Boa Leitura!

REVIEW | A QUIET PLACE PART I E II

O anúncio e vazamento das novas filmagens de A Quiet Place Part III, acabaram servindo como o sinal perfeito para retornarmos a este mundo onde qualquer som pode significar a morte de alguém.

REVIEW | A QUIET PLACE PART I E II

Voltei então para a primeira e a segunda parte não apenas pela expectativa em torno do terceiro capítulo, mas para relembrar e entender como essa franquia e a sua direção conseguiram transformar o silêncio em uma forma de comunicação, tensão como parte do cotidiano e o medo de que o mais leve dos barulhos pode significar o fim daqueles que amamos. Existe algo especial nessa fórmula que fez com que eu fosse atrás de redescobrir.

Barulho como gatilho

Existe algo muito diferente na forma como A Quiet Place (parte 1) decide começar sua história. Porque o diretor não parece minimamente interessado em perder tempo explicando pra quem está assistindo oque é a ameaça desse universo, sua anatomia ou mesmo as regras pelas quais eles jogam. O filme deixa para que isso seja feito por eles: as pessoas em cena que não podem fazer barulho. E pior, que transmitem pra quem está assistindo a sensação de que o mais leve dos sons, pode significar um perigo que eles não sabem lidar.

Eu até então nunca tinha visto uma premissa tão diferente assim na época que assisti e ainda hoje, envelheceu muito bem. Porque a tensão e a forma como é executada, é realmente bem feita.

O núcleo familiar que vai se apresentando aos poucos, diferente do que era de se esperar, não te passa nem um pouco a sensação de protagonistas que estejam preparados ou lidando bem com a situação desse fim dos tempos. Muito pelo contrário, a atuação dos pais transmite uma sensação de que estão visivelmente esgotados, frágeis, tentando manter três crianças vivas e seguras em um mundo onde até mesmo um brinquedo a pilhas, causa uma das cenas iniciais mais angustiantes na saída daquela loja.

O filme te ensina até hoje que ele não precisa verbalizar esse desespero e expor ele apartir de diálogos, porque os atores parecem ter sido “treinados” para carregar isso nos olhos, nos gestos de mãos e na maneira como se movimentam sempre em uma “corda bamba”.

A direção do próprio Krasinski, também, faz com que cada detalhe do cenário comunique e enfatize o perigo. O caminho a gente percebe que está desenhado em areia para abafar os passos, as folhas estão pensadamente jogadas para longe assim como os galhos secos e qualquer coisa que pudesse fazer um barulho indesejado. A sobrevivência não só está nos olhos, como na construção de ambientes que e o filme trás.

E talvez seja justamente por essa preocupação toda que a fatalidade do início da primeira parte, seja tão desesperadora. O som do brinquedo que corta o silêncio da família, junto com a corrida de um pai desesperado para tentar alcançar uma criança que já foi percebida por seja lá oque estivesse morando naquela mata. Nós nem temos a chance de ver oque acontece, porque é extremamente rápido e letal.

E honestamente, revendo essa primeira parte, é difícil pensar em uma abertura recente de um filme do qual eu não esperava tanto, ser tão bem planejada e me prender tanto mesmo com tão pouca informação. O filme definitivamente começa muito bem.

Família em Estado de Sobrevivência

Depois do incidente brutal da primeira parte, o filme deixa claro que ninguém mais continuou a existir da mesma forma. Passou a existir algo que te parece profundamente triste na rotina daquela família, porque até os atos mais comuns parecem carregados de medo.

Sair pra buscar mais suprimentos no caso do Pai querendo levar o filho, é desesperador para aquele garoto que ainda tão novo foi forçado a mudar completamente de vida e hábitos. A fazenda inteira mesmo isolada e “protegida” por barreiras naturais, ainda assim pelos olhos dos personagens e na forma como até ali se movem com cuidado, te parece mais um abrigo temporário em que o perigo está apenas a minutos de chegar e destruir tudo.

As atuações de cada um dos envolvidos nesse elenco carrega um peso surreal nessa parte do filme, principalmente a Emily Blunt e pela forma como ela carrega uma exaustão que não é falada mas não dá pra esconder na forma como ela olha pra tudo, principalmente quando está sozinha. E justamente é por essa fragilidade, que o filme te conquista.

No detalhe mais angustiante, percebemos que algum tempo se passou e a personagem dela está nos últimos momentos da gravidez. Em um mundo onde o silêncio é necessário, agora nos damos conta de que vamos assistir um parto.

Millicent Simmonds e a Representatividade Integrada à Narrativa

A presença da Millicent Simmons em A Quiet Place e o interesse que me gerou de ir atrás de quem ela era, descobrindo realmente a existência da sua surdez, mudou completamente a forma como eu enxergo esse filme e o trabalho do diretor. Porque ali agora passa a existir uma importância enorme na forma como o Krasinski não só decide por uma atriz realmente surda para interpretar uma personagem com a mesma condição, como também com isso entrega uma experiência para quem está

assistindo, carregada de autenticidade que não vai ser encontrada em um roteiro, mas sim em uma vivência.

