Realm of Ink é um bom Roguelite. A Leap Studio criou um universo belíssimo em tinta sobre o panteão chinês com um combate divertido, variedade vasta de builds e ótimas opções de dificuldade. Ainda assim, precisam corrigir as quedas bruscas de desempenho e as legendas problemáticas durante a campanha.

Existem gêneros dos quais eu nunca enjoo. Este ano em particular tem sido muito divertido jogar roguelites e, após terminar as sagas de Saros e Hades 2, eu vim parar no folclore chinês. E o saldo é positivo. Realm Of Ink entra para os jogos que pude experimentar este ano que me engajaram até o final.
Uma saga pintada a tinta
Para resumir a história: você é RED, uma forte guerreira que começa a questionar suas escolhas e atitudes. A partir disso, ela acaba chamando a atenção de uma entidade poderosa e, munida de muita coragem, parte para os reinos proibidos de tinta com a ajuda e a força do clã da raposa para desvendar o que há de maior nisso tudo.

Parece até simples e feita sem muito esmero em um primeiro contato, mas a história é muito bacana. O acerto dos desenvolvedores está nos registros de seus personagens e em tudo que faz parte desse universo. Conforme você avança e interage com tudo e todos, RED destrava histórias que revelam cada vez mais conhecimento sobre seus motivos e os personagens. Aprender sobre o mundo e o que de fato aconteceu com deidades e com a espadachim mística vale seu tempo e leitura.
Beleza Chinesa
Os gráficos do jogo remetem à arte da pintura chinesa conhecida como nanquim. RED e os cenários que exploramos são lindos, e as animações de inimigos e personagens, no geral, agradam por seus traços belos. O que mais gostei, no entanto, são as animações que precedem a entrada em um bioma novo ou, simplesmente, a arte que passa rapidamente antes de encontrar um chefe. São detalhes que podem passar despercebidos por muitos, mas aqui creio que fizeram a diferença.

Jogabilidade é o ponto alto
Dois botões para habilidades designados nos gatilhos do controle: um para esquiva e outros dois para ataques fortes ou mais rápidos. A graça de Realm of Ink está realmente no combate. A construção de builds mais fortes demora um pouco, mas a variedade imposta pelo jogo, combinada com as diversas formas que a guerreira pode tomar, é o verdadeiro núcleo da obra. Você coleta poderes de tinta e relíquias que vêm de deuses caídos e que trarão diversos efeitos ao jogador. De uma sobrevida através de um escudo a um círculo envenenador, posso garantir que tudo é MUITO DIVERTIDO de se usar e evoluir.

Já os elixires aumentam seus poderes com efeitos que vão desde mais dano crítico a maior acúmulo de efeitos nocivos aos inimigos. Tudo de forma muito intuitiva pode ser melhorado com gemas e outras moedas diversas no jogo. Conforme avança pelo reino de tinta, você abre uma janela de habilidades distinta para RED que o ajudará a chegar cada vez mais longe, e poderá também evoluir Momo — uma doce criatura à primeira vista, mas que, com os poderes corretos, se transforma em uma arma extremamente útil.
Todas as relíquias coletadas têm um elemento da natureza, e usar essas vantagens a seu favor é como andar de carro caso seja um veterano, e muito divertido caso ainda esteja conhecendo jogos desse gênero. Válido lembrar também que existem personagens que podem aparecer lhe oferecendo itens com maldições e benefícios ao mesmo tempo ou, simplesmente, caso limpe uma sala sem levar dano, você pode receber um item que o ajudará em salas mais difíceis.
Os sons de lendas
Realm Of Ink tem boas músicas e efeitos sonoros, mas fica nisso. Não há o que se criticar, mas também toda a trilha passa rapidamente sem cativar o jogador. Destaque para os monólogos de chefes durante as lutas e os comentários de RED sobre algo que ocorre ao fim de um combate.
Problemas técnicos
No PS5, as quedas de frames são o fator dominante. Atrapalham — e muito — nas lutas finais. Já há um atraso de segundos ao coletar qualquer item e, juntando com essa frustração, o jogo precisava urgentemente de mais correções nesse aspecto. Ao menos não tive nenhum crash ou problemas de salvamento. E confesso: o jogo estava muito divertido para parar.
Mais reviews: AQUI

Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial
