Você também tem a sensação de que a Activision, em algum momento, desaprendeu a fazer Call of Duty?
Não parece que algo se perdeu no caminho?

Quando a essência ficou em segundo plano
Talvez as novas tendências do mercado — jogos como serviço, microtransações, a necessidade constante de “inovar” — tenham empurrado a franquia para um lugar onde a essência acabou ficando em segundo plano.
Eu tenho sentido isso com mais força nos últimos anos. Principalmente na série Black Ops. Os jogos mais recentes passam uma sensação estranha de repetição: campanhas pouco marcantes, multiplayer sem grandes novidades e essa tentativa de misturar zumbis com a campanha principal… que, pra mim, simplesmente não funciona.

Voltar pra Black Ops foi um acerto
Foi com esse incômodo que decidi revisitar um clássico: Call of Duty: Black Ops.
E olha… difícil ter tomado uma decisão melhor.
Voltar pra Black Ops é quase como acessar uma versão da Activision que sabia exatamente o que estava fazendo com Call of Duty. O jogo tem um ritmo acelerado, quase frenético. Ele não te dá tempo pra respirar — e isso é ótimo. Nada parece arrastado. As cutscenes entram e saem rápido, e você já está de volta à ação antes mesmo de pensar em largar o controle.

Quando o simples funciona melhor
A campanha é, até hoje, um dos pontos altos da franquia. Cinematográfica, cheia de conspirações, reviravoltas e aquele clima de tensão constante. É o tipo de narrativa que conversa diretamente com quem gosta de filmes e séries desse estilo — e comigo funciona demais. Ainda mais com a presença de figuras históricas como Fidel Castro e John F. Kennedy, que ajudam a dar esse tempero quase “real” à experiência.
Na gameplay, o jogo é direto ao ponto. Sem robôs, sem exageros futuristas, sem tentar reinventar demais. Aqui você é um soldado enfrentando outros soldados. Simples assim. E funciona.

Aliás, impressiona como jogar Black Ops em 2026 ainda é gostoso. A movimentação é responsiva, as armas têm peso, a mira funciona bem. Existe uma fluidez que muitos jogos atuais, mesmo com mais tecnologia, não conseguem alcançar. É aquele tipo de gameplay que te puxa pra dentro do jogo sem esforço.
Visualmente, claro, dá pra notar o tempo. Mas isso não diminui a experiência. Pelo contrário: o jogo continua totalmente jogável e, em alguns momentos, entrega uma consistência visual que falta em títulos mais recentes, que apostam mais em volume do que em direção.
Talvez não seja sobre reinventar tudo
Revisitar Black Ops me fez perceber uma coisa: já fomos muito felizes esperando um novo Call of Duty.
Era aquele lançamento anual que realmente parecia um evento. Um jogo que mostrava o tamanho da indústria — seja pelos gráficos, pela narrativa ou pela capacidade de te colocar dentro de momentos históricos que, muitas vezes, a gente só conhecia dos livros.
Passada a nostalgia, fica a torcida.
Torcida para que a Activision e seus estúdios consigam reencontrar esse caminho. Talvez não seja sobre reinventar tanto. Talvez seja só sobre lembrar o que fazia tudo funcionar.
Call of Duty: Black Ops foi lançado em 2010, desenvolvido pela Treyarch e publicado pela Activision. Se você nunca jogou e curte FPS, fica aqui a recomendação: vale muito a pena.

escrevo sobre games como forma de arte. Artigos especiais sobre narrativa, indústria e tudo aquilo que os videogames dizem — mesmo quando não parecem estar dizendo nada.

