Boa Leitura!

RoadOut | PC Review

Desenvolvido por Rastrolabs Game Studio e distribuído por DANGEN Entertainment, RoadOut é mistura de exploração de dungeons com corridas em um mundo pós apocalíptico, algo que parecia estranho no papel, mas que acaba funcionando na prática e isso cria uma identidade muito própria. O jogo pega referências claras de títulos clássicos de ação arcade e mistura tudo com um clima de ficção científica cheio de gangues.
RoadOut
Agradecemos a DANGEN Entertainment pela licença de RoadOut

Logo nas primeiras horas já fica claro que a proposta não é ser um RPG extremamente complexo ou cinematográfico. RoadOut aposta em diversão direta, combate rápido e aquela sensação constante de estar sobrevivendo em um lugar onde absolutamente todo mundo quer explodir seu carro, e claro, você.

História

Na história, acompanhamos Claire, uma mercenária que vive realizando contratos na chamada Dead Zone, uma região devastada após um grande cataclismo dominado por uma inteligência artificial antiga. Entre entregas ilegais, sabotagens e confrontos contra gangues, Claire acaba descobrindo ligações misteriosas entre seu passado e a origem dessa A.I. que controla o mundo.

Não espere uma narrativa extremamente profunda ou cheia de reviravoltas absurdas. O foco principal do jogo claramente está na gameplay, mas a campanha consegue manter o interesse justamente porque o universo é curioso.

Existe um charme enorme em explorar o mapa e suas as ruínas, postos abandonados e esconderijos de facções enquanto pequenas pistas vão aparecendo.

As facções/gangues ajudam bastante a deixar o mundo mais vivo. Cada grupo tem seu próprio estilo visual, comportamento e objetivos, então mesmo as missões mais simples acabam ganhando personalidade.

Sem muito o que alongar aqui. Simples, mas funciona.

Gameplay

A estrutura de RoadOut funciona quase como dois jogos diferentes se misturando ao mesmo tempo. Em um momento estou atravessando desertos em alta velocidade desviando de tiros e destruindo veículos rivais. No outro estou dentro de uma dungeon enfrentando robôs, resolvendo pequenos puzzles e explorando corredores cheios de armadilhas. E o mais impressionante é que essa troca funciona muito bem.

A direção dos veículos tem uma pegada extremamente arcade, onde o carro desliza bastante nas curvas, as colisões são exageradas e a câmera vista de cima lembra muitos os jogos de décadas atrás.

As corridas também são muito boas justamente porque o jogo entende que adrenalina vem antes de simulação. Não importa se você vence por habilidade ou porque decidiu simplesmente jogar um rival contra uma parede enquanto tudo pega fogo ao redor. Vale tudo.

Mas o combate a pé acabou me surpreendendo ainda mais. A movimentação da Claire é rápida, o dash responde muito bem e os confrontos têm aquele estilo twin-stick shooter misturado com hack and slash. Você passa boa parte do tempo desviando de ataques, entrando em salas lotadas de inimigos e tentando administrar espaço enquanto tiros, explosões e golpes acontecem ao mesmo tempo.

RoadOut

As dungeons conseguem variar bastante graças aos puzzles simples e ao design rotacionável de algumas áreas. Não é nada extremamente difícil, mas ajuda o jogo a não cair na repetição tão rápido. Sempre existe algo diferente aparecendo, seja um novo tipo de inimigo, uma armadilha inesperada ou uma perseguição absurda saindo do controle de forma muito rápida.

Outra coisa que gostei bastante foi o ritmo de RoadOut, quase nunca você fica parado. O jogo entende que diversão vem do movimento constante. Quando você termina uma dungeon, logo já aparece uma nova corrida, uma missão paralela ou uma perseguição.

O sistema de customização também é simples, mas funciona. Melhorar o carro e modificar equipamentos dá gosto na progressão, isso sem transformar tudo em menus gigantescos e estatísticas cansativas.

Claro que existem alguns problemas.

A câmera em certos momentos pode atrapalhar durante áreas mais apertadas e alguns combates acabam ficando confusos quando muitos inimigos aparecem ao mesmo tempo. Também senti que certas missões secundárias reutilizam objetivos demais. Depois de várias horas, algumas atividades começam a parecer repetidas.

Direção de arte geral

O pixel art misturado com efeitos modernos cria um visual muito bonito durante os combates e corridas. Em RoadOut, existe uma pegada fortemente inspirada em synthwave e ficção científica, muita coisa retrô, cheia de neon e várias inspirações em filmes.

RoadOut

As gangues possuem identidades bem marcantes e os veículos têm designs exagerados que combinam perfeitamente com o clima do jogo. Tudo parece sujo, perigoso e improvisado, exatamente como um mundo pós apocalíptico deveria ser.

A trilha sonora ajuda demais na ambientação. Durante as perseguições, o jogo ganha uma energia absurda graças às músicas mais agitadas, enquanto as áreas de exploração trazem um clima um tanto melancólico.

Talvez o jogo não tenha o maior orçamento do mundo, mas compensou isso com direção artística. RoadOut claramente sabe qual identidade quer transmitir e faz isso sem medo e sem erros.

Mais reviews: AQUI

PATÔMETRO
Conclusão
A mistura de corrida com dungeon crawler parecia algo estranho inicialmente, mas acabou funcionando melhor do que eu imaginava. O combate é rápido, a exploração diverte e o mundo consegue prender a atenção mesmo sem ter uma narrativa extremamente elaborada. Ele tem alguns problemas de repetição e certos momentos mais bagunçados no combate, mas honestamente? Eu me diverti muito mais do que esperava. É um jogo que abraça sua ideia e transforma isso na sua maior qualidade. Para quem gosta de ação, exploração e jogos pós apocalípticos com personalidade própria, RoadOut vale bastante a pena.
Notas do Visitante1 Vote
10
8.5
NOTA FINAL

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