Boa Leitura!

Lara Croft: Temple of Osiris | Android Review

Lara Croft: Temple of Osiris é um jogo que parece ter sido feito depois de alguém perguntar: “E se colocássemos Tomb Raider em uma visão isométrica, enchêssemos tudo de inimigos, armadilhas e ainda deixássemos a Lara atirar em praticamente qualquer coisa?”. A resposta foi esse jogo.

Originalmente lançado para consoles e PC, ele chegou ao Android pelas mãos da Feral Interactive, que adaptou a aventura para celulares e tablets com suporte a controles físicos, mouse e teclado compatíveis.

A proposta mistura exploração de tumbas, plataformas, quebra-cabeças e tiroteios. Não é um Tomb Raider tradicional em terceira pessoa, daqueles em que Lara passa horas escalando montanhas e olhando para paisagens bonitas. Aqui, a arqueóloga está mais preocupada em explodir mortos-vivos, atravessar buracos gigantes e resolver enigmas enquanto provavelmente pensa em cobrar hora extra de quem construiu aquelas tumbas.

A história é simples, mas combina com o estilo da aventura. Lara precisa reunir os Fragmentos de Osíris e impedir que Set, o deus do mal, escravize toda a humanidade. Para isso, ela conta com a ajuda do aventureiro Carter Bell e dos deuses egípcios Ísis e Hórus. É uma trama de fantasia bem direta, feita mais para levar o jogador de uma tumba para outra do que para apresentar grandes reviravoltas. O mundo está acabando, o deus maligno está solto e, como sempre, sobra para a Lara resolver tudo enquanto o resto do pessoal provavelmente está ocupado demais olhando.


Gameplay


O grande destaque de Temple of Osiris é a mistura de ação, exploração e quebra-cabeças. Toda essa aventura acontece em uma visão isométrica, com a câmera mostrando uma boa parte do cenário e permitindo enxergar inimigos, plataformas, armadilhas e caminhos escondidos. Essa perspectiva funciona muito bem para o estilo do jogo, porque deixa os combates mais movimentados e transforma os desafios de plataforma em uma espécie de mistura de Tomb Raider com jogo de ação arcade.

Lara

O combate usa dois “analógicos”: Um controla a movimentação da Lara e o outro serve para mirar e disparar. Na prática, isso deixa a personagem correndo em uma direção enquanto atira para outra, o que é bastante útil quando uma sala começa a ficar cheia de esqueletos, monstros e outras criaturas que claramente não receberam autorização para estar ali. Também é possível pular, esquivar e rolar para escapar dos ataques. O ritmo é rápido, principalmente quando aparecem grandes grupos de inimigos, e a sensação é bem diferente daquela exploração mais cuidadosa dos Tomb Raider tradicionais.

A variedade de armas ajuda a manter os combates divertidos. Lara começa com as pistolas duplas clássicas, mas pode utilizar escopetas, metralhadoras e lança-chamas. Cada arma muda um pouco a maneira de lidar com os inimigos. As pistolas são úteis para ataques mais controlados, enquanto a escopeta resolve problemas de perto e o lança-chamas transforma uma sala cheia de mortos-vivos em uma festa junina egípcia. O arsenal não é apenas uma troca visual, já que escolher a arma certa pode facilitar bastante determinados encontros.

Também existem anéis e amuletos que melhoram os atributos da personagem. Esses equipamentos ajudam a aumentar o poder de fogo e outras características, criando uma camada simples de progressão. Não é um sistema extremamente complexo, mas funciona bem para dar aquela sensação de que Lara está ficando mais preparada para enfrentar tumbas cada vez mais perigosas. Afinal, se você vai invadir um lugar amaldiçoado, o mínimo esperado é sair de lá com uma arma melhor e talvez algumas joias roubadas de uma civilização antiga para enviar para alguns museus pelo mundo.

Lara

Os quebra-cabeças são outra parte importante da experiência. As tumbas possuem mecanismos, interruptores, plataformas móveis, objetos que precisam ser empurrados e desafios que exigem atenção. Alguns enigmas são tranquilos e servem apenas para interromper um pouco os tiroteios. Outros conseguem fazer o jogador parar, olhar para o cenário e pensar: “Não é possível que eu esteja preso nisso”. E geralmente está. O jogo não tenta ser um simulador de alta inteligência, mas oferece desafios suficientes para evitar que tudo vire apenas correr e atirar.

A parte de plataforma também aparece bastante. Lara precisa saltar sobre buracos, usar elementos do cenário e passar por áreas cheias de armadilhas. A visão isométrica deixa algumas situações mais difíceis de calcular, principalmente quando a câmera não mostra perfeitamente a distância ou a posição de uma plataforma. Isso pode gerar mortes que parecem injustas, mas também faz parte do charme da aventura. Lara é uma das maiores exploradoras de tumbas do mundo, mas aparentemente ainda não conseguiu desenvolver um bom relacionamento com o botão de pulo.

As armadilhas são responsáveis por boa parte da tensão. Espinhos, explosões, mecanismos escondidos e outros perigos aparecem durante a exploração. Muitas vezes, o jogador precisa observar o padrão do cenário antes de avançar. Não adianta sair correndo como se estivesse atrasado para o trabalho, porque a tumba não tem compromisso com sua agenda. Um passo errado pode mandar Lara para o outro lado do mapa e obrigar você a repetir uma parte do desafio.

