Apex de 2026, novo filme do diretor Baltasar Kormákur, é a aposta da Netflix para o mês de maio, visando abocanhar aquela parcela do público que gosta de caçadas frenéticas, perseguidores insistentes e protagonistas que vão até o final para retomar o controle de suas vidas.
REVIEW | APEX
Mas será que o filme consegue alcançar tudo isso? Bom, primeiro vamos ao…
ELENCO
A parte alta da estrutura desse filme, definitivamente.
Você tem, interpretando o papel da personagem principal Sasha, ninguém menos do que Charlize Theron, consagrada atriz por filmes recentes como Mad Max: Estrada da Fúria ou que, quem sabe, te venha à mente por Advogado do Diabo, de 97.
Ela vai poder contar, por algum tempo, com Eric Bana, como Tommy, quem dará muito do passo moral e da determinação que veremos Sasha sustentar ao longo deste terrível episódio.
Nosso perseguidor, no entanto, e para minha surpresa, é interpretado pelo Taron Egerton, que no papel de Ben, incorpora um estranho e espontâneo morador das montanhas que, pouco a pouco, vai se revelar muito mais do que, desajeitadamente, ele parece não ter paciência nenhuma para esconder.
Todo o resto do elenco de apoio, infelizmente, acaba não tendo sequer tempo para marcar presença na trama. A montanha e as correntezas destes rios se tornam palco apenas para duas pessoas.
E É UMA PENA QUE NÃO FUNCIONE…
Pois é, direto à cereja do bolo.
Apex parece, de cara, um filme muito ambicioso, e isso já fica claro na sua escalação, com uma atriz de tanto nome e com um repertório que você pode discutir com pelo menos duas ou três pessoas sobre talvez uma dezena de filmes aos quais elas se lembrem pelas atuações memoráveis da Charlize. Mas aqui, nem um pouco disso é aproveitado. Ela parece ofuscada, de forma que, por mais que o enredo tente encobrir isso e justificar como um extenso processo de luto pela perda de alguém importante, ainda assim não é o suficiente e nem mesmo abre margem para que tenhamos algum desenvolvimento.
Você vai ver Sasha, do início ao fim, como quase que uma mesma mulher. Não há nenhum ponto de virada grande o suficiente nas suas atitudes para chegarem aos pés do sofrimento que ela vem vivendo, algo que eu atribuo diretamente à culpa do próprio roteiro.




O mesmo roteiro que não só falha com ela, como também falha com o Taron Egerton, ator esse que faz uma entrega surreal de impressionante no papel do perseguidor. Há
mérito em alguns poucos momentos dessa história, como, por exemplo, quando você vê o curto e já desgastado bizarro relacionamento da Sasha com o Ben simplesmente queimar junto com a fogueira gelada do acampamento dele, enquanto Ben não parece se importar nem um pouco em esconder, por tempo suficiente, quem ele realmente é.
O Egerton encarna, de tal forma, a insanidade que você consegue ver como há um tédio e uma excitação pela caçada escondidos e escorrendo quase que para fora da pele dele, através do seu suor. Ele quer logo virar a mesa, começar o seu próprio e doentio ritual, o qual o filme faz questão de iniciar o mais rápido possível, cortando fora qualquer enrolação típica do subgênero de ação com perseguição.
E por isso, é uma pena gigantesca que, dali para frente, parece que a história só não sabe como seguir. Não há um traquejo ou aproveitamento suficiente para dar palco e oportunidade à Charlize Theron de externar tanto do seu talento que ela acumulou com anos na indústria, restando então para o seu papel, ser subjulgada pela falta de tempo: para simplesmente sentir. Há até uma tentativa de usar o ritmo acelerado para justificar isso, mas, no fim, o resultado é só um corre-corre que não chega a desenvolvimento nenhum.
O papel do Egerton como Ben, que eu tenho tanto elogiado, também trás um sentimento de decepção, não por culpa dele (ator), mas sim por como não aproveitam a sua entrega, sofrendo o mesmo que a Charlize. Ele não tem tempo e nem é bem conduzido de forma que possa apresentar mais da transformação pela qual o Ben está passando.
Me lembra até um pouco a premissa de Fragmentado, onde você tem essa transposição e cruzamento da figura do homem para a fera, mas sem que, aqui em Apex, tenham dado tempo e tido cuidado suficiente na condução desse antagonista, que acaba nunca chegando lá. Ben/Egerton ficam perdidos em cena e Charlize sequer tem tempo de corresponder.
PIOR DO QUE NÃO GOSTAR DE ALGO, É…
Querer gostar e não conseguir. É se frustrar por ver tanto potencial que simplesmente escorre rio abaixo.
Porque não importa como os cenários sejam estruturados, quanto as cenas de correnteza sejam espetaculares e que, por mais que a Charlize, mesmo em uma personagem que não dá chances para ela entregar todo o potencial, ainda assim “transpire” o quão forte é a presença dela em uma cena, isso ainda assim não conseguiu me conquistar e me fazer decidir recomendar Apex para alguém.
Não foi dessa vez. Quem sabe no próximo projeto do Baltasar Kormákur, diretor esse que eu gostaria de ver continuando a trabalhar com o Taron Egerton, porque, no pior dos cenários, ele pelo menos demonstrou que tem boas ideias para construir um antagonista.
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“No gods or kings. Just ducks.”

