Jogos de terror que são focados em explorar corredores escuros em um looping quase sempre nos mostram experiências como P.T. ou Visage. T.W.I.R.L acaba bebendo exatamente dessa fonte para construir sua atmosfera tensa e também utiliza essa base para te entregar uma aventura muito mais íntima e emocional.
Confesso que, quando comecei, sem saber muita coisa sobre a história, achei que seria apenas mais um jogo onde você sai da cama no escuro, explora a casa e toma sustos de fantasmas até ser pego. Mas ele me mostrou que a experiência aqui é bem mais profunda do que parece.

O Pesadelo no Corredor
Aqui você assume o papel de uma criança no ano de 2006. Toda noite, por volta das 3h da manhã, você sai escondido do quarto e caminha pelos corredores da sua própria casa. O grande achado é que a progressão funciona em um looping noturno: a cada noite que passa, os cenários mudam, coisas novas aparecem e as suas interações com o ambiente também se alteram.
A casa tem um tom sinistro e é lotada de quadros, estátuas religiosas e um tabuleiro de xadrez enfeitando a sala aberta da família. Na transição de uma noite para a outra, você precisa acertar uma sequência de botões na escuridão para conseguir se guiar até o dia seguinte. É um ciclo simples, mas que funciona muito bem como base para o decorrer da história.
O Medo de Ser Quem Você É
No decorrer da história, o terror clichê dá um belo espaço para um horror psicológico bem mais maduro. Fica evidente que a família é muito católica, e tudo o que o protagonista está sentindo vai contra o que eles pregam. A narrativa aborda temas bastante sensíveis, como trauma infantil, medo e disforia de gênero.
Esse ponto bateu muito forte em mim. Os diálogos e as situações são bem tocantes e me fizeram lembrar da minha própria infância, daquela sensação de não saber como o seu círculo de convivência vai reagir à sua identidade enquanto você ainda está se descobrindo. A obra retrata perfeitamente essa agonia de tentar desvendar algo sobre si mesmo e, ao mesmo tempo, querer enterrar isso para fazer as pazes consigo mesmo.
Toda essa carga ganha vida com uma estética muito específica: um visual retrô misturado com desenhos feitos à mão e toques vibrantes de neon. O uso das pinturas e figuras religiosas para causar repressão no protagonista foi uma excelente sacada da direção de arte.

Onde a Experiência Acabou Tropeçando
Nem tudo é tão perfeito como parece. Achei os comandos um pouco confusos, principalmente na hora de abrir portas. Não é muito intuitivo e não fica claro onde você deve mirar para interagir com o cenário. Em alguns momentos, o texto da tela ficou em cima do botão que eu precisava apertar, o que acabou tornando a navegação complicada.
Outro detalhe é que senti falta de alguns sustos extras só pra deixar a atmosfera bem “sinistra”, e de uma história mais aprofundada, com outras situações. Por ser muito provocativo, ele acaba deixando para o jogador a missão de interpretar e criar o desfecho na própria cabeça.
Prós e Contras
Prós:
- História sensível, pessoal e muito corajosa (trata muito bem sobre disforia e medos da infância).
- Visual retrô maravilhoso com desenhos feitos à mão.
- A atmosfera de looping na casa com elementos religiosos é bem imersiva.
- A movimentação lenta do personagem é muito bem utilizada no jogo, causando uma certa angústia.
Contras:
- Controles pouco intuitivos (mirar para interagir e abrir portas é um pouco confuso).
- Alguns bugs visuais onde o texto cobre o botão de ação para o jogador.

Criadora de Conteúdo | Membro do @Patobah_
| PSN: SkysWalkeR97 | Steam: 915120981 | Contato: skyswalker.contato@gmail.com | twitch.tv/sk4iis