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LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas | PS5 Review

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LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

A história da LEGO nasceu na Dinamarca dos anos 1930, quando o carpinteiro Ole Kirk Christiansen começou a fabricar pequenos brinquedos de madeira que, décadas mais tarde, evoluiriam para os icônicos bloquinhos de plástico com encaixe perfeito. Conforme as gerações mudaram, a marca entendeu que o próximo passo lógico para expandir esse playground de criatividade seria invadir o mundo dos videogames.

Foi nos computadores e consoles, a partir do início dos anos 2000, que a TT Games encontrou a fórmula de ouro. Mas, diferentemente dos brinquedos físicos (onde a colaboração é puramente estética e estrutural para montar um boneco) o que , nos videogames essa parceria com grandes marcas da cultura pop ganhou uma dinâmica totalmente nova. Para o formato dar certo nas telas, empresas gigantes como a DC e a Warner precisaram dar liberdade total para a desenvolvedora satirizar suas propriedades mais valiosas.

O segredo passou a ser a pura galhofa, recheada de respeito ao material original: o jogo respeita a história do herói e adapta suas mecânicas reais em formato de gadgets, mas tem total autorização para fazer piada com o material de origem, humanizando os personagens com um humor leve e transformando o game num festival de fan service interativo para todas as idades.

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

No entanto, após décadas de absoluto sucesso repetindo essa mesma estrutura, a franquia de jogos LEGO passou por uma forte crise de identidade nos últimos anos.

Os títulos, que antes funcionavam perfeitamente como esse playground simples e divertido, começaram a soar desgastados e precisavam urgentemente apostar em novos estilos para se manterem relevantes no mercado moderno. Foi assim que, há quatro anos, tivemos o controverso LEGO Star Wars: The Skywalker Saga, um título ambicioso que dividiu o público entre os que adoraram as novas mecânicas de combate e exploração em mundo aberto e os que sentiram que a verdadeira essência minimalista de LEGO havia se perdido no processo. Esse cenário de incerteza deixou no ar uma grande dúvida: qual seria o próximo passo da desenvolvedora?

LEGO Batman
Agradecemos a Warner Bros. Games pela licença de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

PREMISSA E HISTÓRIA

A resposta veio na Gamescom de 2026, quando decidiram apostar novamente no maior e mais seguro ícone da DC: o Batman! Após 13 anos sem um título inédito focado exclusivamente no herói de blocos, a TT Games surpreendeu a todos com o anúncio de LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight, que chega com a proposta de usar toda a evolução técnica atual para ser um tributo definitivo a toda a jornada do Homem-Morcego.

Mas, como a franquia precisava de uma nova identidade, a grande virada foi trazer a fórmula da série Arkham para este novo universo. Os desenvolvedores conseguiram equilibrar perfeitamente o tom de paródia infantil com o respeito máximo à mitologia do personagem. É exatamente nessa linha tênue que nasce um título que não apenas celebra o legado do herói, mas choca ao trazer maturidade narrativa e uma evolução mecânica para a franquia.

Os jogos da franquia LEGO Batman sempre trouxeram narrativas inéditas. O primeiro título tinha fortes inspirações nos quadrinhos e nos filmes clássicos; o segundo focou na dinâmica do Homem-Morcego com a Liga da Justiça; já o terceiro expandiu o escopo para além de Gotham, concentrando-se nos Lanternas Verdes e no espaço. Em Legacy of the Dark Knight, o roteiro se transforma em uma mistureba bem direta de diversas eras cinematográficas do herói, funcionando bem quando decide trilhar seus próprios caminhos.

O grande ponto aqui é entender a proposta do enredo: o jogo não tenta contar apenas “uma” história isolada do Batman, mas sim todas as histórias possíveis do personagem ao mesmo tempo. Por conta dessa escolha de abraçar tudo de uma vez, o roteiro acaba assumindo uma estrutura bem simples e linear, o que não chega a ser um problema para o público leigo ou para quem busca apenas uma diversão descompromissada e legal de se acompanhar.

LEGO Batman
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

O game quebra as expectativas tradicionais logo na abertura, colocando o jogador no controle de um jovem Bruce Wayne em um prólogo jogável ambientado momentos antes do fatídico assassinato no Beco do Crime. Para os fãs de longa data, a surpresa vai além, pois o assassino de Thomas e Martha Wayne tem nome: Jack, que trabalha diretamente para a família mafiosa de Carmine Falcone, conectando a grande tragédia do herói às engrenagens do crime organizado desde o primeiro segundo.

Os primeiros passos da campanha são fortemente baseados no universo de The Batman, de Matt Reeves. Os equipamentos iniciais, o primeiro traje tático do Bruce (do Robert Pattinson), o Batmóvel estilo muscle car e até as feições do Comissário Jim Gordon remetem diretamente ao filme recente. O jogo brinca com um contraste visual divertidíssimo logo no começo: a icônica cena da perseguição na rodovia é recriada de forma idêntica ao longa de 2022, mas o vilão que o Batman está caçando ali é o Pinguim do Tim Burton de “Batman: O Retorno (1992)”, com o visual bizarro, esquisito e opulento clássico de Danny DeVito.

Esta inversão de expectativas se estende à Liga dos Assassinos. Em vez de Bruce viajar pelo mundo para encontrar seu mentor e rival, é o próprio Ra’s al Ghul quem vai até Gotham City atrás do Batman. O ritmo dessa introdução é bem movimentado, culminando com o herói derrotando o vilão e frustrando seus planos de destruição logo no prólogo.

O grande charme do título está em ser recheado de referências nostálgicas que instigam o jogador a prestar atenção em cada detalhe para pescar os easter eggs. A trilogia de Christopher Nolan é homenageada no roteiro, trazendo a marcante fala de Batman Begins que os fãs reconhecem na hora: “Por que caímos, Bruce?”. Além disso, os menus de dificuldade (“Caped Crusader” e “Dark Knight”) fazem referência direta aos títulos dos filmes do diretor. O nível de metalinguagem e piadas internas vai ainda mais longe, trazendo referências a outros papéis famosos da carreira dos próprios atores que já vestiram o capuz, como uma brincadeira sutil com o clássico Psicopata Americano, estrelado por Christian Bale.

Cada fim de capítulo apresenta uma mudança estética inspirada em uma era diferente (passando do visual de Matt Reeves, pelo tom gótico de Tim Burton de 1989 e 1992, até os tons mais sérios de Nolan), ilustrando de forma simples a evolução do Batman e o crescimento do seu nome em Gotham. Cada um desses blocos da história também introduz discretamente um vilão (como o Coringa) ou um aliado do herói (como a Mulher-Gato ou o Robin), pincelando suas origens de forma sutil, pois o foco aqui permanece inteiramente voltado para a celebração da jornada do próprio Batman.

COMBATE E EXPLORAÇÃO

Se a narrativa funciona bem como um grande tributo de amor ao Batman, o gameplay é onde o jogo realmente concentra seus esforços para cravar uma nova identidade. A TT Games finalmente abandonou o esmagar de botões sem propósito dos títulos antigos e trouxe um sistema de combate que resgata com fidelidade a essência da aclamada série “Arkham”. As lutas agora exigem cadência e ritmo, funcionando em um compasso preciso onde o jogador precisa de reflexos rápidos para apertar o botão de contra-ataque (counters), saltar sobre inimigos protegidos por escudos e ficar atento para desviar de projéteis lançados de longe.

A experiência é exatamente o que o fã mais nostálgico espera: à primeira vista, o ringue de luta pode parecer um caos generalizado de blocos voando, mas, com habilidade e método, o jogador consegue encaixar combos incríveis de 60, 80 ou até mais de 100 golpes em um único confronto. Como os comandos recebem uma assistência de direcionamento muito bem calibrada, é perfeitamente possível adotar a clássica tática dos jogos da Rocksteady, voando de um lado para o outro da arena para separar e isolar os inimigos.

