Boa Leitura!

Moonlighter 2: The Endless Vault | PS5 Review

A ideia de Moonlighter continua sendo extremamente genial. Você assume o controle de Will, um cara que simplesmente decidiu que a melhor forma de viver é administrando uma loja de dia e ser um caçador de relíquias à noite.

Estamos em uma nova dimensão chamada Tresna, juntando uma boa quantidade de moedas de ouro para fazer as vontades de uma entidade que sempre aparece na praça da cidade te cobrando cada vez mais ouro. Isso funciona muito bem como um gancho inicial para a história, pois te coloca em um looping viciante de “vender de dia e morrer de noite”.

Os personagens deixam sua experiência ainda melhor

Tresna é lotada de personagens que estão dispostos a apoiar Will em sua jornada. Tem quem dê uma força nas melhorias dos seus equipamentos, gente focada nas poções e até mesmo um assistente robô que vai ficar no seu pé cuidando do armazenamento e dos upgrades da loja. Todos vão estar unidos para te deixar mais forte na hora de enfrentar os inimigos nos biomas, mas é claro que isso vai ter um preço e também vai exigir que você busque os pedidos que eles fazem. É bem legal ver como cada NPC tem sua função e personalidade, dialogando e mostrando o que te espera lá na frente.

O visual: do pixel art pro 3D isométrico

Eu não joguei o primeiro Moonlighter, mas sei muito bem da fama que o pixel art dele tinha. Era um visual muito carismático e cheio de personalidade, que muitas pessoas sempre citam com um grande carinho. Por isso, quando vi que a sequência mudaria para um estilo 3D isométrico, fiquei com um certo receio e comecei a pensar: “será que toda aquela magia pode se perder no meio do caminho?”. Mas tive uma grande surpresa. Depois de passar alguns minutos andando pela cidade nova, entendi a jogada: você consegue sentir a profundidade e a mistura que esse visual entrega. Mesmo com essa virada de estilo, o clima continua reconhecível para quem já está habituado com a franquia.

Moonlighter 2: The Endless Vault | PS5 Review Moonlighter

Não é um título diferente tentando vestir a skin do jogo original, na verdade, é uma evolução natural do que já existia, fluindo para algo ainda melhor.

Kalina, Galeria e Aeolia: três biomas, três formas de apreciação

Cada bioma tem um cenário totalmente diferente, ditando o jeito que o loot se comporta, mudando conforme você avança e dependendo de onde estiver naquela noite de aventura.

Kalina tem seu charme por ser dividida entre o Reino do Dia e o Reino da Noite. Nesse deserto mais rústico, você vai precisar desviar de armadilhas e dos inimigos que habitam ali. É necessário decidir o tempo todo se vai valer a pena queimar suas relíquias no inventário para ativar os efeitos poderosos que elas proporcionam, transformando a mochila em um dilema constante entre abrir mão do tesouro agora ou lucrar depois. A grande jogada aqui é utilizar itens que adicionam blindagem, permitindo que a relíquia seja queimada, mas destruindo apenas o escudo no lugar do loot.

Já dentro da Galeria tem uma pegada muito interessante, não é museu comum, é mais uma baita coleção privada. Você entra em um cofre futurista que exige atenção total. Na hora de organizar os itens, o sistema brinca com eletrocussão e sobrecarga. Uma relíquia pode eletrocutar a outra, concedendo mais qualidade e lucro, mas deixando a peça em estado de sobrecarga. Se esse item tomar um novo choque, ele é destruído na hora, virando uma verdadeira bomba-relógio que só tem a carga removida caso você posicione peças específicas, por exemplo, utilizando as baterias.

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Aeolia é um bioma aéreo que vai testar muito a sua paciência, lotado de inimigos voadores irritantes com investidas constantes. Como se o combate nas nuvens não fosse estressante o suficiente, os itens fazem questão de absorver a qualidade uns dos outros ao serem destruídos. Para piorar, algumas peças petrificam o seu loot, transformando os itens em cristais. A pegadinha cruel é que esses cristais são destruídos exatamente no momento em que você retorna a Tresna, exigindo que você reorganize a mochila antes de finalizar a noite.

No final das contas, dominar as regras que cada bioma possui, acaba transformando a sua mochila em um grande ‘Tetris’ de risco. Você precisa pensar duas vezes antes de avançar, já que morrer em uma dessas áreas pode custar 50% do valor das relíquias.

Os chefões que testam sua paciência 

Cada masmorra apresenta um boss intermediário que resume praticamente todos os inimigos daquele trecho e rende ótimas recompensas. Mas, quando você chegar no boss final, a situação vai mudar completamente. São lutas longas, contra barras de vida enormes e escudos, com mecânicas que testam até o seu último fio de cabelo. É uma sensação incrível derrubar o inimigo e ver ele dropar as relíquias, além daquele pedido específico feito por alguém de Tresna.

O lado bom é que, se uma arma não funcionar na primeira run, dá para ir testando opções a cada noite até encontrar a que se encaixa melhor no seu objetivo. É extremamente recompensador: você passa muita raiva, entende os padrões do boss, abusa das esquivas e, por fim, sai bem vitorioso.

