Mouse: PI For Hire é um dos grandes jogos independentes do ano. Combinando a ação frenética dos boomer shooters com o charme das animações do começo do século 20, Mouse é imperdível tanto para fãs de jogos de tiro como para marinheiros de primeira viagem.

Não é sempre que um jogo criativo e com uma jogabilidade divertida consegue emplacar. Felizmente, Mouse: PI For Hire entra para a galeria de jogos que conseguiram as duas coisas. O elenco, que conta com os excelentes Troy Baker, Debra Wilson e tantos outros atores talentosos, é afiado e divertido; a jogabilidade é sólida e os gráficos são arte em movimento. Há um carinho tão grande que até distorções sonoras que simulam vitrolas e outras relíquias estão presentes no jogo.
Algo neste queijo não está cheirando bem!
Mouseburg, 1934. A cidade corroída por ratos ambiciosos, atores em decadência e partidos políticos alinhados a ideias controversas é um prato cheio para Jack Pepper. O investigador particular se vê numa trama envolvendo até o prefeito da cidade e policiais corruptos. Seguindo uma pista dada por sua amiga jornalista, nosso amigo rato se verá em enrascadas cada vez maiores.
A história é um charme. De início, você pensa que ela se manterá presa às analogias que faz da nossa sociedade, mas é divertido acompanhar o quanto ela muda e evolui quando introduz um novo inimigo ou grupo rival. E haja queijo para saciar a curiosidade de seguir em frente e ligar os pontos na investigação de Jack também.
Não tive nenhuma crítica relevante. Talvez sua semelhança com outros filmes que cansamos de ver e os estereótipos prontos incomodem, mas nem isso impede você de se divertir com o desenrolar dos fatos.
Queijo bonito, Queijo… formoso!
Mouse: PI For Hire usa uma estética proveniente de muitas animações americanas da década de 30 chamada Rubberhose, e o trabalho dos desenvolvedores é louvável. Tudo no jogo pulsa ou é animado, com raras exceções aos cenários de fundo. As animações de recarga de arma e as armas em si, os inimigos morrendo ou atacando você e a maneira como os itens de interesse se mexem o tempo todo… tudo é simplesmente charmoso demais. Não tive nenhum contratempo com a parte gráfica, à exceção da marcação de alguns itens de interação de jogabilidade no cenário. É conversa de, literalmente, parar e checar cada canto da cidade ou cenário novo que a obra te jogar. E é impossível não ficar feliz ao achar referências de diversos jogos espalhadas pelas quase vinte fases do jogo. Dark Souls e Resident Evil são só algumas que encontramos.
E PELO AMOR DE DEUS, FUMI GAMES, COLOQUEM REPLAY PARA AS FASES E UM MAPA, SE PUDEREM!

Jogabilidade a quatro queijos
Funciona. Botões de atirar, esquiva e ações contextuais são a lei aqui. Nada que você não tenha visto em jogos de FPS anteriores. Você terá acesso a diversas armas que Jack encontra na campanha e, através de um botão rápido ou de um menu radial, escolhe a ferramenta de precisão da vez. Tudo muito simples de assimilar e com tutoriais de fácil acesso. A única coisa que acho válido mencionar é a ausência das famosas “miras de ferro” ou “iron sights“, o que significa que sua arma só tem o modo de mira com o crosshair logo na tela. E, sinceramente, o quão bacana fica a ação quando você libera mais movimentos para Jack! Pulo duplo, esquiva aérea e até planagem deixam o jogo mais divertido. A ausência de um botão de cobertura e os especiais serem usados apenas em ações contextuais são pontos relevantes a mencionar, mas confesso que, depois da primeira fase jogada, já me acostumei e senti um gosto mais retrô nessa abordagem. Talvez eu tenha me acostumado mal com os jogos atuais e suas facilidades de combate.

Músicas e sons clássicos como bastões de queijo fritos!
Outro trabalho impecável da Fumi Games. Mencionei na introdução do texto o quanto os desenvolvedores se esforçaram em tudo, e a parte sonora não é diferente. No menu, você pode escolher distorções de som que remetem a aparelhos sonoros antigos. Além de trazer imersão ao projeto, mostra que a Fumi Games não estava brincando quando disse ser um produto pautado em paixão. Composições regadas ao jazz charmoso da época e efeitos sonoros clássicos são agradáveis e dão o tom perfeito à jornada de Jack Pepper.

Algo na parte técnica está cheirando a queijo azul…
O jogo tem dois modos: Qualidade e Performance. Infelizmente, na versão que joguei, havia gargalos e engasgos de FPS no modo Qualidade; e o modo Performance, apesar de rodar melhor e não ter esse problema, acaba pecando nos gráficos borrados e com elementos ao fundo destoando demais da qualidade de Jack e das armas. No Playstation 5, o modo qualidade roda a 60 fps a maior parte do tempo, com o diferencial do desempenho ter suporte à taxa variável de 120 Hz em monitores compatíveis. Ainda assim, confesso ter preferido, dessa vez, o modo qualidade. Bugs menores aconteceram, como inimigos presos em paredes invisíveis, animações de recarga travando e até cair em partes do cenário que eu não deveria. Ainda assim, nada chegou a estragar a experiência como um todo.

Mais reviews: AQUI

Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial
