A história
NORSE: Oath of Blood é uma saga nórdica clássica focada em traição, honra, crescimento e a busca incessante por vingança. A história foi escrita por Giles Kristian (autor renomado de ficção histórica sobre os vikings), o que traz um tom visceral, realista e sem magia ou floreios mitológicos.

A trama se passa na Noruega do início da Era Viking. Você assume o papel de Gunnar, um jovem guerreiro e herdeiro de seu clã.
A vida de Gunnar muda tragicamente quando Steinarr, um chefe rival cruel e ambicioso, traí a família de Gunnar. Steinarr lidera um ataque devastador, assassina o pai de Gunnar, destrói seu vilarejo e toma a cadeira de liderança do assentamento.
Para honrar a memória de seu pai e restaurar o nome de sua família, Gunnar faz um juramento sagrado de sangue (Oath of Blood): ele não descansará até derramar o sangue de Steinarr e reaver o que é seu por direito.
A história é contada em cutscenes que são médias em qualidade. Leve em consideração de que é um jogo indie e com valor mais em conta. Se você comparar com cutscenes de jogos AAA, perceberá que são mais simples e com alguns defeitos gráficos. Se considerar o orçamento do jogo, dá até para achar que fizeram algo muito bom.
História simples, até meio clichê, mas funciona bem para a gameplay do jogo. Vale mencionar que a narrativa é muito boa e deixa tudo mais interessante.
Gameplay
A gameplay mistura gerenciamento de assentamento e recursos, gestão de guerreiros e combate tático por turnos.
Uma boa parte do jogo será construindo e atualizando as estruturas do seu assentamento para a obtenção de recursos e criação de itens melhores. Diversos personagens participam no processo de criação de itens, obtenção de comida, madeira, minério e demais recursos.
Cada personagem cria versões melhoradas de machados, arcos, roupas, espadas, entre outros itens.
Após determinada altura do jogo, você terá a opção de negociar com vilas amigas ou neutras e fazer o comércio de itens que você tem em excesso e que eles demandam por itens que você precisa.

Você precisará também gerenciar as estações do ano, pois isso influenciará a disponibilidade de mantimentos.
Durante as missões de combate, você precisará selecionar quais companheiros vai levar, como vai equipá-los e que extras vai levar.
Existem diversas classes de companheiros:
- Drenger: Soldado que usa machado ou espada e escudo. É o combatente viking clássico que pode fazer a famosa parede de escudos.
- Rekkr: Esse é o quebra-escudos. Usa um machado de duas mãos e serve para quebrar armaduras e abalar a parede de escudos inimiga.
- Bersrkr: É o Berserker e serve para dano extremo. Funciona melhor atacando pelos flancos. Ele tem uma habilidade de salto que permite passar por cima de barreiras e atacar pelas costas. É um atacante de alto risco/recompensa. Ao mesmo tempo que dá muito dano, é um soldado frágil e pode ser facilmente ferido.
- Hersir: É um soldado de suporte e alcance. Usa uma lança para lutar atrás da primeira linha de defesa usando o alcance da lança por cima dos escudos. Controla o moral da sua tropa e concede buffs essenciais para o grupo.
- Huntres: São as caçadoras e arqueiras. Atacam a longa distância, mas são muito frágeis se engajadas corpo a corpo.
A medida que lutam em missões, os companheiros vão subindo de nível que consiste basicamente na escolha de habilidades em uma árvore simples. A cada nível você pode escolher uma entre duas opções e é isso!
Quando parte para as missões de combate, o jogo sempre o padrão atual de jogos por turno. Você explora em tempo real, controlando sua “party” e quando o combate inicia ele vira por turno.