LEGO Batman
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

Conforme você domina o ritmo, uma barra de Foco é preenchida, liberando o “Golpe Devastador” (Takedown), que destrói os oponentes instantaneamente. Essa profundidade se estende para o Modo Furtivo (Stealth), que funciona de verdade através do uso de shurikens para distrair ameaças ou eliminar inimigos silenciosamente, além de Quick Time Events (QTE) que surgem para ditar o tom cinematográfico.

No entanto, mesmo jogando no modo “Cavaleiro das Trevas”, a dificuldade mais alta do game, a experiência não chega a ser punitiva ou altamente desafiadora. O combate se mantém extremamente bom, fluido e responsivo, mas com uma curva de dificuldade muito sutil, algo totalmente compreensível e relevante quando lembramos que o foco principal do título ainda é a faixa de idade infanto-juvenil. O único ponto que realmente quebra um pouco dessa fluidez impecável é a Inteligência Artificial do parceiro que acompanha o herói, que falha em momentos cruciais de posicionamento, chegando a ficar no caminho e atrapalhar a movimentação e os combos do jogador.

Já na exploração, o jogo conserta um dos maiores erros do passado recente da desenvolvedora, pois a mecânica de construção voltou a ser prática e ágil, bastando segurar o botão Triângulo no DualSense para erguer as peças, deixando de lado o burocrático sistema de contorno analógico visto em LEGO Star Wars: The Skywalker Saga.

Por outro lado, o ritmo da exploração de verdade demora um pouco para engrenar, pois o progresso depende diretamente dos gadgets e das habilidades específicas de cada herói que você só desbloqueia avançando pela campanha, o que obriga o jogador a revisitar locais mais tarde. A variedade de gameplay entre os aliados é imensa e cada um tem utilidades bem criativas. O Comissário Jim Gordon usa um atirador de chiclete para vedar vazamentos pesados e uma pistola cujos tiros ricocheteiam nas paredes para acessar botões inacessíveis. A Mulher-Gato usa seu chicote para girar ou “desparafusar” engrenagens e pode invocar um gatinho para acessar tubulações muito apertadas.

O Robin usa seus bastões como alavanca em encaixes de parede, possui um Batarangue que mira em múltiplos alvos simultaneamente e carrega uma besta especial que dispara cabos de um ponto X a um ponto Y para criar tirolesas. Já a Batgirl foca em tecnologia através do seu Hackarangue, capaz de invadir terminais de segurança à distância, e usa um drone que auxilia para acessar locais inalcançáveis.

O Asa Noturna traz o mesmo layout que o Robin mas muda que agora ele pode usar a eletricidade que servem para carregar geradores sem energia. Por fim, Talia al Ghul fecha o elenco focando em um combate completamente diferente dos demais, sendo capaz de dar um pique ninja para se teletransportar para trás dos inimigos (sim, ela se TELETRANSPORTA e dispara dardos tranquilizantes de Nanda Parbat para fazer os capangas dormirem instantaneamente). Toda essa cooperação acontece em uma Gotham City massiva e dividida em 4 ilhas repletas de distritos que impressionam pela verticalidade, permitindo um deslocamento livre usando o arpéu (Grappling Hook) e o planeio (Glide).

Para movimentar a economia do jogo, a TT Games introduziu as lojas do Bat-Mirim (Bat-Mite), que aparecem espalhadas por vários distritos da cidade e também dentro da própria Batcaverna. É nessas lojas que o jogador gasta os baús de peças coletados pelo mapa para comprar decorações e móveis para customizar livremente a Batcaverna, além de trajes alternativos simples, lembrando que os veículos só podem ser adquiridos especificamente dentro do hub da Batcaverna.

