Boa Leitura!

Obscure | PlayStation 2

Ultimamente tenho jogado bastante com meu primo, já que ele está aproveitando a melhor coisa de ser CLT… as férias! Ele me indicou um game de PS2 do qual eu já tinha ouvido falar, mas sinceramente nunca tinha parado para jogar: Obscure.

Pois bem, jogamos, e foi simplesmente uma das melhores experiências coop que já tive no console. Aproveitando que o Patobah não me manda mais keys de lançamentos e que estou com preguiça de editar vídeo no momento (mas vai ter vídeo, então já se inscreve no Asvero no YouTube), resolvi escrever essa review por aqui mesmo.

Obscure

O jogo em questão é Obscure, um survival horror raiz no melhor estilo Resident Evil, mas com o diferencial de ser inteiramente cooperativo. Lançado em 2004/2005 para PlayStation 2, Xbox e PC, o game foi desenvolvido pela Hydravision Entertainment.

A história é simples na premissa, mas entrega mistérios e reviravoltas suficientes para me fazer caçar um mod de legenda para a ISO só para entender cada detalhe dessa escolinha do capeta — onde o conselho tutelar claramente nunca colocou os pés. Tudo começa quando o estudante Kenny desaparece misteriosamente após ficar até tarde jogando basquete na Leafmore High.

Preocupados, seus amigos decidem investigar e acabam descobrindo um pesadelo biológico nos porões da escola: experimentos conduzidos pelo diretor Friedman. Enquanto diretores normais estão preocupados com verba para merenda ,reunião de pais e em tiroteios escolares, o Friedman e seu irmão gêmeo Leonard (que parece um maracujá murcho mutante) passaram décadas usando os próprios alunos como cobaias para uma planta rara da África. O objetivo? Alcançar a imortalidade.

Obscure

O efeito colateral? Transformar adolescentes em couve-flor assassina sensível à luz solar. O plano de contingência do diretor para quando os monstros fugiam dos porões era simplesmente meter uma fita adesiva na porta e fingir demência no dia seguinte. Se a vigilância sanitária fizesse uma visita surpresa em Leafmore High, o jogo terminava em 5 minutos. O elenco jogável conta com cinco alunos com personalidades bem clichês dos anos 2000, mas muito funcionais:

Kenny: O típico atleta rápido, forte e bonitão, bom para fugir ou encarar o perigo de frente.

Ashley: A namorada do Kenny que é barraqueira e por é especialista em combate, conseguindo dar disparos duplos e sequências de ataques.

Josh: O esquisitão que é repórter do jornal da escola, capaz de conferir se ainda restam itens ou pistas na sala.

Shannon: A irmã do Kenny e a nerdizinha gata, que dá dicas para resolver quebra-cabeças e cura mais vida ao usar kits médicos.

Stan: O delinquente que parece muito o Chorão da banda Charlie Brown Jr. essencial para arrombar trancas e portas muito mais rápido.

Gameplay

A gameplay não tem nenhuma reinvenção absurda da roda, mas executa com maestria a linha básica dos survival horrors de câmera fixa da época, mesmo a câmera do game sendo um verdadeiro estrume as vezes… sério é pior que a de Devil May Cry 2. O grande diferencial estratégico é que você pode alternar entre os personagens a qualquer momento ou jogar lado a lado com o Player 2. Se você cometer o crime hediondo de jogar isso sozinho, prepare-se para ser pai de uma IA com QI de uma porta.

O Player 2 controlado pelo jogo tem uma fixação quase poética em estocar munição enquanto observa você ser empalhado vivo por uma mutação vegetal. Ele serve basicamente como uma mochila com pernas que de vez em quando resolve gastar seu único kit médico porque encostou numa farpa. Jogar em coop não é apenas uma opção; é uma medida de proteção ao seu próprio fígado.

Outro elemento de tensão constante é a morte permanente: se um personagem morrer, ele está fora do jogo para sempre. Não tem respawn. Dá para perder todo mundo e zerar o game com apenas os sobreviventes que restarem.

A mecânica de iluminação é o coração do combate. Os monstros possuem uma aura de sombras e fraqueza total à luz. Durante o dia, quebrar janelas faz o sol entrar e fritar as pragas na hora. Em locais fechados, tem uma “gambiarra” de prender a lanterna nas armas com fita adesiva: você foca o feixe de luz para dissipar a proteção das criaturas e só depois atira para gastar menos munição.

O design das criaturas merece um adendo. Não são zumbis genéricos: são adolescentes e funcionários da escola infectados por esporos que parecem ter saído de uma brisa ruim do HP “Faz amor”. O resultado? Aberrações que parecem brócolis mutantes furiosos querendo te chupar e não no sentido agradável. Para fechar, o sistema de salvamento é limitado e nostálgico, exigindo que você encontre CDs espalhados pelos cenários para registrar seu progresso.

Obscure

Gráficos, Som e Veredito:

Agora, a cereja do bolo: as tecnologias gráficas desse jogo para o PS2 são impressionantes. Os desenvolvedores criaram reflexos em pisos molhados e espelhos que deixam muito jogo posterior no chinelo. A ambientação te joga direto em um filme de terror adolescente dos anos 2000, com aquela pitada de escola pública underground que me fez lembrar exatamente do colégio onde eu e meu primo estudávamos no ensino médio.

Para completar, a trilha sonora é sensacional. Composta por Olivier Derivière com a participação do coral infantil Paris Boys Choir, ela mistura cânticos orquestrais perturbadores com rock industrial. A decisão de colocar um coral infantil parisiense pra cantar junto com guitarradas pesadas do Sum 41 e Span na abertura é a coisa mais absurdamente anos 2000 que já existiu. É a combinação exata de “filme do Pânico” com “tarde de sábado assistindo AMV de Linkin Park no YouTube em 240p”. Funciona? Demais. É uma das melhores trilhas de survival horror que meus ouvidos já escutaram — sem exagero, é boa demais!

Mais reviews: AQUI

PATÔMETRO
Conclusão
No fim das contas, Obscure entrou direto para a minha lista de favoritos do PlayStation 2. O modo coop elevou demais essa obra-prima retro. Se você curte o gênero e tem alguém para jogar do lado no sofá, é obrigatório.
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