Boa Leitura!

Silent Hill: Townfall | PS5 Review

Recentemente nós estamos vivenciando um momento muito gratificante para o gênero de terror nos cinemas e essa onda acaba refletindo diretamente nos videogames. A Konami, vendo que isso estava dando certo, tomou uma decisão referente a franquia Silent Hill: fazer com que outros estúdios colocassem suas ideias dentro do que a franquia sempre propôs. 
Silent Hill
Obrigado, KONAMI e Annapurna Interactive

E é aqui que Annapurna Interactive (muito conhecida por publicar jogos como Stray, Outer Wilds e What Remains of Edith Finch) e a Screen Burn (que também é conhecida por experiências narrativas como Stories Untold e Observation) entram. Com toda essa bagagem, os dois estúdios conseguiram trazer as suas próprias ideias sem deixar de lado aquilo que sempre fez parte da identidade da franquia, trazendo sua essência e aplicando sua própria fórmula. 

O resultado acabou sendo um título que, mesmo sendo lançado no meio de tantos nomes grandes que chamaram muita atenção nesse mês de setembro, conseguiu entregar uma experiência muito marcante e que todo fã do gênero merece dar total atenção. 

A névoa de St. Amelia e o mistério envolvendo Simon 

Aqui a história se passa em 1996 e te coloca para controlar Simon Odell, ele acorda na misteriosa ilha de St. Amelia (uma ambientação inspirada nas ilhas escocesas) sem saber como ele foi parar ali e com um soro intravenoso no braço que está conectado com um líquido preto. As ruas estão tomadas por uma névoa densa que lembra muito um dos melhores livros de Stephen King, O Nevoeiro, criando aquele clima de isolamento ainda mais aterrorizante. 

Vagando pelo local, Simon acaba se deparando com um memorial na praça central coberto por vários cartazes escritos: “ESSA CIDADE É NOSSA”, “UM CRIME CONTRA NOSSA COMUNIDADE”, “NÓS QUEREMOS JUSTIÇA” e “NÓS QUEREMOS A VERDADE”. A partir disso, você recebe uma ligação através do telefone público. A chamada é desligada e você precisa fazer a ligação de volta e dali pra frente você precisa ir em busca de respostas, e o Richard é quem te promete isso. 

Silent Hill: Townfall | PS5 Review

E na questão do telefone, a mecânica que eles utilizaram para salvar o jogo é bem diferente, você precisa achar um telefone público ou um telefone dentro de alguma residência, discar o número 100 para conseguir salvar o seu progresso. 

Além do Richard, outra personagem vai cruzar seu caminho enquanto busca por respostas. Zoe tem uma presença marcante durante sua jornada, mas o jogo deixa um certo mistério sobre ela enquanto você vai progredindo.

A mudança para primeira pessoa e as novas mecânicas

Diferente do que foi com Silent Hill f (que foi o meu contato mais recente), Townfall acaba apostando na perspectiva em primeira pessoa, e é aqui que tudo fica ainda mais agoniante. Você passa por um sufoco e se torna ainda mais pessoal. Toda essa ambientação passa aquela visão mais perturbadora que você vê em Backrooms, a impressão que você tem é que está dentro de um experimento psicológico e que tem pessoas te observando a todo momento.

Aqui nós temos outro ponto-chave e também o seu maior aliado, que é a introdução do CRTV, um dispositivo estilo rádio/TV dos anos 90. É uma adição incrível e te ajuda na resolução de puzzles, mas o maior achado mesmo é por te ajudar a detectar onde estão as criaturas, em alguns momentos você pode saber que tem algo próximo quando a interferência aparece e te dá um breve sinal para analisar. 

Silent Hill: Townfall | PS5 Review

Claro, você não tem tudo de mãos beijadas, mas é uma ferramenta muito boa para você utilizar em momentos de stealth ou se vai querer realmente partir pro combate sem pensar duas vezes. E falando do stealth, aqui ele é um dos pontos altos do jogo. Mesmo que você queira resolver tudo batendo com canos de aço ou pedaços de madeira, o jogo te coloca em uma ideia de querer fazer tudo com mais calma, aproveitar um pouco do cenário para se esconder atrás de carros, placas e etc, mesmo que isso custe ter um desespero ainda maior para sair o quanto antes.

Puzzles criativos e o grande peso do simbolismo

Sabemos que Silent Hill sempre teve um grande destaque por usar monstros e cenários como símbolos de traumas reais, como uma infância abusiva, culpa, misoginia e negligência. E aqui, Townfall respeita essa tradição. A narrativa como sempre vai exigir que o jogador interprete, tenha muita atenção aos detalhes e tenha sensibilidade para entender o quão pesado é a carga que os protagonistas da franquia carregam consigo. 

E os puzzles se encaixam perfeitamente aqui. Da metade do jogo até o final, o nível aumenta muito, não é só olhar para o que você tem na sua frente e sair resolvendo, você vai precisar vasculhar todo o ambiente, ler os documentos e cruzar essas informações para finalmente conseguir fechar o raciocínio. Com isso, você precisa tomar certas decisões estratégicas durante os locais que você está vasculhando, vai valer a pena você se livrar dos monstros que estão ali pra conseguir resolver o puzzle com calma ou dá pra conseguir fazer isso em absoluto silêncio enquanto eles te esperam lá fora? 

Silent Hill: Townfall | PS5 Review

A ideia dos múltiplos finais e algumas falhas

Toda trilha sonora e os efeitos causados no ambiente fazem um bom trabalho, principalmente ao alternar o tom e te deixar ainda mais inseguro cada vez que você vai avançando pelo mapa. Por outro lado, o que acaba deixando a desejar é a variedade dos monstros aqui, eles vão te assustar assim que você os encontra, mas com o tempo vão perdendo esse fator surpresa e não entregam aquele medo genuíno que deveríamos sentir durante toda a ambientação que foi construída. Claro, vão ter momentos específicos que você realmente vai grudar na cadeira, mas vai ser por conta da imersão que você está preso e nem vai se lembrar que tem algo te esperando.

Silent Hill: Townfall | PS5 Review

Mas o jogo se recupera trazendo o clássico sistema dos múltiplos finais, focando em três desfechos principais, como Justice, Forever e Abandoned. O seu final vai ser definido de uma forma bem justa. Ele vai comparar a quantidade de documentos/pistas que você investigou contra o número de inimigos que você acabou matando, te entregando o final que você realmente merece. 

Silent Hill: Townfall | PS5 Review
Silent Hill: Townfall | PS5 Review
PATÔMETRO
Conclusão
Silent Hill: Townfall é um jogo que vai exigir que o jogador tenha paciência, que saiba interpretar muito bem e que tenha estômago para lidar com esse clima. A parceria que a Konami fez com a Annapurna e Screen Burn, conseguiu entregar um bom terror psicológico com uma qualidade absurda, com puzzles muito bons e uso de novas mecânicas que vão agregar ainda mais dentro da franquia. Se esquecer a questão da variedade dos inimigos e focar no que realmente o jogo te entrega, vai conseguir encontrar um título muito maduro, agoniante e que é bem gratificante para os amantes de terror.
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