua alma permanecer no chão e o jogador precisa canalizar energia para tentar adicioná-lo à sua família, porém devo admitir que na minha jogatina, em nenhum momento eu não consegui capturar um inimigo, então não sei dizer se tem a chance de ocorrer. Esses familiares também podem receber tarefas específicas, auxiliando na automação da base e na velocidade das construções.
Para facilitar a captura e depender menos da sorte, o jogo permite a criação de incensos, que devem ser usados poucos antes de matar a criatura e que aumentam a chance da aura dele ficar. Existem diferentes tipos de incenso que podem ser criados na bancada de trabalho ou encontrados em baús.
No acesso antecipado, o jogo conta com 72 conquistas na plataforma STEAM, e admito que elas tornaram o jogo muito mais divertido no geral. São conquistas que adicionam desafios a mais (como capturar todos as criaturas) e que tornam a experiência muito mais satisfatória.

COMBATE E PROGRESSÃO
O combate é simples e consegue divertir muito. A base das lutas consiste em alternar entre espadas e varinhas de orbes mágicos, utilizar comidas ou poções para recuperar a vida e a mana e manusear as habilidades dos seus familiares (criaturas capturadas), além de dominar o tempo exato da esquiva.
O grande destaque aqui é a mecânica de progressão inspirada em Skyrim, em que suas habilidades evoluem naturalmente conforme você as utiliza. Essa progressão não funciona só para o combate, mas para todas as áreas do jogo, seja ao voar com a vassoura ou ao destruir árvores etc.
O jogo também conta com árvores de habilidades extensas, tanto para o personagem principal quanto para os familiares, permitindo liberar novos feitiços, melhorias de status e receitas de itens. É impressionante notar que, mesmo em acesso antecipado, as animações de voo, ataque e movimentação já se encontram extremamente fluidas e polidas.
DIREÇÃO DE ARTE E TRILHA SONORA
Acredito que a direção de arte de Witchspire seja o maior acerto da Envar Games, (desenvolvedora e publisher do jogo). Ela é o que torna o jogo tão diferente e único quando comparado com os demais jogos do mesmo gênero, se sobressaindo até mesmo perante sua maior inspiração, o Palworld. Os gráficos são lindos e conseguem transmitir uma ideia de mundo mágico com uma proeza inestimável. Todos os elementos presentes no jogo, como as criaturas, o mundo, as magias e outros combinam perfeitamente entre si e trazem uma sensação prazerosa para o universo de Witchspire.
Witchspire é um jogo visualmente espetacular. O menu inicial já impressiona com uma arte detalhada da protagonista e das criaturas. Os cenários são vibrantes e o sistema de dia e noite altera completamente a iluminação do mundo, criando transições lindíssimas entre um céu azul claro, um pôr do sol alaranjado e uma noite estrelada. Os designs dos monstros são bem executados e trazem muita variedade visual para o jogo.

A trilha sonora caminha lado a lado com a arte, entregando músicas épicas no menu, melodias relaxantes durante a exploração, e tensas nos combates, cumprindo com excelência o papel de dar vida a um mundo mágico cheio de descobertas. Todas as criaturas/familiares possuem sons próprios que trazem uma personalidade a mais e os sons, tanto no combate quanto nas construções são satisfatórios.
O QUE PRECISA MELHORAR
Como é esperado de um título em acesso antecipado, aconteceram algumas falhas, porém, a mais crítica e que impediu meu progresso total na campanha do jogo foi a seguinte: em determinado momento na terceira ilha, um evento envolve a queda de um cometa e a missão pede para investigar o local da queda, porém, na minha jogatina esse cometa sumiu, impedindo o avanço na história. Também encontrei outros bugs menores que atrapalharam a sessão, mas que apenas retardaram as ações que eu pretendia fazer no jogo.
O jogo também peca por faltar interatividade em certas mecânicas e por não oferecer um menu dedicado para que o jogador possa ler os diários de história que já foram encontrados ou ao menos uma sessão para conseguir ver as missões já realizadas e as que estão disponíveis.
Senti também que os primeiros biomas, apesar de grandes, poderiam ter uma variedade um pouco maior de cenários. As ilhas são muito parecidas entre si e não consegui encontrar nenhuma diferenciação que me fizesse crer que se tratava de um local novo.
CONCLUSÃO
Witchspire entrega uma base incrivelmente sólida para o futuro. A mistura de estilos funciona muito bem e o nível técnico das animações e da direção de arte surpreende. Para os jogadores que gostam de magia, construção e captura de criaturas e estão dispostos a lidar com os pequenos tropeços normais de um jogo em desenvolvimento, essa é uma obra que merece muita atenção. Mas, deixo o aviso que, caso você, assim como eu, presencie um bug crítico para o progresso, deverá iniciar um novo save e perder todas as horas gastas.
PONTOS FORTES
- Direção de Arte: Cenários belíssimos, ciclo de dia e noite imersivo e cutscenes curtas bem feitas.
- Trilha Sonora: Músicas que encaixam perfeitamente com a temática mágica e épica.
- Design de Criaturas: Monstros variados, carismáticos e muito bem modelados.
- Mecânicas de Progressão: A evolução de habilidades por uso e a liberdade do modo de construção são grandes acertos.
PONTOS FRACOS
- Bugs Críticos: Erros que impedem o avanço na história precisam de atenção urgente.
- Falta de Intuitividade: Algumas mecânicas não são tão claras para os novos jogadores.
- Qualidade de Vida: A ausência de um menu para reler os fragmentos de história atrapalha o entendimento da lore.
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Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.
