O desenvolvimento de jogos indies no Brasil não para de nos presentear com obras fantástica e o nordeste tem se provado uma região fortíssima quando envolve o uso da criatividade e a representação de uma cultura rica e tão pouco explorada.
O Estúdio Tejo, diretamente de Fortaleza (CE), traz agora uma proposta intimista e sensível: Vem, Exu. Focado na emoção e na acessibilidade, o título promete uma jornada curta, porém visual e emocionalmente marcante, tendo como inspiração jogos aclamados como Florence, Journey e GRIS.

A obra já possui uma demonstração gratuita disponível, com o lançamento da versão final projetado para 2027.
O PESO DOS SENTIMENTOS
Quem é o irmão caçula da família entende bem o peso de uma briga por causa de um brinquedo, e como a frustração desses momentos é algo que muitas vezes levamos direto para o travesseiro. É exatamente desse sentimento tão familiar que nasce a premissa de Vem, Exu.
Baseada no conto “Exu ficou com medo”, do escritor Rafael Semino, a trama acompanha o protagonista após ele perder sua arraia (pipa) em uma briga com o irmão. Tentando dormir com a cabeça cheia de raiva, os sentimentos do menino ganham forma, transformando a noite em uma tempestade mágica onde o sonho e a realidade se fundem. A partir daí, o objetivo principal do menino é atravessar esse mundo para recuperar o brinquedo, enquanto precisa enfrentar também o próprio orgulho e lidar com sentimentos que até então não conhecia tão bem.
INTERAÇÃO NO LUGAR DAS PALAVRAS
Uma das escolhas de game design mais interessantes do projeto é a forma como a história é conduzida. O jogo adota uma abordagem minimalista nos textos, deixando que as ações e interações transmitam a emoção de cada cena.

A jogabilidade se dá através de mecânicas simples e diretas: você estoura bolhas para tentar pegar no sono, conecta estrelas no céu para formar constelações, monta sua própria arraia peça por peça e navega pelo espaço tocando em planetas. É uma progressão movida pela curiosidade e pela observação, completamente livre de punições, telas de “Game Over” ou pressão de tempo, tornando a obra acessível tanto para quem já é acostumado com jogos, quanto para pessoas que nunca tiveram contato com videogames.
IDENTIDADE VISUAL E SONORA
O Estúdio Tejo fez um trabalho formidável ao transpor a estética da literatura de cordel e das xilogravuras para o formato digital. A paleta de cores restrita ao preto, branco e vermelho cria uma identidade visual muito forte e imersiva, celebrando a cultura brasileira de uma forma única nos jogos.
A direção de arte é um dos pontos mais fortes de Vem, Exu, desenvolvida pelo músico Zéis, a trilha sonora reativa complementa a atmosfera utilizando percussões afro-brasileiras e sonoridades típicas cearenses.

Com cerca de 50 minutos de duração na sua versão final, Vem, Exu é um projeto que reforça o poder dos vídeo games como mídia poética e transformadora, ampliando a presença de narrativas brasileiras no meio digital. Fica a forte recomendação para testar a demonstração e adicionar o jogo à sua lista de desejos.
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Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.