Vassoura, lança, espada e companhia: um arsenal bem extenso

Você começa a campanha utilizando uma Vassoura e uma Pistola de Gosma. Claro que isso é só no início e logo você percebe que existe uma variedade enorme de armamentos para as suas runs. Cada equipamento funciona da sua própria maneira, exigindo que você pense muito bem antes de escolhê-lo e partir para sua próxima aventura.

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Temos a Espada Curta, que ao meu ver é uma das opções mais equilibradas aqui, com finalizadores automáticos e um ataque especial que atinge os inimigos ao seu redor, sendo uma ótima pedida para quem não quer sofrer tanto. Com as Manoplas, cada ataque vai carregar um ‘Frenesi’, que pode ser ativado com o especial para dar socos rápidos. É um estilo bem agressivo que te deixa colado nos adversários (o que pode ser perigoso na hora de fugir de uma enxurrada de inimigos). A Lança é perfeita para perfurar os inimigos e manter um bom controle a distância. Cada ataque normal faz surgir uma ponta de lança, e no quarto acerto consecutivo que você der, aparecem três de uma vez. O grande truque está no ataque especial: ele vai atrair todas essas pontas soltas de volta para a sua mão, rasgando e causando dano em qualquer inimigo que estiver no caminho. Já a Espada Grande é mais pesada, porém destroi tudo na sua frente. Quanto maior o nível de afiação, maior vai ser o dano que ela vai causar. Todo ataque é muito poderoso, mas vai reduzir esse nível de afiação. Ela também utiliza uma mecânica chamada ‘Precisão’, que exige um timing perfeito para compensar a lentidão dos golpes.

Deixando o arsenal um pouco de lado, o combate traz detalhes que fazem muita diferença. Os alvos entram em estado de ‘choque’ quando tomam muito dano, e você pode usar a sua própria mochila (sim, ela vira uma arma bem importante aqui), onde você vai empurrar, arremessar ou desequilibrar esse inimigo. Dependendo de onde você mirar, dá até para acertar outros inimigos ao redor. As salas funcionam como pequenas arenas com terrenos variados, então não dá para ficar parado em um cantinho e se beneficiar disso. É preciso estar em constante movimento para limpar o mapa e avançar.

Administrando a loja: onde a sua ganância vai virar estratégia

Depois de sobreviver à noite, você vai precisar voltar para Tresna e colocar as relíquias à venda. Chegou então a hora de colocar preço em tudo o que você conseguiu extrair das suas aventuras. Definir o valor exato é a jogada de mestre aqui: cliente satisfeito é lucro na certa, o entediado pode até achar meio caro, mas acaba levando, já o irritado olha a etiqueta com certo desdém e vai embora de mãos vazias. Você também terá os fregueses habituais, que são bem conhecidos e que podem te conceder certos benefícios caso você atenda aos pedidos deles.

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Logo você vai perceber que a própria ganância é a sua pior inimiga aqui no jogo. Além das vendas, é possível decorar a loja com móveis que trazem benefícios para o seu comércio, sem contar que o GU4RM1N0 cuida de todo o armazenamento pesado, junto com os gosmecos, que são bichinhos fofinhos e cada um vai ter um tipo de efeito único para te ajudar na loja. No fim, você administra um negócio, só que em vez de pagar impostos, paga o preço matando monstros.

A experiência no PS5

Joguei toda a minha campanha no PS5 e o jogo rodou super bem, sem bugs ao extremo. A única coisa que me incomodou foi uma situação bem chata envolvendo as missões secundárias. Quando eu precisava encontrar alguma passagem secreta para pegar um item específico, a missão simplesmente não aparecia como ‘concluída’ no menu. Até assustei um pouco e cheguei a refazer as missões para ter certeza de que havia feito tudo corretamente, mas, por sorte, assim que eu voltava no NPC que havia feito o pedido, eu conseguia entregar e craftar o item sem nenhum problema. É um detalhe pequeno, mas que pode acabar incomodando um pouco.

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PATÔMETRO
Conclusão
Vale tanto a pena assim ir para Tresna? Analisando tudo o que passei, o combate lembra muito o estilo moderno dos roguelites: sendo bem ágil, recompensador e com os inimigos reagindo de forma satisfatória aos seus golpes. O jogo não vai segurar a sua mão o tempo todo, você aprende apanhando mesmo, e essa é a cereja do bolo. É o tipo de dificuldade que acaba te prendendo, somada ao jeito único de cada bioma. E quando a coisa aperta demais, basta voltar para Tresna, repensar a estratégia e tentar de novo, agora entendendo melhor como tudo funciona. Se você curtiu o primeiro Moonlighter, essa sequência não é apenas "mais do mesmo" com gráficos melhorados. A obra pegou as boas ideias do seu antecessor e se moldou para manter a mesma pegada, mas trazendo melhorias magníficas que te deixam com vontade de testar tudo o que ela tem a oferecer.
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