Boa Leitura!

Schrodinger’s Call | PC Demo Review

Há momentos na vida em que coisas incomuns acontecem e eventos marcam ao ponto de posicionarem um Eu antes e depois do ocorrido. Pra mim, essa demo foi isso.

Agradecemos imensamente o trabalho dos desenvolvedores da Acrobatic Chirimenjako e dos acordos estabelecidos de publicação com a SHUEISHA GAMES,que possibilitaram não só a existência e viabilidade de Schrodinger’s Call, como também a oportunidade de testarmos essa demo, que você que está lendo também pode ir na sua Steam e baixar no dia da publicação desta review.
Schrodinger’s Call | PC Demo Review Call
Schrodinger’s Call

Atentamos que o conteúdo da demo está limitado apenas ao primeiro capítulo desse jogo e que, por isso, ainda tenho que esperar um pouco mais para revisitar esse universo.

QUEM NÓS SOMOS E ONDE ESTAMOS?

No limiar da vida, na borda transitória entre a vida e a morte.

Pela voz (ou miados, se preferir) do gato Hamlet, nossa protagonista chamada apenas de Mary, é revelada como “A última confidente do Mundo”. Aquela que, mediante e no instante da morte de todo um planeta, parece que, de alguma forma, foi escolhida para agora mediar a transição e passagem dos vivos para o reino dos mortos, enquanto, subitamente e sem memórias, também tem sob si o aviso de que ela, em algum

momento, fará essa transição e que a sua “vida prolongada” só vai durar até que ela

recupere suas próprias memórias.

Jogada nessa situação, Mary não tem outra escolha senão seguir os conselhos do único que conversa com ela, Hamlet, e…

Schrodinger’s Call

ATENDER AS LIGAÇÕES.

A primeira voz que ouvimos do outro lado, depois de algum tempo tentando sintonizar essa perturbação, é nitidamente a voz de uma mulher. Ela não demora para se apresentar como Lucy.

Lucy e Mary estabeleceram um laço previamente estruturado a partir de uma escolha que o jogo nos dá: nós fizemos de tudo para viver por nós mesmos ou fomos capazes de viver por uma outra pessoa?

Ao escolhermos a segunda situação, é só aí que conseguimos criar um laço com Lucy ao ponto de ela nos contar sua história.

A LUA CAIU.

Sim, o jogo não esconde isso por muito tempo.

Lucy confirma o que eram apenas lapsos das memórias de Mary, de que, no fatídico dia em que estamos ainda vivendo, a Lua simplesmente despencou sobre este mundo e erradicou completamente a vida em todo o planeta.

Sem mais nem menos, a raça que lutou pelo próprio conceito da vida foi varrida desta realidade sem nem que tivéssemos tempo de nos despedir.

E é exatamente nessa despedida que nós nos encontramos.

Mary e seu título, ao qual Hamlet tanto se refere, é literalmente, no fim das contas, isso. Ela e todas as almas às quais tem acesso, quando pode voluntariamente ela mesma discar os números e estabelecer pontes com os personagens, estão falando, na realidade, com pessoas que acabaram de morrer. Todo o planeta, subitamente sentenciado à morte, causou uma sobrecarga entre os planos que só pôde ser resolvida com a escolha de uma pessoa que ocupasse essa cadeira.

Mary, a Última Confidente de uma realidade que não vai mais conhecer o que é viver.

“LUCY ESTÁ CONDENADA A SER LIVRE”

Diria Sartre, ou pelo menos falou algo parecido em “O Existencialismo é um Humanismo”. Sob sua lente, muito provavelmente o estudioso se encantaria sobre como essa demo mesmo que entregue tão pouco do que provavelmente vai ser o produto final, ainda assim essencialmente deixa de ser um trabalho sobre a morte e se encontra quase que totalmente como um estudo sobre como somos livres para decidir, mesmo que uma das escolhas seja a nossa própria condenação.

Cada ligação que Mary está se dispondo a atender, é um confronto direto com o destino inevitável dos homens. A morte aqui, não é uma prisioneira mas também não é uma libertadora, ela se posiciona como um trajeto que nós precisamos fazer. Nosso papel não é consolar, como o próprio Hamlet cruelmente tenta nos avisar pelo menos uma dezena de vezes. Não, ele é o de um ouvinte com palavras que precisam ser escolhidas previamente para que evitemos o encontro direto com mecânicas de caos.

Schrodinger’s Call

MECÂNICAS NOVAS

Próximo ao fim da demo, no estopim da história repleta de reviravoltas que circulam Lucy, seu filho e seus últimos minutos de existência, bastou apenas um vacilo para que fôssemos levados a um “momento de crise”.

Momentos esses que o jogo transfigura visualmente para um relógio com início, meio e fim, no qual precisamos atravessar por três etapas e, usando as informações que coletamos ao longo de todo o capítulo, decidir corretamente o que vai acalmar a alma machucada ou ser responsável pela sua completa perda.

Hamlet não faz juízos de moral aqui, pelo contrário, ele está quieto e assistindo. Porque Mary, posta nesse papel, terá que lidar com isso muitas outras centenas, milhares, milhões a bilhões de vezes.

O mundo precisa dela, tanto quanto ela precisa deles para descobrir quem é.

Schrodinger’s Call
Schrodinger’s Call

“O INFERNO SÃO OS OUTROS”

Mas o paraíso também, e ele pode te encontrar quando alguém atender a sua ligação.

Schrodinger’s Call foi realmente uma surpresa, porque entrega tanto conteúdo em apenas uma DEMO, que eu sai dela até com dificuldades de digerir o que tinha acabado de experimentar. Fiz questão de contar para amigos, familiares, pessoas que dividem um gosto particular por esse hobby e mais ainda por esse nicho de jogos que, com mecânicas simples, compensam em um visual muito lindo, seguido por uma trilha sonora que te ambienta no ponto perfeito para desfrutar e mergulhar completamente em um enredo que não para de crescer.

Novamente agradecemos aos desenvolvedores e à publisher por tornarem possível o acesso a essa experiência, ainda que agora estejamos mais do que nunca ansiosos pelo produto final.

Muito obrigado. Jogos como esse fazem valer a pena estar vivo para aproveitar.

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