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The Division Resurgence | PC (Primeiras impressões)

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8 de março de 2016 foi o dia em que o mundo conheceu o início da franquia The Division como ela está estabelecida hoje. Em meio a muita euforia e uma sensação de novidade que permeava cada linha de código daquele jogo, nós nos deparamos, de forma amarga e até mesmo macabra, com talvez uma previsão do que o mundo, de maneira geral, viveria alguns bons anos depois.
The Division

O medo do toque, do contato, cidades inteiras largadas ao som dos pássaros que não eram ouvidos há décadas e sem a presença tão constante das buzinas, criando um real cemitério a céu aberto.

Agora, tanto tempo depois, como é revisitar este universo em sua mais nova porta de entrada? The Division Resurgence foi a escolha da vez para responder essa questão.

Desenvolvido e publicado pela Ubisoft, o jogo finalmente chega aos computadores através da plataforma Steam e, com isso, me permite trazer pra vocês o que foram quase dez horas seguidas de gameplay.

New York, nossa chegada, times.

Começamos o jogo com uma abertura que nos introduz à base do universo The Division, relembrando o que já era um conceito dos jogos anteriores, a tal da “gripe do dinheiro”, em tradução livre da minha parte.

Nova York inteira foi contaminada e quem sabe o mundo também sofra do mesmo, mas, por hora, agentes convocados de uma unidade especial foram todos simultaneamente chamados para atuarem nesse campo de contenção, visto que há muitos inocentes vivendo aqui dentro ainda, campos de refugiados que vão se criando organicamente e um desespero que se espalha mais rápido do que a gripe, causado e em virtude do desastre e do caos social que se instalou logo nos primeiros dias. Esse não é um universo tranquilo de se viver, muito menos fácil de se sobreviver.

The Division

Gangues tomaram em armas e estão espalhando o terror. O nosso objetivo imediatamente se torna compreender quem são os líderes dessas organizações, persegui-los, quando possível prendê-los, mas, antes de qualquer coisa, neutralizá-los, assim como seus seguidores e o terror que espalharam contra o povo.

Nova York sofre com a carência de suprimentos e isso não demora para se tornar também um dos vários objetivos paralelos espalhados pelo mapa, sempre bastante genéricos, mas rápidos de se chegar e concluir.

A ambientação, como sempre, está extraordinária. Fica fácil se perder nas ruas encarando esses enormes prédios ou sentir como é ser pego de forma inesperada pelo cair da noite, cujas ruas estão iluminadas por barris em chamas, ou repentinamente perceber que está nevando. A Ubisoft, uma vez mais, consegue trazer o que foi uma das características mais marcantes desde o primeiro jogo: a sensação de que o caos é real.

Especializações e Jogabilidade.

Agora que te foi dado o contexto e história à qual você é lançado e precisa se ajeitar o quanto antes, no que se refere à gameplay, The Division Resurgence não traz grandes novidades para a franquia. Aqui, no entanto, o seu “estilo de jogo” vai ser, no mínimo guiado, não necessariamente contido ou preso, mas sim situado dentro de um estilo distinto de gameplay a depender de qual especialização você escolher.

As especializações nessa proposta de jogo/universo, vão funcionar como espécies de classe, te dando bônus e debuffs iniciais, à medida que te dão sintonia com estilos distintos e aspectos únicos da gameplay. É possível lá na frente descobrir outras especializações e também trocar entre a que você tem e outra que existia na tela de seleção inicial que você viu quando criou o seu personagem, mas, a princípio, a recomendação mesmo é se focar em um estilo de jogo que melhor se adeque ao seu ritmo e, dependendo se você vai ter amigos para iniciar a jornada ou vai adquirir eles ao longo do jogo, bom, tudo muda a depender de qual combinação vocês estão usando.

Entre as especializações, temos:

Demolitionist, a classe com a qual eu joguei boa parte dessas horas de primeiras impressões e que também se mostra muito versátil em jornadas nas quais você está completamente sozinho. Ela, assim como todas as classes, conta com três “habilidades” ativas, portanto, com tempo para recarregar e que podem, à medida que você melhora a “árvore de talentos” da classe, desbloquear ou melhorar outras passivas e ativas. O foco dessa classe é poder de fogo explosivo, lidando com multidões de inimigos e controlando áreas com seu disparador de mísseis.

Field Medic é a escolha que você também pode fazer se o seu empenho for na campanha e em enfrentar inimigos controlados pela máquina. Ele conta com habilidades de controle de campo e uma habilidade máxima que envolve um enxame de drones em formato de nuvem, aplicando dano corrosivo em todos os alvos em uma larga área e, portanto, te dando a chance de se reposicionar e ganhar momentos de vantagem que podem ser a diferença entre ganhar ou perder uma partida.

