“Um retorno ousado, mas controverso, para Nosgoth”.
REVIEW | Legacy of Kain: Ascendance
Legacy of Kain: Ascendance tenta revisitar um dos universos mais queridos dos games através de uma experiência menor, mais experimental e claramente focada em narrativa. Desenvolvido pela pequena Bit Bot Media, o jogo abandona estruturas mais ambiciosas dos títulos anteriores para entregar uma aventura de progressão lateral simples, curta e bastante centrada em sua nova protagonista.
Embora traga de volta personagens icônicos como Kain e Raziel, o grande foco está em Elaleth, figura inédita no cânone principal até pouco tempo atrás. Essa decisão narrativa acabou gerando discussões entre fãs antigos, especialmente por conta da ligação direta da personagem com os eventos clássicos da franquia.
História/Premissa
A trama funciona como uma espécie de expansão paralela da história de Raziel, mostrando momentos de sua vida humana antes da transformação em vampiro e, posteriormente, em espectro. Porém, ao invés de acompanhar tudo exclusivamente pelos olhos do personagem clássico, o jogo coloca Elaleth no centro da narrativa.
Apresentada anteriormente nos quadrinhos The Dead Shall Rise, ela é retratada como irmã mais nova de Raziel. Sua jornada nasce de uma tragédia pessoal envolvendo Mathias, homem por quem era apaixonada. Durante uma invasão liderada por Kain, Mathias acaba contaminado pelo vampirismo, levando Elaleth a tentar salvá-lo através de um ritual desesperado utilizando o próprio sangue.


A situação sai do controle quando Raziel, sem compreender totalmente o que estava acontecendo, mata Mathias e mutila a própria irmã na tentativa de impedir sua transformação. A partir daí, Elaleth passa a viver consumida pelo desejo de vingança.
O enredo ainda adiciona elementos sobrenaturais envolvendo um corvo demoníaco, viagens temporais e um amuleto responsável por preservar memórias importantes ligadas ao futuro de Raziel. Apesar de algumas conexões interessantes com os jogos clássicos, a narrativa frequentemente parece mais um spin-off independente do que uma continuação direta do legado principal da franquia.
Gameplay/Jogabilidade
Quem observar trailers ou imagens de Ascendance pode imaginar algo próximo dos antigos Castlevania em 2D, e é quase isso. O jogo aposta em uma estrutura extremamente linear, com pouca exploração semelhante aos classicvanias porém tem combate bastante simplificado.






Os personagens jogáveis possuem habilidades específicas, mas as diferenças práticas entre eles são pequenas. Kain pode atravessar determinados obstáculos usando sua forma de névoa, enquanto Elaleth e Raziel utilizam asas para alcançar áreas específicas. Fora isso, quase toda a experiência segue padrões muito parecidos.
O combate rapidamente revela o principal problema do jogo: repetição. A variedade de golpes é limitada, os inimigos oferecem poucos desafios distintos e a mecânica mais avançada disponível é o sistema de aparo. Como resultado, as batalhas acabam ficando cansativas antes mesmo da campanha chegar à metade.
Felizmente, a curta duração evita que a experiência se torne excessivamente desgastante. A campanha principal pode ser concluída em aproximadamente quatro horas, embora a ausência de modos extras reduza bastante o fator replay.
Outro detalhe negativo é a falta de praticidade na revisitação de capítulos. Jogadores que desejarem buscar colecionáveis esquecidos precisarão lidar com animações obrigatórias e menus pouco funcionais.
Direção de Arte/Técnica
O visual retrô é uma escolha bastante evidente desde os primeiros minutos. A pixel art remete diretamente à estética dos consoles 8-bits, enquanto os modelos tridimensionais utilizados em algumas cenas lembram produções do Nintendo DS devido à baixa quantidade de polígonos.

Durante os diálogos, o jogo utiliza artes em alta definição que ajudam bastante na ambientação e valorizam os personagens. Já as animações finais seguem um estilo cartunesco tradicional muito mais interessante visualmente, embora infelizmente apareçam pouco.



Na parte sonora, Ascendance mantém um dos pontos fortes históricos da franquia: a dublagem. As atuações continuam extremamente competentes e ajudam a sustentar o peso dramático da narrativa. Porém, diferente de Defiance Remastered, o jogo não recebeu dublagem em português brasileiro. Pelo menos as legendas e menus estão totalmente traduzidos, mesmo apresentando pequenos erros pontuais.
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