Entretanto, aqui é tudo muito mais simples que CRPGs complexos. O combate lembra muito mais um XCOM do que Baldur’s Gate.
O combate começa com o “posicionamento”. Dentro de uma zona azul que aparece no mapa você pode colocar cada um dos companheiros da “party” na posição mais estratégica em relação ao campo de batalha e os inimigos que já estão lá.
Após o início do combate você pode basicamente: se mover, atacar, usar uma função de guarda defensiva, usar o alerta (que marca uma área que se algum inimigo passar você ataca), ou usar uma habilidade especial. As habilidades especiais vão surgindo à medida que seus personagens sobem de nível.
Eu achei o jogo fácil. Na dificuldade normal, raramente algo dava errado. Não deixei nenhum dos meus companheiros morrer e em alguns casos ficaram feridos. Se um companheiro fica ferido, ele precisará de alguns turnos do acampamento para se curar antes de poder voltar ao combate. Por isso, é interessante você revezar entre os combatentes por classe para que em uma emergência, todos estejam parelhos em termos de habilidades.
E esse é basicamente o loop da gameplay. Luta, volta ao acampamento, faz melhorias e a história avança com o passar do tempo.
Em termos de gameplay, eu gostei. Se já me conhecem, sabem que adoro jogos por turno e esse é bacana. Nada de excepcional e com um tamanho adequado. Se esticasse mais, seria bem repetitivo.

Aspectos técnicos
Agora é onde a coisa se complica para esse jogo. Pelo menos no PC que foi onde joguei. Norse, foi desenvolvido no Unreal Engine 5 e sofre de todos os problemas associados a esse motor gráfico quando não está bem otimizado. Durante minha gameplay, o jogo teve várias atualizações, mas muitos problemas persistiram.
Vamos falar primeiro das coisas boas:
- Metahuman: O jogo faz uso dessa tecnologia o que permitiu implementar expressividade, cada personagem principal e guerreiro possui animações faciais detalhadas e microexpressões que transmitem o peso emocional do enredo. Rugas, cicatrizes, cabelos, barbas e a sujeira/sangue do combate são renderizados com alta definição, dando um tom visceral aos modelos.
- Geometria e Texturas Avançadas: Rochas, fjords, florestas densas e os detalhes em madeira/couro das cabanas e armaduras possuem texturas de boa qualidade.
- Efeitos Climáticos e Atmosfera: Chuva, neve, neblina e a variação da luz natural (como o sol fraco do Norte) impactam a atmosfera visual de cada mapa tático.
- Animações de execução: Quando você finaliza um oponente, rola uma animação com a câmera baixa que é bem executada.
- Roupas e armas bem renderizadas nos personagens.
- Todos os diálogos do jogo são super bem narrados e cada personagem tem sua voz própria e com expressividade.
- A trilha sonora e efeitos sonoros são executados com bastante competência, principalmente se lembrarmos de se tratar de um jogo indie.
- Tem legendas em PT-BR.
Agora vamos falar dos problemas que não são poucos:
- Desempenho ruim. Mesmo no meu Notebook com i9 de 13ª geração e RTX 4080, tive momentos de o desempenho cair bruscamente a ponto de ter que reiniciar o jogo. Em média a 1600p com tudo no máximo com DLSS Qualidade e Frame Generation, ficou abaixo dos 60 fps que acho inaceitável.
- Apesar de usar várias techs legais do UE5, achei os gráficos médios.
- Muitas paredes invisíveis na parte de exploração em tempo real.
- Bugs visuais diversos: Texturas cintilantes, câmera que por vezes ficava atrás de paredes.
- Controles totalmente bugados e com problemas, o que me obrigou a usar o mouse e teclado várias vezes. Não consigo imaginar como está nas consoles, mas isso inviabilizaria o jogo em muitos momentos.
- Joguei uma parte no Rog Ally X e não conseguia clicar no botão de iniciar a missão porque estava “fora da tela”.
- Bugs diversos.
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Ex empresário e professor de Assembly, atualmente vive em Portugal e adora passar o tempo nos seus joguinhos, com o gênero RPG de turno como seu preferido.