Bulwark é a classe construída para jogar em time e muito difícil de se controlar sozinha. Ela é construída em torno de você ser o tank da sua equipe, te garantindo mais proteção e dano massivo capaz de chamar a atenção de grandes grupos de inimigos.

Ela é muito bem recomendada para quem esteja jogando com mais de uma pessoa, mas extremamente difícil de se lidar quando jogando sem ninguém. É complicado pensar em conseguir manejar dano ao mesmo tempo em que causa, quando boa parte das suas habilidades são voltadas para se defender ou controlar áreas, ao invés de efetivamente espalhar dano.

Vanguard, o especialista em armas e que pode fazer toda a diferença quando bem combinado com outros jogadores. Você terá aqui, primariamente e sobre o seu controle, habilidades de análise de ambiente, detecção de inimigos e aumento progressivo e massivo do seu dano, a fim de que, se combinado com outro jogador usando Bulwark, por exemplo, vocês vão facilmente liberar áreas inteiras de inimigos sem muita dificuldade.

No que se compensa em dano, infelizmente também se recebe em dano. Vanguard também é uma classe que se destaca nos confrontos de PvP, principalmente pela sua capacidade de detectar outros inimigos com uma de suas habilidades ativas.

Tech Operator, a princípio é a única (por enquanto) a ser desbloqueada posteriormente na campanha e que não está disponível no seu início de jogo. Ela é a mais diferente dessas opções e te permite controle de drones de uma forma um pouco diferente de outras classes, aqui se focando em dar dano em alvos de alta prioridade à medida que a cadência de tiros é aumentada.

Definitivamente não é uma classe para iniciantes e o recomendado mesmo é masterizar outra classe e progredir bastante nas missões principais e secundárias antes de testar essa segunda. E te digo mais, que provavelmente vai ser algo beirando o insuportável travar essa batalha contra os grupos de New York, completamente sozinho e de Tech Operator.

Como deu pra ver, a Ubisoft caprichou em criar estilos de jogo completamente diferentes e que, quando combinados com a variedade de armas, equipamentos e dispositivos paralelos disponíveis para serem escolhidos e personalizados, acabam por criar uma sensação de certa personalidade e até individualidade para cada um dos jogadores. O que nós admitimos, sim, que vai continuar sofrendo com a ideia de um “meta”, ou seja, um grupo de habilidades combinadas e que te torna extremamente forte; mas, pelo que deu pra ver, a Ubisoft fez um trabalho muito bom em mitigar esse aspecto e dar a chance de que você possa vencer esse caos civil sem que necessariamente tenhamos de ser todos iguais.

Junte seus amigos e se desafiem a montar o melhor esquadrão que essa cidade já viu.

Customização, Mundo, Microtransações.

Sinto em decepcionar aqueles que esperem um pouco mais de liberdade para criar os seus personagens de forma a fugir do comum, porque infelizmente tudo o que a Ubisoft disponibiliza no primeiro momento de criação são padrões genéricos gerados de forma pensada e que, mesmo que você tente buscar combinações menos usuais, ainda assim vai te fazer se deparar com alguém que tenha o “mesmo rosto que o seu”, correndo também pelas cidades de Nova York. Felizmente, se é que dá pra comemorar, eu pelo menos não esbarrei com nenhum NPC que se parecesse comigo, o que talvez me leva a pensar que eles pelo menos tenham outro tipo de modelo base.

The Division

O mundo, como eu já cansei de elogiar, é incrível e absorve muito bem a estética que a franquia já tinha estabelecido para os seus fãs. É a mesma Nova York mas que ainda consegue ter um ar de novidade, mesmo tendo sido visitada até a exaustão em títulos anteriores.

Continua com o seu caos muito bem planejado e ondas de inimigos que me soaram muito melhor posicionadas do que eu esperava que o jogo fosse capaz de criar, dando uma sensação de que os pontos de conflito são muito mais localizados do que necessariamente jogados de qualquer jeito pelas ruas e sem muito sentido ou coordenação. Você realmente se vê tendo que pensar antes de entrar nos seus combates diretos.

Mas, indo para talvez o maior problema na sala, eu sinto que a Ubisoft aprendeu bem a manejar as ofertas de gastos para os jogadores dentro dos seus jogos, surpreendentemente até para um focado em multiplayer como esse.