A campanha pode ser jogada sozinho, mas também existe cooperativo on-line para até quatro jogadores. Além de Lara e Carter Bell, os jogadores podem controlar Ísis e Hórus. O modo cooperativo muda bastante a experiência, porque alguns desafios podem ser resolvidos com a participação de mais de uma pessoa. Enquanto um jogador ativa um mecanismo, outro pode atravessar uma plataforma ou cuidar dos inimigos. Claro que também existe a possibilidade de todo mundo se atrapalhar ao mesmo tempo, mas isso faz parte da diversão. Poucas coisas são tão engraçadas quanto quatro pessoas tentando resolver um quebra-cabeça simples e transformando o local em uma reunião de condomínio.

Lara

O cooperativo também pode deixar os combates mais caóticos. Com quatro personagens atirando, rolando e pulando ao mesmo tempo, a tela pode ficar cheia de efeitos, inimigos e explosões. Isso é divertido quando todos estão coordenados, mas pode virar uma bagunça quando cada jogador decide seguir para um lado. O jogo permite jogar com amigos, mas não garante que esses amigos tenham o mínimo de noção de direção. Nesse caso, Set talvez nem precise escravizar a humanidade. Basta esperar o grupo se separar.

Além da campanha, existem colecionáveis escondidos, desafios de tempo e pontuações para quem gosta de repetir as fases. Isso aumenta a duração para quem deseja completar tudo, mas também revela uma característica importante do jogo: ele foi pensado para ser jogado várias vezes. Quem terminar a aventura e não tiver interesse em buscar segredos ou melhorar pontuações pode sentir que já viu praticamente tudo. A estrutura é divertida, porém não possui a mesma profundidade de um Tomb Raider tradicional.

No Android, a adaptação tem como principal vantagem a possibilidade de jogar uma aventura originalmente feita para consoles em uma tela portátil. A Feral Interactive oferece controles de toque personalizáveis e suporte completo a gamepads, além de mouse e teclado compatíveis. Para esse tipo de jogo, o controle físico é claramente a opção mais confortável. Os dois analógicos virtuais funcionam, mas a combinação de movimentação, mira, esquiva e pulo pode deixar os dedos fazendo hora extra. Jogar na tela é possível, mas jogar com controle deixa tudo mais natural.

A exigência de hardware também merece atenção. O jogo precisa de Android 13 ou mais recente e cerca de 4,5 GB de espaço livre, recomendo um pouco mais para evitar qualquer problema na instalação.

Lara

Outro ponto é que o primeiro nível pode ser jogado gratuitamente antes do desbloqueio completo por uma compra única. Essa é uma escolha muito bem-vinda, principalmente em um jogo para celular. Em vez de depender de energia, anúncios intermináveis ou uma coleção de moedas coloridas, o jogador pode testar a aventura e decidir se vale a pena continuar. É uma forma honesta de apresentar o produto, ainda que o preço possa variar de acordo com a região e a loja.


Direção de arte geral


A direção de arte mantém o estilo cartunesco e colorido de Temple of Osiris. As tumbas egípcias são cheias de estátuas, templos, mecanismos, lava, areia e armadilhas. O visual não tenta ser realista, mas combina bem com o ritmo mais arcade da aventura. Lara, Carter e os deuses egípcios possuem um design estilizado, enquanto os inimigos são facilmente reconhecidos durante os combates.

Os cenários conseguem variar o suficiente para evitar que toda a aventura pareça acontecer na mesma sala de pedra. Existem áreas com diferentes perigos e elementos visuais, e os efeitos de explosão ajudam a deixar os combates mais chamativos. Quando vários inimigos aparecem ao mesmo tempo, a tela fica cheia de disparos e partículas. É quase uma visita turística ao Egito, só que com muito menos segurança e com o guia tentando incendiar tudo.

A visão isométrica também ajuda a apresentar os ambientes de maneira clara. O jogador consegue enxergar caminhos, plataformas e inimigos com facilidade na maior parte do tempo. Porém, em alguns desafios de salto, a perspectiva pode atrapalhar a noção de profundidade. O visual é bonito dentro da proposta, mas não é exatamente uma demonstração tecnológica. O destaque está mais na direção colorida e na leitura dos cenários do que em gráficos realistas.

No Android, a adaptação parece seguir a mesma proposta visual da versão original, mas a experiência depende bastante do aparelho utilizado. A necessidade de espaço livre e a lista de dispositivos compatíveis mostram que não é um jogo extremamente leve e otimizado.

Lara Croft: Temple of Osiris | Android Review Lara

Lara Croft: Temple of Osiris | Android Review Lara
PATÔMETRO
Conclusão
A mistura de tiroteios, plataformas e desafios de lógica funciona bem, principalmente quando o jogo coloca o jogador em salas cheias de inimigos e armadilhas. O arsenal variado, os equipamentos e o cooperativo para até quatro pessoas ajudam a deixar a experiência mais completa. A adaptação para Android é uma boa maneira de levar esse tipo de aventura para celulares e tablets. O primeiro nível gratuito é um ponto positivo, e o suporte a controles físicos faz bastante diferença. Jogar na tela funciona, mas quem tiver um gamepad compatível provavelmente terá uma experiência mais confortável. Também é importante conferir os requisitos do aparelho antes de comprar, porque o jogo exige bastante espaço, processamento e Android 13 ou superior.
Notas do Visitante0 Votes
0
PROS
Boa mistura de ação, exploração e quebra-cabeças.
Variedade de armas, como pistolas, escopetas, metralhadoras e lança-chamas.
Cooperativo on-line para até quatro jogadores.
Pode ser jogado com controle, mouse e teclado no Android.
Boa opção para jogar uma aventura estilo console no celular.
Colecionáveis, desafios de tempo e pontuação aumentam a duração.
CONTRAS
História simples e pouco desenvolvida.
Combates podem ficar repetitivos depois de algumas horas.
Jogar na tela pode ser desconfortável em momentos mais intensos.
8
NOTA FINAL

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
Threads
Email

Categorias