Passa a ser uma surreal experiência perceber como o filme não trata a língua dos sinais como algo exótico ou uma ferramenta para “chamar atenção”. Não, ela é usada constantemente como uma língua afetiva, de conexão para os personagens. Com cuidado, os diálogos repletos de silêncio ainda assim transbordam sentimentos, porque por gestos conseguem conectar uma intimidade que talvez palavras não pudessem alcançar.

É uma representação que amplia as possibilidades para a indústria e mostra que histórias protagonizadas por pessoas com deficiência não precisam existir as margens de filmes sobre sofrimento ou superação. Não, elas também podem acompanhar e ocupar espaço em grandes filmes de terror, ficção científica ou mesmo blockbusters. Essas pessoas podem e devem estar no centro de universos grandes, intensos e que se mostram sim comercialmente relevantes.

Esse filme cresce muito por mostrar pra qualquer um que ainda tivesse dúvidas, que visibilidade é sim extremamente importante e pode ser o coração de uma história.

Crianças no fim do Mundo

Sem entrar muito em detalhes sobre o encerramento do primeiro filme e as consequências diretas que ele deixa para a sua continuação, fica claro aqui no segundo filme que ele decide mudar muitos pontos chaves das propostas do primeiro. Aqui, por exemplo, os adultos parecem existir muito mais como suporte emocional e de apoio para uma história que quer colocar os dois irmãos no centro desse mundo destruído.

A ideia, no papel, até parece ter algum sentido quando você ouve por outras bocas. Existia desde o primeiro filme um potencial interessante na atuação dos dois jovens e dos seus personagens que nitidamente precisariam e já estavam em um processo, de amadurecimento acelerado por conta do universo no seu entorno. O problema aqui, pra mim, é que esse filme trabalha isso de uma forma extremamente desigual. Fica a impressão de que existe um abismo entre a condução narrativa dos dois atores.

Enquanto a menina carrega um peso dramático e uma crescida boa, o garoto simplesmente não parece nem ter tempo pra acompanhar o mesmo nível.

E é justamente por isso que a decisão do filme em ser dividido em duas histórias paralelas que estão rolando simultaneamente em pontos distintos do mapa, acaba dando tão errado. A montagem vai constantemente interromper o seu raciocínio e ritmo, tendo que transitar para o outro personagem que você pode simplesmente não estar gostando de ver crescer.

Definitivamente pra mim, o primeiro filme tinha uma unidade muito mais forte. A família mesmo que espalhada pela fazenda, fazia muito mais sentido porque parecia ter alguma coordenação nas suas ações.

Também sinto e é isso que mais me pesa nessa crítica, que o primeiro filme tinha uma identidade original tão especial que é realmente triste que o segundo abandone um pouco dela. Por razões ligadas ao final do primeiro, os personagens agora passaram a se sentir muito mais confortáveis em falar e isso diminui bastante o impacto da linguagem dos sinais que definia aquele universo. Ela deixa de lado as relações íntimas e acaba tirando o impacto do próprio ato de olhar.

Eu ainda considero válido assistir a essa sequência e que ela em alguns momentos, pode ser sim vista como competente. Mas é uma pena que sim, eu sinta que ele esteja tão distante da criatividade e carinho do primeiro.

O que eu espero do terceiro filme?

Mesmo tendo me decepcionado um pouco com o segundo filme, eu ainda espero e torço bastante por essa terceira sequência. Torço para que a franquia não caia no caminho mais previsível possível que seria o de transformar esse universo em uma história sobre a reconstrução de uma civilização, partindo para expositivamente termos isso como palpável no terceiro filme.

Para mim, o verdadeiro coração disso que agora já podemos chamar de uma franquia, sempre esteve no isolamento. Na escolha de saber que não precisa mostrar um grande escopo para ser um filme atrativo, e que oque nós realmente queríamos era um filme sobre como pessoas simples sobrevivem sozinhas, dia após dia.

Trocar isso por cenas grandiosas de multidões sendo atacadas, pra mim seria perder completamente oque tornou o primeiro filme especial.

E claro, eu também quero rever os nossos personagens e saber como essa família vai continuar existindo, principalmente pelo final sem conclusão da segunda parte. Espero trazer pra vocês as minhas impressões no lançamento.

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PATÔMETRO
Conclusão
Para mim, o verdadeiro coração disso que agora já podemos chamar de uma franquia, sempre esteve no isolamento. Na escolha de saber que não precisa mostrar um grande escopo para ser um filme atrativo, e que oque nós realmente queríamos era um filme sobre como pessoas simples sobrevivem sozinhas, dia após dia. Trocar isso por cenas grandiosas de multidões sendo atacadas, pra mim seria perder completamente oque tornou o primeiro filme especial. E claro, eu também quero rever os nossos personagens e saber como essa família vai continuar existindo, principalmente pelo final sem conclusão da segunda parte. Espero trazer pra vocês as minhas impressões no lançamento.
7.5
NOTA FINAL

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