Review Invencível Vol 2
Depois de um primeiro volume que funcionava quase como uma falsa sensação de segurança, mostrando um universo de super-heróis relativamente tradicional, Invencível Vol. 2 já começa a demonstrar de maneira muito mais clara qual é a verdadeira proposta de Robert Kirkman para a série. A HQ abandona parte daquela leveza inicial para começar a transformar o mundo de Mark Grayson em algo progressivamente mais tenso, imprevisível e emocionalmente pesado.
Aqui, Kirkman continua trabalhando elementos clássicos de histórias de heróis, mas agora existe um amadurecimento perceptível na narrativa. Os conflitos aumentam, os impactos das decisões começam a ganhar peso real e a sensação de que existe algo muito errado acontecendo nos bastidores cresce a cada edição.
E mesmo que o volume ainda preserve momentos de humor, convivência familiar e desenvolvimento adolescente, é justamente essa naturalidade que torna determinados acontecimentos tão impactantes. Existe um plot twist específico presente nesse encadernado que simplesmente redefine completamente a percepção do leitor sobre a obra, sendo um daqueles momentos que ajudam a explicar por que Invencível se tornou um dos quadrinhos mais elogiados das últimas décadas.
Ficha Técnica
Publicado pela Panini, Invencível Vol. 2 possui 128 páginas em papel couchê, capa cartão e lombada quadrada, reunindo as edições Invincible #5-8.
Mesmo sendo uma edição relativamente simples, o trabalho editorial da Panini merece bastante destaque. O acabamento consegue ser muito bonito visualmente, principalmente graças ao verniz localizado presente na capa, que ajuda a valorizar bastante o material. Além disso, o encadernado traz vários extras interessantes, incluindo informações adicionais, esboços e conteúdos complementares que ajudam a enriquecer ainda mais a experiência da leitura.
Outro detalhe extremamente interessante é a introdução escrita por Erik Larsen, onde ele comenta sobre como conheceu Kirkman e também explica a mudança de desenhista da série. Larsen detalha como a necessidade de manter a periodicidade mensal da revista acabou levando a substituição de Cory Walker por Ryan Ottley, decisão que posteriormente se tornaria uma das escolhas mais importantes para a identidade visual da obra.
História / Premissa
Após os acontecimentos do primeiro volume, Mark Grayson continua tentando equilibrar sua vida pessoal com suas responsabilidades como Invencível. Porém, enquanto o protagonista tenta lidar com escola, relacionamentos e heroísmo, o mundo ao seu redor começa lentamente a revelar camadas muito mais perigosas e complexas do que aparentava inicialmente.
Kirkman expande bastante o universo da série nessas edições. Novos personagens surgem, ameaças começam a ganhar mais escala e o senso de consequência passa a ficar muito mais evidente. A grande força da narrativa continua sendo justamente a forma como tudo parece extremamente natural. Os diálogos possuem fluidez, os personagens soam humanos e as relações interpessoais funcionam de maneira muito convincente.
Ao mesmo tempo, existe uma tensão crescente durante toda a leitura. Mesmo nos momentos mais tranquilos, a HQ constantemente transmite a sensação de que algo maior está se aproximando. E quando determinadas revelações finalmente acontecem, o impacto é absurdamente eficiente justamente porque Kirkman teve paciência para construir tudo aos poucos.
É nesse volume que Invencível começa a abandonar definitivamente qualquer impressão de ser apenas “mais um quadrinho de super-herói adolescente”.
Arte
A entrada de Ryan Ottley já mostra imediatamente o quanto a identidade visual da série iria evoluir a partir daqui. E mesmo ainda estando no começo de sua trajetória em Invencível, o artista já entrega um trabalho visualmente mais refinado que o de Cory Walker.
Os personagens possuem mais definição, os cenários ganham maior nível de detalhe. Existe uma complexidade maior nos traços, principalmente nas expressões faciais e na construção corporal dos personagens, algo que ajuda bastante a elevar o peso dramático da narrativa.







Ottley também consegue começar a alterar sutilmente o tom visual da obra. Enquanto o primeiro volume ainda carregava uma aparência mais próxima de um quadrinho clássico e juvenil, aqui já existe uma sensação maior de tensão visual. É impressionante perceber como essa mudança artística acontece de forma tão natural, quase acompanhando a própria evolução da história.
Narrativa e Ritmo
O ritmo continua extremamente fluido, mas agora com uma construção muito mais intensa e estratégica. Kirkman entende perfeitamente o momento de desacelerar para desenvolver personagens e também sabe exatamente quando acelerar a narrativa para entregar impacto emocional.
O grande mérito dessas edições está justamente na construção de expectativa. A HQ trabalha constantemente pequenas pistas, desconfortos e situações aparentemente simples que gradualmente vão criando uma tensão quase inevitável. Quando a narrativa finalmente explode em determinados momentos, o leitor percebe que tudo estava sendo cuidadosamente preparado desde o começo.
E talvez o mais impressionante seja justamente como Invencível consegue transformar um conceito inicialmente familiar em algo tão único sem precisar abandonar completamente suas raízes de quadrinho de super-herói. A obra continua divertida, carismática e acessível, mas agora carregando um peso dramático muito maior.
Esse segundo volume é basicamente o ponto onde a série começa a mostrar por que tantas pessoas consideram Invencível uma das melhores HQs de super-heróis modernas.
Vale a pena?
Sim. Invencível Vol. 2 consegue elevar praticamente tudo aquilo que o primeiro encadernado apresentou de positivo. A narrativa fica mais madura, os personagens ganham mais profundidade, o universo começa a se expandir de maneira extremamente interessante e a arte de Ryan Ottley já demonstra um salto de qualidade muito perceptível.
Além disso, o volume possui um dos momentos mais impactantes de toda a construção inicial da série, funcionando como uma virada extremamente importante para o futuro da obra.
Somado ao ótimo trabalho editorial da Panini, com uma edição bonita, vários extras interessantes e excelente acabamento, o resultado é facilmente uma das melhores portas de entrada para quem procura um quadrinho de super-herói moderno, violento e emocionalmente envolvente.
Invencível deixa de ser apenas promissor aqui. A partir desse ponto, ele começa oficialmente a se tornar inesquecível.
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