A primeira temporada de Cangaço Novo foi um grande acerto, e a chegada da segunda temporada marca uma expansão ainda mais ambiciosa desse universo. A série nos leva de volta para Cratará, mas agora o cenário de assaltos a banco divide espaço com uma política local destrutiva e violenta. A obra continua sendo uma excelente oportunidade de ver um roteiro visceral que mostra o poder das produções brasileiras.
REVIEW | Cangaço Novo 2ª Temporada
HISTÓRIA/PREMISSA
A narrativa desta segunda temporada foca na corrupção desenfreada que assola Cratará. De um lado, temos a família Leite, que conta com o financiamento e a força da família Vaqueiro. Do outro, os Maleiros, a família que já domina a política da região há mais de 40 anos e não pretende largar o poder. O roteiro não tenta romantizar nenhum dos lados e mostra que não existe lado certo na história. A trama mostra como as instituições da cidade estão completamente corrompidas, servindo apenas aos interesses de quem tem mais dinheiro e influência. A história cumpre perfeitamente o papel de entregar um cenário político tenso e muito bem amarrado.
A naturalidade dos diálogos continua sendo um dos pontos mais fortes da série. As interações, principalmente entre os membros do bando de Ubaldo, são extremamente fluidas, distanciando-se de falas engessadas e transmitindo a sensação de que estamos apenas observando pessoas reais vivendo e lidando com os problemas.





Além disso, a dinâmica entre os irmãos Ubaldo, Dinorah e Dilvânia ganha novas camadas de profundidade nesta temporada. As atuações do trio são excelentes e conseguem transmitir perfeitamente a complexidade de uma família fraturada pela violência e por traumas do passado, mas que, apesar de todos os problemas, ainda carrega um vínculo de amor e lealdade.
A qualidade da atuação também se estende aos personagens secundários, como Jeremias, Zeza e Tirolesa. Um ponto fundamental da produção foi a escolha de atores verdadeiramente nordestinos para compor o elenco. Isso evita os sotaques forçados e as caricaturas comuns em outras produções, garantindo uma naturalidade nas falas e nos trejeitos. Essa decisão contribui diretamente para a imersão do espectador e mantém a fidelidade da obra com a realidade e a cultura da região onde a história se passa.
O BANDO E A CRÍTICA
O grande destaque dessa temporada é o papel de Ubaldo e seu bando dentro desse jogo político. A série constrói uma crítica muito forte sobre a marginalidade, evidenciando que, dentro daquele contexto de abandono, os criminosos também são vítimas de um sistema punitivo que não oferece alternativas de sobrevivência.
O enredo mostra que quem realmente resolve os problemas da população, muitas vezes, é o próprio crime. Quem toma a frente para resolver a situação e garantir que a cidade não sofra com a seca são os Vaqueiros. Essa dinâmica faz o espectador questionar constantemente quem são, entre políticos, autoridades, bandidos ou moradores, os verdadeiros vilões daquela sociedade.
CULTURA, RELIGIÃO E DIREÇÃO DE ARTE
No meio de todo o caos e destruição, a religiosidade se faz muito presente. A série explora a fé como um pilar de resistência em uma terra onde o Estado falha diariamente em conceder o básico aos necessitados.
Visualmente, a direção de arte e a fotografia continuam espetaculares. Vivendo aqui na Paraíba, é muito gratificante ver o nosso sertão retratado de forma tão autêntica, passando longe das velhas caricaturas e vícios.
TRILHA SONORA
No que diz respeito a trilha sonora, a série mantém o seu nível de excelência. A trilha sonora pontua os momentos de tensão de forma certeira. A inclusão de Zé Ramalho e de outros artistas que carregam a força da música regional traz um peso para a ambientação. As músicas funcionam muito bem com o ritmo da obra e refletem a essência do universo de Cratará, sem nunca deixar a experiência cansativa.
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REVIEW | Cangaço Novo 2ª Temporada

Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.

