Boa Leitura!

Isle of Reveries | Nintendo Switch review

Será possível que uma pequena coruja, munida apenas de determinação e um bom coração, consiga sozinha vencer e chegar onde nenhum outro animal chegou? Lief, nossa protagonista de Isle of Reveries, é mesmo capaz de mudar um mundo que representou e ainda representa a condenação para dezenas de outros aventureiros?
Isle of Reveries
Obrigado, Electric Airship

Respostas para essas e outras perguntas você só encontrará em Isle of Reveries, o mais novo lançamento da desertucco, distribuído na plataforma Switch pela Electric Airship. A estes dois representantes, agradeço imensamente não só pelo excelente trabalho, mas também pela oportunidade de testar por horas um dos títulos mais diferentes que já peguei até agora no meu tempo com um Nintendo Switch.

Obrigado também a você, leitor, a quem convido a continuar acompanhando esta análise.

Um encontro de estilos extremamente positivo.

Ainda que possua apenas duas tags quando visto na Loja da Nintendo (seja diretamente no aparelho ou externamente), gosto muito mais da classificação que os desenvolvedores optaram por atribuir na plataforma Steam. Lá, o jogo se define como um Metroidvania, acompanhado por elementos de Pixel Graphics, Fantasy e um apelo estético Retro; uma junção de nomes e sinalizações com a qual eu não poderia concordar mais.

Essa mesma junção que pode soar previsível desse conjunto de elementos, ainda assim consegue guardar uma surpresa satisfatória pela forma antropomórfica e humanizada com que os animais recebem e exercem seu direito à vida nesta aventura.

Aqui, alguns personagens confinados a uma prisão podem ser libertados para se tornarem parte do nosso projeto comunitário. Eles retornam não apenas gratos por terem sua vida de volta e arrependidos pelos caminhos que tomaram, mas também, na maioria das vezes, profundamente reflexivos sobre o que os levou àquela prisão espiritual.

Lief, a pequena coruja que protagoniza a jornada, é igualmente fascinante, trazendo uma camada profunda sobre seus laços familiares e sobre a forma como se relaciona com o bando que a acompanha no início. Enfrentar chefões e fazer novas amizades ao longo do caminho complementa o arco da protagonista, que, embora não precise carregar o peso de todo o universo narrativa sozinha, mostra-se uma excelente adição ao escopo da aventura.

Isle of Reveries | Nintendo Switch review

Este mundo repleto de masmorras também é deslumbrante em seu estilo retrô. Ao todo, oito biomas estão disponíveis, além de sete masmorras diferentes, cada qual com seus próprios temas, inimigos típicos, mecânicas exclusivas e itens que, na maioria das vezes, são essenciais para a progressão. Há um valor considerável em explorar cada canto do mapa o que, felizmente, ocorre de forma bastante natural, já que há poucas áreas puramente ‘opcionais’ ou escondidas para quem decide não explorar a fundo. O que nesses casos, o que realmente muda para quem vasculha cada milímetro é apenas o ritmo do jogo e a ordem dos locais que você decide visitar.

Ainda existem também barreiras invisíveis ou contextuais que impedem o acesso a certas áreas, mas tratam-se geralmente de obstáculos superáveis quando você obtém a ferramenta correta para mover um objeto, quebrar uma barreira, transformar-se ou interagir com o cenário. A presença da fada companheira também se revela indispensável conforme o jogo avança, funcionando não só como um importante elemento narrativo, mas como uma engrenagem necessária para que esta jornada aconteça.

A comunidade em que todos se reunem, como citei anteriormente, funciona também como um ponto de eterno retorno. Você vai querer ir e vir dela à medida que evolui, investindo os materiais coletados pelo mundo em troca de itens, recompensas, histórias e missões particulares que dão vida a esses contos paralelos.

Isle of Reveries | Nintendo Switch review

Isle of Reveries possui um modo cooperativo focado na manipulação ambiental e na presença da fada, mas eu honestamente optei por jogar a jornada inteira sozinho, sem qualquer ajuda externa e uma experiência que, garanto, entrega ainda mais valor e desafio.

O mundo aberto projetado em um portátil.

Por incrível que pareça, desde que vi o estilo artístico adotado pelos desenvolvedores de Isle of Reveries divulgado em uma postagem da própria empresa durante uma promoção de lançamento no Twitter, eu já sabia exatamente o que encontraria e o quanto aquela estética me agradaria.

E quando finalmente tive acesso ao jogo e vi essa composição fantástica transportada para a tela do Switch, percebi também que o melhor lugar para experimentá-la seria no modo portátil do meu OLED.

Foram ótimas horas me desafiando tanto nas áreas iniciais quanto no restante do que a campanha tem a oferecer. Toda a fase de tutorial, que escala para o acesso ao mundo superior e culmina no primeiro confronto contra um chefão, não apenas estabeleceu a média de progressão do mundo aberto, mas também evidenciou as capacidades e os desafios que o título traria.

Não achei os controles confusos, exceto por pequenos deslizes da minha parte, ainda me acostumando com a dinâmica de jogar em um portátil. E mesmo ciente da versatilidade de adaptar o jogo para telas maiores, fiz questão de ver como os desenvolvedores lidaram com a otimização de uma experiência que depende tanto da nossa capacidade de nos situarmos naquela construção de mundo.

As rotas são mais estreitas, sim, e a estrutura de Metroidvania, aplicada a uma movimentação com algum peso de tradicionalidade, encaixa-se muito bem. Com um número limitado de caminhos em um mesmo cenário, fica mais fácil compreender para onde ir e para onde retornar.

