Após um primeiro volume extremamente focado em apresentar os conceitos políticos, espirituais e ideológicos desse novo Universo Ultimate, Ultimate Pantera Negra Vol. 2 finalmente começa a transformar toda essa construção em conflito direto. A guerra contra Khonshu e Rá cresce em escala, Wakanda passa a lidar com consequências cada vez mais pesadas e T’Challa começa a perceber que governar um reino em tempos de crise exige muito mais do que apenas força ou tradição.
Review Ultimate Pantera Negra Vol. 2
Bryan Hill continua utilizando o personagem para discutir liderança, isolamento e responsabilidade política, mas agora com uma narrativa muito mais dinâmica e constantemente tensionada pela sensação de que Wakanda está cada vez mais próxima de um conflito sem volta.
Ficha Técnica
Panini entrega novamente um ótimo trabalho editorial com Ultimate Pantera Negra Vol. 2. A edição possui papel couchê em 136 páginas, capa cartão e lombada quadrada, reunindo as edições Ultimate Black Panther 7-12.
Mesmo sendo uma publicação mais simples dentro da linha Ultimate, o acabamento chama atenção pelo uso de verniz localizado na capa, algo que valoriza bastante a arte e deixa o encadernado visualmente muito bonito em mãos.
Nos roteiros, Bryan Hill continua expandindo esse novo cenário político e espiritual do personagem, enquanto Stefano Caselli e Carlos Nieto dividem a arte da revista mantendo uma identidade visual extremamente consistente ao longo de toda a leitura.
História / Premissa
Se o primeiro volume trabalhava muito mais a construção desse novo universo e os impactos iniciais da guerra, aqui a narrativa finalmente mergulha de cabeça nas consequências desse conflito.
Khonshu e Rá continuam expandindo sua influência sobre o continente africano através de fé, manipulação e promessas de salvação. Isso faz com que a HQ vá muito além de uma simples história de super-herói, funcionando também como um debate sobre dominação cultural, liderança e responsabilidade política.
Ao mesmo tempo, T’Challa continua preso entre tradição e mudança. Wakanda ainda carrega seu isolamento histórico, mas o crescimento do domínio dos deuses egípcios deixa cada vez mais claro que permanecer neutro talvez já não seja mais uma possibilidade.
A relação entre T’Challa, Ororo e Killmonger continua sendo um dos pontos mais interessantes da narrativa. Existe uma tensão constante entre os personagens, principalmente porque cada um deles parece enxergar caminhos diferentes para o futuro de Wakanda e da própria África.
Diferente do primeiro volume, que era muito mais focado em apresentação de conceitos, esse segundo encadernado consegue equilibrar muito melhor desenvolvimento político, construção de mundo e ação, fazendo a história avançar de maneira mais natural e envolvente.
Arte
Visualmente, Ultimate Pantera Negra continua sendo uma HQ extremamente bonita. Stefano Caselli e Carlos Nieto conseguem manter uma direção artística muito consistente, algo importante para uma revista tão focada em construção de atmosfera e imponência visual.
Wakanda continua sendo retratada de forma grandiosa, misturando tecnologia futurista, elementos culturais e espiritualidade de uma maneira bastante orgânica. Existe uma preocupação constante em fazer esse universo parecer vivo, sofisticado e ao mesmo tempo carregado de tradição.








As cenas de ação possuem muito mais impacto aqui do que no primeiro volume. Os artistas trabalham muito bem enquadramentos amplos, movimentação corporal e escala dos confrontos, fazendo a ação ser muito bem representada.
Ainda assim, talvez os melhores momentos da arte estejam justamente nas cenas mais silenciosas. Expressões faciais, olhares e pequenos detalhes ajudam bastante a transmitir o peso emocional carregado pelos personagens ao longo da trama.
Narrativa e Ritmo
Uma das maiores evoluções desse segundo volume está justamente no ritmo. Enquanto a primeira edição possuía uma narrativa mais lenta e focada em estabelecer conceitos, Ultimate Pantera Negra Vol. 2 consegue entregar uma progressão muito mais constante sem abandonar o lado político e filosófico da série.
Bryan Hill continua apostando em diálogos estratégicos e discussões ideológicas, mas agora tudo parece caminhar com mais urgência. Existe uma sensação permanente de tensão, como se Wakanda estivesse constantemente prestes a perder o controle da situação.
A HQ também consegue trabalhar muito bem escala e consequência. Cada decisão tomada por T’Challa parece impactar diretamente o futuro do reino, algo que fortalece bastante o peso dramático da narrativa.
Mesmo sendo uma revista mais densa em alguns momentos, a leitura flui melhor justamente porque agora os personagens, os conflitos e o universo já foram apresentados anteriormente.
Vale a pena?
Sim. Ultimate Pantera Negra Vol. 2 funciona exatamente como uma continuação deveria funcionar: expandindo os conceitos apresentados anteriormente enquanto melhora vários dos pontos do primeiro encadernado.
A HQ continua apostando fortemente em política, espiritualidade e guerra ideológica, mas agora com uma narrativa mais intensa, mais dinâmica e emocionalmente mais envolvente. Bryan Hill demonstra entender muito bem o potencial desse novo Universo Ultimate, utilizando T’Challa não apenas como um herói tradicional, mas como um líder pressionado constantemente por tradição, responsabilidade e guerra.
Visualmente, a combinação entre Stefano Caselli e Carlos Nieto entrega uma revista extremamente bonita e consistente, enquanto editorialmente a Panini mantém o bom padrão que vem apresentando na linha Ultimate.
Para quem gostou do primeiro volume, essa continuação consegue elevar bastante o nível da série e mostra que Ultimate Pantera Negra talvez seja uma das revistas mais politicamente interessantes desse novo universo da Marvel.
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