A pilotagem por Gotham é muito fluida e gostosa, a navegação tanto dos carros quanto das motos é um ponto bem divertido. O que eu sempre amo em jogar no PlayStation 5 é pelo fato dos gatilhos adaptáveis: a pressão e a resposta tátil do controle ao acelerar geram uma sensação fantástica que só quem já sentiu vai entender o que eu estou falando. Contudo, há uma pequena observação na física: as motos dão a sensação de serem um pouco travadas nas curvas, carregando praticamente o mesmo peso bruto dos automóveis de quatro rodas.

O jogo traz roupas e transportes icônicos inspirados nos quadrinhos e no cinema, como o visual clássico de Adam West de 1966, que já apareceu em LEGO Batman 3 e volta aqui com gráficos mais bonitos; também tem o meu xodó, que é o traje de “Cavaleiro das Trevas” de 1986 do Frank Miller, que tem aquele icônico morcego mais parrudo no peito; temos até mesmo o traje do Batman Medieval, com aquela armadura de cavaleiro do século XIV, e todos os visuais dos cinemas, incluindo os veículos desbloqueáveis, como o blindado de Christopher Nolan (Tumbler), a armadura com mamilos do Joel Schumacher e o trapo que tenta imitar o visual do Cavaleiro das Trevas do Zack Snyder.

Um aspecto bem legal e de grande capricho está no menu: cada um dos trajes e veículos vem acompanhado de uma descrição rápida e até mesmo cômica contando a sua origem nas telas ou nas HQs, como por exemplo a do traje de “Batman vs Superman“, que vem com a descrição de “O nome da mãe dele TAMBÉM é Martha!”. Vale notar que os carros e visuais mais interessantes não são comprados, mas sim conquistados ao cumprir as missões principais e secundárias pela cidade.

LEGO Batman
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

O mapa é recheado de atividades secundárias que ajudam a evoluir os personagens. Os Baús Wayne fornecem chips fundamentais para melhorar e evoluir permanentemente os gadgets na árvore de habilidades. Já o Mural de Criminosos propõe um sistema de investigação onde coletamos três pistas sobre um procurado e, ao deduzir sua identidade, vamos até o local indicado para prendê-lo, embora essa atividade decepcione um pouco por não ter um combate, bastando apenas algemar um NPC genérico que bate com o retrato falado.

Os Troféus do Charada estão muito mais divertidos e dinâmicos de resolver do que na série Arkham, variando entre quebra-cabeças lógicos para conectar pontos de energia, destruir objetos específicos no cenário ou acertar alvos em sequência com o Batarangue. Em paralelo, o jogo introduz o Mestre das Pistas (Cluemaster), um vilão que imita a dinâmica do Charada, mas com enigmas baseados em quebra-cabeças bem mais simples e diretos, que não sofrem com a falta de explicação de alguns desafios de Edward Nigma.

A exploração ganha força com novos eventos dinâmicos espalhados pelo mundo aberto, como missões para destruir as raízes invasoras da Hera Venenosa e uma das melhores cadeias de missões secundárias do game: as pistas de cena de crime do Detetive Harvey Bullock. Nelas, o jogador precisa ir a locais específicos, coletar evidências e ligar os pontos; após resolver sete desses casos, você finalmente localiza e enfrenta o Crocodilo em um confronto muito bacana e de mentirinha que foi realizado para livrar o Croc da cola dos policiais.

O mundo aberto se completa com corridas contra o tempo, desafios de combate, localização de animais fugitivos do Zoológico de Gotham (onde você instala um rastreador para o resgate), invasão de cofres para recuperar o dinheiro lavado pela máfia de Sofia Falcone e os crimes esporádicos que surgem aleatoriamente, como impedir assaltos a pedestres, perseguir bandidos a pé pelas calçadas ou interceptar veículos em alta velocidade.

