Boa Leitura!

Infinity: HexaDome Tactics | PC Review

Existem jogos de estratégia que já começam colocando um monte de regra na sua frente e praticamente mandam você estudar antes de jogar. Infinity: HexaDome Tactics tenta fazer o contrário. Ele apresenta uma ideia bem fácil de entender: quatro personagens entram em uma arena, você precisa controlar os pontos importantes do mapa e usar as habilidades de cada um para vencer o adversário. Só que, conforme as partidas avançam, fica claro que existe muito mais coisa acontecendo ali.
Infinity: HexaDome Tactics
Agradecimentos a Blindspot Games pela licença e confiança

Desenvolvido pela Blindspot Games, Infinity: HexaDome Tactics é baseado no universo Infinity, da Corvus Belli, e também tem ligação com o jogo de tabuleiro Aristeia. A proposta é colocar equipes de quatro campeões em confrontos táticos por turnos, misturando movimentação, habilidades, cartas e controle de território. O jogo também possui PvP online, mas essa análise foi feita somente com o modo solo, então não vou avaliar a qualidade das partidas contra outros jogadores, matchmaking ou equilíbrio do competitivo. Já sou um idoso que prefere passar raiva com IA do que com gente.


História


A história de Infinity: HexaDome Tactics não tenta ser o grande motivo para você continuar jogando. Ela está ali para apresentar o universo, os personagens e o contexto das batalhas, mas o jogo claramente coloca a estratégia em primeiro lugar. Você participa de uma campanha que apresenta aos poucos o mundo de Aristeia, enquanto novos campeões e conteúdos são liberados conforme você avança.

Cada partida funciona praticamente como mais um capítulo dessa apresentação, colocando você em uma nova situação e fazendo com que aos poucos entenda quem são aqueles lutadores e por que eles estão dentro do HexaDome.

Infinity: HexaDome Tactics

Isso não significa que a campanha seja ruim. Pelo contrário, ela funciona bem como uma forma de ensinar o jogo sem transformar tudo em um tutorial gigante. A desenvolvedora chegou a reformular completamente o tutorial durante o desenvolvimento, colocando os ensinamentos dentro da própria campanha e liberando as mecânicas aos poucos durante o primeiro ato.

Em vez de jogar dezenas de regras na tela logo no começo, o jogo apresenta uma coisa de cada vez e deixa você aprender fazendo. Para um título desse tipo, foi uma decisão acertada.

O problema é que, se você estiver esperando uma história com personagens muito desenvolvidos, grandes reviravoltas ou cenas para ficar na memória, provavelmente vai sair decepcionado. A narrativa serve mais como uma desculpa para colocar aqueles personagens na arena do que como uma campanha de RPG tradicional. Eu não vejo isso como um grande defeito, porque HexaDome Tactics sabe exatamente onde está seu maior atrativo. A história está aqui para dar contexto, enquanto o verdadeiro jogo acontece quando a partida começa.


Jogabilidade


É na jogabilidade que Infinity: HexaDome Tactics realmente mostra o que tem de melhor. A estrutura parece simples no começo, mas rapidamente fica claro que cada movimento pode fazer diferença. Você controla uma equipe de quatro campeões e precisa lidar não apenas com os inimigos, mas também com os espaços da arena, os objetivos e a quantidade limitada de ações disponíveis. Não basta sair atacando. Em muitos momentos, a melhor jogada é simplesmente se posicionar bem e esperar o momento certo para agir.

Cada campeão possui uma função diferente. Existem personagens mais voltados para combate à distância, outros para ataques próximos, alguns trabalham melhor com controle de área e também existem aqueles que servem como suporte. A graça está justamente em montar uma equipe que consiga trabalhar em conjunto. Você não escolhe quatro personagens apenas porque eles são fortes individualmente. É preciso pensar em como as habilidades deles podem se completar.

