Receber um acesso antecipado é sempre uma mistura de ansiedade com dever profissional. Quando a oportunidade bateu à porta para testar A.A.U, confesso que a curiosidade foi lá no alto. Afinal, promessas de novos universos e propostas misteriosas estão inundando o mercado, mas poucas realmente entregam algo que nos faça querer passar horas e horas grudados na tela. Após longas sessões de jogabilidade, divido com vocês as minhas impressões reais de como o título está se comportando antes do lançamento oficial.
Entre Pessoas e Entidades: Um Enredo Instigante
Se tem uma coisa que A.A.U faz muito bem logo de cara é não entregar o jogo literalmente. A narrativa se recusa a pegar na mão do jogador. Em vez de despejar aquela exposição barata com diálogos explicativos e cansativos, somos jogados em um caldeirão onde a linha entre o real e o bizarro é extremamente tênue.
Durante a jornada, você se depara com um misto confuso e fascinante de oponentes: em um momento está enfrentando pessoas comuns, humanos com motivações hostis, e no minuto seguinte o cenário é tomado por entidades enigmáticas que parecem saídas de um pesadelo sobrenatural. Essa mistura cria uma atmosfera de tensão constante. Você joga não apenas para avançar de fase, mas porque precisa entender como essas duas realidades se conectam. É o tipo de mistério que te prende e deixa aquela pulga atrás da orelha. Nesse ponto, o enredo cumpre muito bem o papel de nos manter instigados.

No Talo do Ultra, Mas Falta Aquele “Refino Premium”
Como vocês sabem, por aqui a gente não brinca em serviço quando o assunto é hardware. Para rodar o teste, usei a minha máquina principal, equipada com uma GeForce RTX 5070 e um processador Ryzen 9 7900. Com esse poder de fogo, a primeira coisa que fiz foi colocar todas as configurações gráficas no talo: tudo no Ultra.
Graficamente falando, o jogo é bonito e honesto, mas confesso que esperava um pouco mais de impacto visual. Falta aquele refino “premium” que a nova geração costuma nos entregar. Sabe quando você aproxima a câmera de uma parede ou de um objeto do cenário esperando ver microdetalhes de textura, sombreamento dinâmico de ponta ou um polimento que salte aos olhos? Pois é, em A.A.U essas superfícies às vezes parecem um tanto lavadas, mesmo com o hardware empurrando tudo no máximo. O design artístico compensa e entrega uma atmosfera legal, mas se você estiver esperando uma revolução gráfica ou um novo patamar de fidelidade visual para a indústria, é bom alinhar as expectativas.

Performance Monstro e o “Pulo do Gato” Técnico
Se faltou um pouquinho de tempero no visual, a otimização de performance veio para dar aula. O jogo rodou extremamente leve. Na combinação da RTX 5070 com o Ryzen 9, o desempenho foi lá nas alturas, mantendo uma média folgada de 120 FPS para cima de forma consistente, mesmo nos momentos em que o combate ficava caótico e a tela se enchia de efeitos das entidades. A fluidez é absurda e a resposta dos comandos é imediata, o que torna o gameplay delicioso.
Contudo, nem tudo foi perfeito nessa build de acesso antecipado. Logo nas primeiras horas de teste, comecei a notar uns engasgos bem chatos aqueles famosos stutterings que quebram completamente o ritmo da ação e dão uma sensação de travamento horrorosa.
Investigando o menu, encontrei o culpado e deixo aqui o meu pitaco técnico de ouro: o problema estava na sincronização vertical. Foi só desativar o V-Sync nas opções de vídeo que o jogo mudou da água para o vinho. O gameplay ficou liso, perfeito e sem nenhuma perda de frames. Se você for jogar essa build ou enfrentar problemas parecidos no lançamento, ignore a sincronização vertical e deixe o hardware trabalhar livre.

O Veredito Técnico
A.A.U ainda tem um caminho de polimento pela frente até a sua versão final, principalmente se a equipe desenvolvedora quiser trazer um apelo visual mais robusto para acompanhar a jogabilidade. No entanto, a base entregue neste acesso antecipado é extremamente sólida.
O título consegue equilibrar uma performance espetacular e muito fluida com um universo misterioso que realmente dá vontade de explorar. Se os desenvolvedores corrigirem pequenos bugs de estabilidade e refinarem as texturas, teremos um excelente concorrente no mercado muito em breve. Por enquanto, vale muito a pena ficar de olho.
E você, o que achou dessa dinâmica de enfrentar humanos e entidades? Deixe o seu comentário e até o próximo Pitaco do Paganotti!
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

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