Aqui, todas as vendas disponíveis na loja parecem se ater a cosméticos, inclusive passes de eventos separados que podem te garantir alguns impulsos de experiência, seja para o seu personagem ou para a classe que você tenha escolhido. E, por mais que eu tenha visto sim algumas armas espalhadas nessas microtransações, nenhuma delas me pareceu um salto gritante em relação e comparação ao que eu já estava conseguindo na minha campanha de forma gratuita, visto que durante essas quase dez horas, eu não me deparei com praticamente nenhum inimigo que me desse a sensação de que “não morriam” para o equipamento que eu tinha, sabe? Fui completamente capaz de manejar as situações, mesmo as mais difíceis, requerendo apenas um nível de atenção redobrada por estar sozinho.

Finalmente parecemos ter encontrado um bom jogo dentro desta forma de pagamento, sem que o jogador se sinta sempre um passo atrás em comparação àqueles que podem pagar.

Missões, Campanha e Introdução.

Não espere grande coisa da campanha, ela é muito mais uma apresentação de mecânicas do que necessariamente algo convincente para te situar ou mesmo fazer com que se importe com o que está acontecendo. Pelo contrário, o meu elogio no caos social que a Ubisoft consegue estabelecer para essa franquia, sempre se deve muito mais à forma como eles são extremamente competentes em criar uma ambientação sufocante, do que necessariamente pela história ou pelos personagens que dela surgem.

Nesse jogo, não será diferente, o que eu honestamente não imagino que qualquer um de vocês esteja esperando de um jogo cuja proposta é ser um massivo multiplayer. As mecânicas de RPG aqui também são bem aplicadas ao criar missões genéricas de “busque isso, traga aquilo” ou “elimine membros de x grupo”, que criam uma certa rotatividade de atividades para tentar não te enjoar, mas, no geral mesmo, o grande interesse é conhecer cada canto dessa cidade e, aos poucos, tentar revitalizar o que for possível para aqueles que estão presos e abandonados nas “muralhas” que cercam Nova York.

The Division

Não espere uma história muito complexa, mas te garanto que isso se vê compensado por uma gameplay que foi muito bem portada e adaptada para os computadores.

Parabéns à equipe responsável por essa mudança brusca de plataforma.

Problemas gerais do jogo.

Infelizmente, não importa o quanto você se dedique para migrar um jogo de uma plataforma para a outra, o suporte ainda vai ser necessário porque vários aspectos podem só não funcionar indo de um processador para o outro, e nós entendemos isso perfeitamente.

Sabemos que não é “culpa” de ninguém e que requer apenas alguns ajustes, os quais só são possíveis com o apoio e reportes da comunidade.

Infelizmente, sofri por duas vezes com a dificuldade de finalizar uma missão, visto que o ícone de interação nunca aparecia ou mesmo a área que eu deveria estar parecia não se tornava acessível.

Também tive problemas, pelo menos dessa vez foi somente uma vez que me ocorreu, do jogo simplesmente entender que eu já voltei a interagir com ele. O tempo de

descanso do computador foi o suficiente para fazer com que as mecânicas simplesmente não me respondessem com o solicitado e a minha câmera e a minha movimentação ficassem travadas em uma direção única, sendo necessário fechar e abrir o jogo.

Também tive problemas e talvez esse tenha sido o mais problemático por ter se estendido durante toda a gameplay; com a sincronia na voz de certos personagens e até mesmo a entonação e trabalho em cima do som em geral do jogo. Porque, enquanto tiroteios eram muito bem feitos, gritos, luta, confronto e cenas mais dramáticas, o nível para aquelas (cenas) que deveriam ser a introdução de missões ou entrega de certos componentes, caiu bruscamente, tendo momentos em que o áudio atrasava ou simplesmente não era entregue. Foi algo frustrante e que com certeza influencia no quanto você consegue aproveitar a história.

The Division

No mais, e como eu disse, não atribuo a culpa a ninguém, muito menos a desenvolvedores que fizeram um feito impressionante como esse port. Imagino agora que isso requer atenção e reportes da comunidade, os quais confio que serão atendidos.

Qual é o saldo final depois de todo esse tempo?

Por incrível que pareça, positivo.

Não vou esconder que esse não é o meu estilo de jogo e que eu tive muito pouco contato da minha vida com esse nicho de gameplay, mas The Division Resurgence realmente surpreendeu ao conseguir manter a experiência de ambientação da sua tão consagrada franquia, ao mesmo tempo que misturou com uma gameplay mais rápida e um ritmo mobile muito bem-vindo, agora também disponível nas plataformas do PC.

Melhorias são necessárias, como eu detalhei pra vocês, mas eles estão começando muito bem, o que torna essas primeiras impressões uma carta aberta para te convidar a jogar e tirar suas próprias conclusões.

Esperamos poder trazer mais conteúdos desse jogo para vocês, os quais fechamos com um muito obrigado à equipe da Ubisoft pela oportunidade de experimentar esse lançamento em uma plataforma mais comum para esse que te escreve. Obrigado por ler até aqui.

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