No entanto, conforme avancei para tentar limpar o mapa e focar na maior parte do conteúdo disponível, ficou evidente que LEGO Batman foi projetado sob medida para ser jogado de forma cooperativa por duas pessoas. Quando você decide encarar essa jornada inteiramente sozinho, a repetitividade inerente à fórmula LEGO cobra o seu preço e se torna maçante. Não chega a ser um mar de tédio completo que te faça querer dropar o jogo, mas jogar solo se mostra uma experiência cansativa que esgota a energia do jogador muito mais rápido. Esse problema escancara uma deficiência antiga da desenvolvedora que já passou da hora de ser corrigida: a falta de um modo multiplayer online.

A insistência em manter o cooperativo funcionando apenas de forma local é uma escolha que parou no tempo.

Por mais que a nostalgia de se reunir com amigos no sofá seja bacana, a realidade para o jogador adulto é que o tempo e a rotina tornam esse tipo de encontro quase inacessível. A inclusão de uma funcionalidade online facilitaria demais a jogabilidade no dia a dia, permitindo que as pessoas se divertirem juntas sem as barreiras da distância física. É aquele ciclo clássico: você joga sozinho, cansa da repetição das atividades pela falta de uma companhia prática, dá uma pausa para respirar e, depois de um tempo com as energias recarregadas, sente vontade de voltar para aquele universo.

A presença de um modo online com certeza eliminaria essa fadiga, mas, mesmo com esse desgaste natural na jornada solo, o ecossistema funciona muito bem e entrega uma Gotham City digna e divertida para o Cavaleiro das Trevas no mundo dos blocos.

GRÁFICOS/DIREÇÃO DE ARTE

Visualmente, LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight entrega o trabalho mais impressionante e maduro da história da TT Games. A representação de Gotham City é incrivelmente linda e viva, quebrando aquela sensação de “cidade fantasma” de mundos abertos anteriores graças a uma enorme quantidade de NPCs e veículos circulando constantemente pelas ruas.

O nível de detalhamento técnico dos gráficos é de outro mundo e chega a assustar pelo realismo: tudo o que é feito de LEGO realmente parece um brinquedo de verdade renderizado na tela. O efeito climático é um show à parte, mostrando as gotículas de chuva caindo e escorrendo detalhadamente pelas peças de plástico dos personagens. Esse capricho se estende à física dos blocos, fazendo com que os carros, conforme são pilotados pela cidade, acumulem marcas de desgaste, arranhões e aquela sujeira opaca característica que realmente acontece quando brincamos com os blocos da marca na vida real.

LEGO Batman
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

Para amarrar toda essa atmosfera, a trilha sonora funciona como o ápice do fan service, fazendo uma curadoria espetacular que mistura os temas clássicos e nostálgicos da própria franquia LEGO Batman com as composições mais icônicas vindas diretamente dos cinemas, séries e animações do Homem-Morcego. No aspecto técnico, a experiência no PlayStation 5 é impecável. O jogo roda com uma performance extremamente sólida, sem apresentar problemas técnicos graves, quedas de quadros (framerate) ou travamentos que estraguem a imersão. Os raros bugs que dão as caras durante a jogabilidade são puramente visuais e inofensivos — daqueles típicos de jogos de mundo aberto que servem mais para fazer o jogador dar risada do que para comprometer o progresso ou atrapalhar a gameplay.

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight me surpreendeu muito mais do que eu esperava. É um jogo que carrega uma nostalgia gigantesca, seja para quem acompanhou o Homem-Morcego nos cinemas durante todos esses anos ou para pessoas que, assim como eu, jogam LEGO Batman desde a infância. É claro que a qualidade do título vai muito além do apelo nostálgico, pois, tanto na parte técnica quanto na entrega de conteúdo, ele se consolida facilmente como o melhor LEGO já feito.

É nítido que foi um trabalho desenvolvido com muito amor pelo pessoal da TT Games. No passado, os jogos da franquia pareciam seguir a fórmula de lançamentos anuais como FIFA e Call of Duty, mas agora a desenvolvedora está realmente investindo em experiências mais robustas e bem estruturadas. Afinal, é LEGO, né? Se o negócio não for bem construído, fica totalmente fora do manual (peço desculpas pelo trocadilho de tiozão, mas tive minhas influências por aqui!).

