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Mortal Shell: Enhanced Edition | PS5 Review

Mortal Shell: Enhanced Edition é um bom jogo soulslike. A ambientação sinistra, a boa performance geral e um combate divertido agregam à experiência; contudo, tudo soa muito cru ainda. O design de níveis simples demais e as lutas muito modestas contra chefes contrastam com todo o resto.
Mortal Shell
Link da loja e preço no momento dessa análise

Não sei, só sei que sou uma visagem sem nome e que uso a face e constituição de guerreiros de outrora. Isso é Mortal Shell, soulslike da Cold Symmetry que irá receber uma sequência gigante agora em agosto de 2026. A edição Enhanced, lançada para consoles da nova geração, tem framerate aprimorado, todos os patches de qualidade de vida e a DLC roguelike The Virtuous Cycle.

História contada de outro jeito…

Como todo souls que se preze, Mortal Shell conta sua história através do mundo, itens coletados, inimigos enfrentados e seu próprio personagem. Você é uma criatura humanoide forçada a lutar em um mundo sinistro e nada amigável. Sua missão é dada por uma estranha criatura: entrar em três templos diferentes, derrotar os mártires e recuperar suas glândulas sagradas.

Durante a jornada, você encontra carcaças de guerreiros caídos. Conforme evolui coletando as moedas do jogo (Tar e Vislumbre), cada segmento destravado de um guerreiro vem com mais detalhes sobre suas origens e relatos do que ocorreu em sua morte. Esses trechos são muito bons porque, além de agregar à lore, a dublagem e o tom diferenciado para cada um são acima da média. No mundo do jogo, o Néktar é o material mais cobiçado. Com propriedades divinas, pode dar a quem o consome poderes sobrenaturais, e isso é bem representado pelos inimigos que você terá que derrotar.

Há muitas nuances em Mortal Shell. Se, por um lado, ele tenta contar uma história por registros e pelo mundo sobre a origem dos personagens, por outro não me senti compelido a ler os registros porque simplesmente não achei a história tão engajante quanto a de outros jogos do mercado.

Mortal Shell

Beleza que se põe à mesa

Mortal Shell é um jogo bonito. As carcaças são belíssimas, cheias de detalhes, e as armas encontradas no jogo são um show à parte. O tom de fantasia, alinhado com visuais que parecem ter saído de uma obra de época, é muito, MUITO bonito e criativo. Meu único problema com esse quesito é o design de certos inimigos iniciais, que são extremamente grosseiros, e a simplicidade dos templos em termos de detalhes.

Lembrando que este é um time pequeno e foi o primeiro jogo trabalhado por essa equipe nessa escala, o resultado no geral agrada, e Fallgrim é medonha e sinistra o bastante para chamar a atenção do jogador.

Jogando seguro

A jogabilidade funciona na maior parte do tempo, mas ela carrega uma limitação: o timing. Explico.

Em outros RPGs de ação do mercado, esse aspecto é o mais importante: é onde o jogador mais se engaja e do que ele mais se recorda na experiência. O problema disso em Mortal Shell é que é extremamente difícil desviar de certos golpes ou acertar um contra-ataque.

Pegarei uma luta simples como exemplo: o portador da alabarda com máscara. Por diversas vezes você sofrerá dano por um movimento de corrida que ele fará DO NADA. Ou, quando você tenta abordar vários inimigos e a mira automática resolve que vai focar em outro guerreiro, prejudicando a sua visão.

E tudo isso se deve ao timing de ataques e movimentos. Tudo aqui é um pouco trabalhoso demais, o que faz com que se evite usar esses recursos para priorizar o Endurecimento (Hardening). A criatura pode virar pedra e evitar um ataque certeiro, movimento que sofre um tempo de recarga. O jogador pode simplesmente usar e abusar disso para evitar a totalidade dos golpes. Simplifica? Muito, mas, na minha visão, se o jogador se vê praticamente obrigado a focar em uma só abordagem, significa que falta algo a mais em outros fatores.

Mortal Shell

A cura é feita com ratinhos assados comprados do vendedor ou com um cogumelo que renasce no mundo segundos após ser coletado. Você se acostuma e aprende a usar isso a seu favor, coletando e repetindo o processo. Itens como insígnias seguem a mesma lógica: cada item tem um nível de familiaridade, e seu efeito é melhorado caso você o use mais vezes.

De resto? Diverte e muito. São quatro armas diferentes e cinco guerreiros com focos em builds completamente diferenciadas. Tiel é rápido e cheio de vigor, mas tem pouca vida. Já Eredrim é o tanque: recebe muito dano, mas tem pouco vigor de movimento. Entender e trocar essas carcaças durante alguns momentos é o grande ponto alto da jogabilidade. O upgrade das armas e dos personagens é simples e direto: Tar e Vislumbres para carcaças e para a compra de mercadorias com o vendedor ou a Irmã Genessa (assim que você destrava todos os segmentos de evolução de uma carcaça). O Ácido de Têmpera é um recurso escasso usado para evoluir seu equipamento até o nível 5. Recomendo escolher uma arma de preferência para maximizar e simplesmente aniquilar tudo o que vir pela frente. É seguro dizer que a jogabilidade se apoia nessa variedade de abordagens.

Mortal Shell

Som, música e dublagem de Fallgrim

Para mim, é onde o jogo brilha. No lançamento existia apenas uma trilha para chefes, mas, com a entrada da Rotting Christ (banda de black metal grega), a coisa ficou muito boa. As composições do grupo são ótimas e dão variedade às batalhas. A dublagem e os efeitos sonoros são excelentes. Todos os personagens, por mais simples que sejam, têm um trabalho de voz muito bom, e o mérito aqui deve ser dado.

Parte Técnica

Enhanced Edition é de fato a versão definitiva. Não tive nenhuma queda brusca de performance, e o único bug que tive (e que insiste nesta versão) é o que afeta o som no Templo das Chamas. As vozes e grunhidos somem, restando apenas os efeitos externos do templo. Quando joguei a versão original, o bug acontecia mesmo após patches de qualidade que vieram, forçando a reiniciar o jogo. Nada grave, mas acho justo mencionar caso aconteça com vocês.

Mas e a DLC?

O modo roguelike é divertido e pode ser um bom passatempo para os jogadores que se cansaram de reiniciar a campanha múltiplas vezes. Embora eu tenha testado pouco este modo, é seguro dizer que ele é uma ótima adição ao pacote. Tem sua própria história e evolução, e o estúdio sabiamente soube separar as experiências. Embora, sendo bem honesto, uma expansão melhorando fatores mais importantes da campanha seria muito mais bacana — pelo menos para mim, é claro.

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PATÔMETRO
Conclusão
Mortal Shell é uma experiência divertida, porém o sentimento de que poderia ter sido mais vai te acompanhar durante as quase 12 horas de jornada. Há muita coisa bacana para se ver, como as carcaças e seus designs estupendos, a trilha sonora da banda Rotting Christ e até mesmo o momento em que o combate engrena e você obtém mais recursos. Contudo, a Cold Symmetry pode e deve expandir esses quesitos na sequência, além de precisar acertar na variedade de caminhos que uma terra desolada pode oferecer.
História
7
Gráficos
8
Jogabilidade
7
Som e música
8
Parte técnica
9
Notas do Visitante0 Votes
0
7.8
NOTA FINAL

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