Em um período em que muitos jogos de plataforma/aventura apostam em desafios extremamente difíceis ou narrativas carregadas de algum tipo de drama, LIFTED segue pelo caminho contrário.

O primeiro projeto da Adventure Works, estúdio fundado pelo ex-Imagineer da Disney Jeffrey Ashbrook, aposta em uma aventura leve, divertida e cheia de personalidade. A inspiração nos filmes de aventura dos anos 80 é evidente, principalmente em clássicos como De Volta para o Futuro e Indiana Jones, mas o jogo consegue construir sua própria identidade ao misturar viagens no tempo, humor e exploração em uma campanha que pode ser terminada em poucas horas.
O resultado é uma experiência acessível, pensada para agradar tanto quem joga ocasionalmente quanto quem procura um bom jogo para relaxar entre aventuras mais longas. LIFTED não tenta reinventar o gênero, mas entrega uma campanha consistente, divertida e cheia de momentos carismáticos.
História
A aventura começa com Ari Buktu, um estudante que só queria conseguir alguns pontos extras na aula de física. O problema é que seu professor, Lionel Raventhorpe, não é exatamente uma pessoa comum…
Obcecado por história e apaixonado por uma professora da escola, Raventhorpe cria uma máquina do tempo chamada Anytime Elevator. Seu objetivo é encontrar a lendária tiara da rainha Nefertari para impressionar a mulher que ama. Ari acaba envolvido nessa missão completamente maluca e, acompanhado pelo professor e pela simpática chinchila Julius, passa a viajar por diferentes épocas da humanidade em busca de pistas e tesouros perdidos.
A narrativa nunca tenta parecer complexa. Ela funciona como uma grande aventura de sábado à tarde, cheia de piadas, situações absurdas e personagens exagerados. O roteiro também aproveita as viagens no tempo para apresentar figuras e locais históricos, adicionando um leve toque educativo sem parecer uma aula de história.
Alguns acontecimentos seguem caminhos previsíveis e boa parte das reviravoltas pode ser antecipada logo no início. Ainda assim, o carisma dos personagens mantém a campanha agradável do começo ao fim. Enfim, uma história que cumpre bem seu papel.
Jogabilidade
A jogabilidade é o ponto que mais pode dividir opiniões, mas também é onde LIFTED mostra suas melhores ideias. Na prática, estamos diante de um jogo de plataforma em 2.5D que mistura exploração, puzzles ambientais, perseguições e alguns momentos de ação.

A movimentação de Ari é simples, mas bastante responsiva. Saltar, escalar, balançar em cordas e superar obstáculos rapidamente se torna algo natural, permitindo que o jogador se concentre mais no cenário do que nos comandos.
Os quebra-cabeças são o grande diferencial da aventura. Em vez de criar desafios extremamente difíceis, o jogo aposta em enigmas inteligentes e variados. Em alguns momentos é preciso observar o ambiente para descobrir mecanismos escondidos. Em outros, o jogador precisa utilizar objetos do cenário na ordem correta para abrir novos caminhos. Nada chega ao nível de um grande puzzle game, mas existe variedade suficiente para manter a campanha interessante durante toda sua duração.

Outro acerto está na maneira como cada fase apresenta alguma novidade. Quase sempre há uma mecânica inédita ou uma pequena mudança na estrutura da exploração. Quando a plataforma começa a ficar repetitiva, surgem sequências de perseguição, fugas ou desafios que exigem reflexos mais rápidos.
Esses momentos ajudam bastante no ritmo da aventura. O jogo raramente permanece muito tempo fazendo a mesma coisa.
As viagens no tempo também contribuem para essa sensação de novidade. Cada período histórico possui obstáculos próprios, arquitetura diferente e pequenos elementos exclusivos de jogabilidade. Explorar uma tumba no Egito antigo transmite uma sensação completamente diferente de atravessar fortalezas medievais ou visitar cenários inspirados no Caribe.
O sistema de colecionáveis também merece destaque. Há diversos itens escondidos pelas fases que recompensam quem gosta de explorar cada canto do mapa. Eles não são obrigatórios para terminar a campanha, mas aumentam bastante o fator replay para jogadores mais dedicados.
A dificuldade foi claramente pensada para um público amplo. Os checkpoints aparecem com frequência e praticamente eliminam qualquer sensação de frustração. Existe até mesmo a possibilidade de escolher entre modos de dificuldade diferentes logo no início, permitindo uma experiência mais tranquila ou exigindo maior precisão durante as seções de plataforma.
Essa decisão torna LIFTED bastante convidativo para jogadores mais jovens ou para quem normalmente não joga muitos plataformas. Por outro lado, essa mesma acessibilidade acaba limitando parte do desafio.
Quem já tem bastante experiência com jogos do gênero provavelmente terminará a campanha rapidamente. Os quebra-cabeças dificilmente exigem muito raciocínio e boa parte das plataformas pode ser superada sem grandes dificuldades. Em alguns momentos também existe um excesso de cenas cinematográficas, reduzindo o tempo em que o jogador realmente está no controle da ação.

Ainda assim, a sensação geral é positiva. LIFTED entende que seu objetivo não é desafiar o jogador ao extremo, mas oferecer uma aventura divertida, bem-humorada e constantemente variada. Funciona.
Direção de arte
Visualmente, LIFTED é um jogo extremamente simpático. A influência da Disney fica evidente na construção dos personagens, nas animações e na forma como cada cenário parece fazer parte de uma grande atração temática.
Os ambientes são coloridos, vivos e cheios de pequenos detalhes que ajudam a contar a história sem depender apenas dos diálogos e acho isso muito bom.
Cada período histórico possui identidade própria. O Egito apresenta tumbas repletas de armadilhas e monumentos gigantescos. Já os cenários inspirados no Caribe exploram praias, navios e vegetação tropical, enquanto outras fases apostam em castelos cobertos de neve e ruínas antigas.

As animações são fluidas e deixam a movimentação bastante agradável. O trabalho de câmera durante as perseguições também merece elogios, dando um toque cinematográfico que combina perfeitamente com a proposta do jogo.
A trilha sonora acompanha bem cada momento da aventura, alternando músicas mais leves durante a exploração e composições mais intensas nas cenas de ação. A dublagem dos personagens também ajuda a fortalecer o humor da campanha, mesmo que algumas piadas funcionem melhor do que outras. É um jogo que merecia áudio em PT-BR.
Mais reviews: AQUI

Co-founder & PR / Press Manager at https://patobah.com.br |
Public Relations | News / Notícias | Articles / Artigos