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

Diante de tantas mudanças na exploração e no combate, este é facilmente o projeto da desenvolvedora que menos se parece com um LEGO tradicional visualmente, mas que não perdeu de forma alguma a sua essência.

Afinal, a verdadeira alma de um jogo da marca sempre foi a capacidade de unificar gerações através de uma abordagem leve, permitindo que um adulto e uma criança, seja um pai e um filho, ou dois amigos de longa data, se sentem juntos e aproveitem a jornada com o mesmo entusiasmo. A marca está tão presente nas nossas vidas nos videogames desde o início dos anos 2000, quando os primeiros títulos foram lançados, que essa conexão já faz parte de quem somos. Por isso, evoluir o gameplay e a história não destrói o DNA do jogo, apenas o moderniza.

Para você que ainda está na dúvida se investe ou não nesse game, o meu veredito é simples: se você adora o universo do Batman e guarda um carinho especial pelos jogos LEGO, não há muito o que pensar. Este é, sem dúvidas, o jogo certo para você. A única ressalva que faço, e que reforço aqui com todas as minhas forças, é a necessidade urgente de um modo cooperativo online; a franquia já passou da hora de ter essa opção para se adaptar à rotina de quem cresceu e hoje precisa de praticidade para jogar com os amigos. No mais, pode ir sem medo.

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PATÔMETRO
Conclusão
LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é uma das experiências mais únicas e diferenciadas de jogos baseados em blocos dos últimos anos. O jogo pegou os melhores elementos da franquia e combinou-os com maestria com a consagrada fórmula da série Arkham para criar uma obra coesa, linda e madura, que moderniza a identidade da TT Games. A narrativa funciona como um tributo nostálgico de encher os olhos, a evolução do sistema de combate e da exploração esbanja profundidade e a trilha sonora possui personalidade e apelo de fan service, como raramente se vê por aí. Infelizmente, alguns probleminhas que incomodam um pouco (como a exploração solo um pouco chata e a insistência retrógrada em não incluir um modo multiplayer online) impedem o jogo de alcançar a quase perfeição e se sobrepor completamente à saturação do mercado atual. Ainda assim, é um jogo obrigatório para todos os fãs do Homem-Morcego, entusiastas da fórmula LEGO e apreciadores de uma jogabilidade fluida em um mundo aberto originalmente bem construído.
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PROS
Estética extremamente original: Visual maduro, detalhado e impressionantemente realista, que se destaca de qualquer outro jogo LEGO tradicional.
Tributo nostálgico e rico à mitologia: Uma história que abraça diversas eras cinematográficas e das HQs, recheada de referências e easter eggs.
Evolução mecânica brutal no combate: O sistema de lutas abandonou o esmagar de botões e resgatou com fidelidade a fluidez, o ritmo e os combos da série Arkham.
Mecânicas de exploração e cooperação aprimoradas: O retorno prático do sistema de construção e a enorme variedade de habilidades e gadgets criativos entre os aliados.
Gotham City massiva e vertical: Um mundo aberto vivo, cheio de NPCs, tráfego e atividades secundárias dinâmicas, com uma pilotagem de veículos muito fluida.
Trilha sonora e capricho técnico impecáveis: Curadoria espetacular que mistura temas clássicos dos cinemas com ótima performance e suporte aos gatilhos adaptáveis do PS5.
CONTRAS
Falta de um modo multiplayer online: A insistência em manter o cooperativo apenas de forma local sabota a rotina do jogador moderno e acelera o cansaço do jogo solo.
Repetitividade um pouco maçante na jornada solo: Sem um parceiro real, as atividades de limpar o mapa cobram o preço e tornam a experiência cansativa.
9
NOTA FINAL

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