Isle of Reveries | Nintendo Switch review

As barreiras, sejam decorrentes da falta de uma ferramenta específica ou de bloqueios contextuais, não chegam a ser maçantes; pelo contrário, delimitam bem o fluxo de idas e vindas. Os quebra-cabeças (elemento que pretendo detalhar melhor no próximo tópico) também não são excessivamente difíceis, embora o primeiro contato na torre inicial possa incomodar um pouco pela falta de clareza em certos elementos, somada à facilidade de errar um salto e despencar direto para o primeiro andar, o que é um tanto frustrante naquela situação específica.

O famigerado ‘vai e vem’ também é bastante constante aqui, mas visualmente o processo é suavizado pela excelente escolha da paleta de cores, que garante uma distinção clara entre os cenários e os inimigos. Vez ou outra você pode se sentir perdido, mas basta tentar se reorientar no mapa ou simplesmente seguir em frente até encontrar um novo destino ou bater de frente com mais uma barreira narrativa.

Batalhas sim, mas o que importa são os puzzles.

Por mais que o que fique visualmente mais marcante em Isle of Reveries seja a estética de Metroidvania e os combates que os materiais promocionais tanto destacaram, para mim, enquanto jogador e restrito à minha experiência individual, se eu tivesse de recomendar ou alertar sobre algo neste título, faria questão de falar da genialidade dos seus quebra-cabeças/puzzles.

Antes de chegar nesses desafios lógicos, é necessário sim andar pelo mapa de uma ponta à outra, algo que pode se tornar cansativo, mas felizmente na maior parte das vezes é possível evitar muitos dos confrontos, seja desviando de ataques e projéteis, seja correndo ou se esquivando pelo cenário. O que levando em conta a existência de um rigido limitador de dano antes de batermos as botas e retornarmos ao ponto de salvamento mais próximo, faz com que toda essa soma de fatores nos mantenha em constante estado de alerta; para só então relaxarmos quando chegamos a esses desafios. E é exatamente aqui que mora o verdadeiro brilho de Isle of Reveries.

Cada puzzle, dependendo da masmorra e do bioma em que você se encontra, manifesta-se de uma maneira criativa que quase sempre se aproveita dos desbloqueios e melhorias recém-adquiridos pelo personagem naquela região do jogo. Seja um novo ataque, uma habilidade de movimento, um salto estendido, um percurso alternativo ou uma mecânica inédita de mapa, cada descoberta é reafirmada e reaproveitada de forma brilhante nessas partes.

Até mesmo as lutas contra os chefões vez ou outra utilizam mecanismos do próprio cenário, por exemplo quando: é preciso as vezes interagir com o ambiente para enfraquecer ou neutralizar uma investida do chefe, abrindo brechas para desferir sequências de dano que devem ser repetidas até que a vitória seja finalmente alcançada.

Isso tudo pra mim foi uma combinação extremamente positiva que, embora possa afastar jogadores mais apegados à ação frenética pura e simples, foi pra mim um ambiente e uma surpresa, pra lá de agradável.

Como foi minha experiência no Switch?

Esse tópico é parte de uma grande reafirmação de tudo o que eu já falei até aqui.

Isle of Reveries é um jogo impressionante em dispositivos portáteis, contando com uma paleta de cores bastante interessante e uma composição de cenários que se encaixa muito bem na tela do Switch OLED. As cores não são excessivamente vibrantes, mas também não ficam apagadas; pelo contrário, encontram um equilíbrio visual excelente.

A organização dos elementos na tela é muito positiva e por mais que, no que tange aos controles, eu ainda estivesse um pouco perdido devido ao meu curto tempo de convivência com o console (e não por falha na distribuição de comandos), vale a pena registrar esse ponto. Talvez uma pequena crítica recaia sobre o volume de itens e habilidades que vamos conquistando em contraste com a quantidade limitada de botões que qualquer controle tradicional possui, algo bem diferente da versatilidade de um teclado.

No mais, o ritmo do jogo pode testar a paciência dos menos desacostumados, e o constante ‘vai e vem’ por uma mesma área, sempre torcendo para alcançar um objetivo ou acabar dando de cara com mais uma parede invisível ou obstáculo narrativo; pode sim, gerar momentos de frustração.

Agradecimentos.

Meu muito obrigado aos desenvolvedores da desertucco e aos seus respectivos distribuidores pela parceria e pela confiança depositada não só no meu trabalho, mas também no dos amigos da Patobah.

Desejo muito sucesso e aguardo ansiosamente por novos títulos tão deslumbrantes, adoráveis e divertidos quanto este.

Pontos positivos: Puzzles criativos, Lutas de chefão criativas, Protagonista, Mundo, Trilha sonora.

Pontos negativos: Ritmo pode ficar chato a depender do seu gosto, Repetição de cenários e rotas pode ficar massante. 

Isle of Reveries | Nintendo Switch review
VEREDITO PATOBÁH

PATÔMETRO

Isle of Reveries é uma divertida aventura com alguns poucos elementos cooperativos, mas que, em suma, é uma excelente experiência para quem gosta de gráficos retrô e de uma gameplay um pouco mais cadenciada. Há poucos desafios punitivos no combate e o jogo brilha mesmo é nos seus engenhosos puzzles.
Esteja preparado para andar bastante e me diga depois se valeu a pena por tudo o que conquistou.

Avaliado por: DioC

Nota Final

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