Isso fica muito mais interessante quando você começa a perceber que o jogo não trata cada personagem como uma unidade isolada. Um campeão pode empurrar um inimigo para uma posição ruim, outro pode aproveitar essa abertura para atacar, enquanto um terceiro ocupa uma área importante da arena. De repente, uma jogada que parecia simples se transforma em uma sequência de ações. É aí que o jogo começa a mostrar sua verdadeira graça.

O sistema de pontos de ação também ajuda bastante nisso. Cada ação tem um custo e você precisa decidir como gastar seus recursos durante o turno. Atacar, movimentar um personagem, usar uma habilidade ou simplesmente se preparar para a próxima jogada pode mudar completamente o resultado de uma rodada. A pergunta muitas vezes não é “o que eu consigo fazer?”, mas sim “o que vale a pena fazer agora?”. Essa diferença parece pequena, mas é o que separa uma partida tranquila de uma partida em que você começa a cometer erros atrás de erros.

E existe um detalhe que gostei bastante: você não precisa necessariamente derrotar todos os adversários para vencer. O controle das zonas da arena tem um papel central. A versão atual do jogo simplificou esse sistema para três zonas, e a partida termina quando um dos lados consegue controlar duas delas ou quando chegam ao limite de rodadas. Isso deixa as partidas mais diretas e também evita aquela situação em que dois jogadores passam vários turnos simplesmente andando pelo mapa.

Essa mudança também melhorou o ritmo. As arenas foram reduzidas e os personagens começam mais próximos dos objetivos, então você passa menos tempo andando sem fazer nada e chega mais rápido à parte realmente importante da partida. Assim, as partidas duram entre 15 e 25 minutos. No modo solo, isso funciona muito bem porque você consegue terminar uma partida sem precisar separar uma hora inteira para isso.

Mas não pense que partidas curtas significam pouca estratégia. Na verdade, é justamente o contrário.

Como o espaço é menor e os objetivos ficam mais próximos, as decisões aparecem o tempo todo. Você pode colocar um personagem para capturar uma zona, mas talvez isso deixe outro campeão exposto. Pode atacar um inimigo e causar bastante dano, mas talvez seja melhor usar esse turno para empurrá-lo para longe do objetivo. Também existe a possibilidade de simplesmente ignorar um adversário e correr para tomar uma área antes dele. Esse tipo de decisão aparece o tempo inteiro.

As cartas táticas deixam tudo ainda mais interessante. Elas funcionam como uma camada extra de possibilidades durante a partida e podem mudar completamente uma situação. Você não depende apenas das habilidades fixas dos seus campeões. As cartas permitem criar jogadas diferentes e, principalmente, surpreender a IA. A equipe também fez mudanças importantes nesse sistema durante o desenvolvimento. A antiga mecânica de Hype e compra manual de cartas foi retirada, e algumas ações passaram a gerar cartas automaticamente. Os espaços de patrocinadores também foram modificados para entregar uma carta quando um campeão passa por eles.

Infinity: HexaDome Tactics

Na prática, isso deixou o sistema mais fácil de entender. Antes, havia mais coisas para administrar. Agora a ideia é mais direta: você joga, se posiciona e vai recebendo oportunidades para usar as cartas. Isso é particularmente importante no modo solo, porque a campanha precisa ensinar o jogador sem transformar cada partida em uma aula de regras.

As habilidades especiais são outro ponto forte. Cada campeão tem seu próprio conjunto de ferramentas e aprender o alcance, o custo e o momento certo de usar cada uma é fundamental. Algumas habilidades servem para causar dano, outras para controlar o espaço, empurrar adversários, proteger aliados ou criar situações favoráveis. O jogo fica muito mais interessante quando você para de pensar apenas em “quem eu consigo atacar?” e começa a pensar em “como eu consigo deixar o próximo turno melhor?”. É uma diferença importante.

Você pode até ganhar algumas partidas simplesmente atacando os inimigos mais próximos, mas chega um momento em que isso deixa de funcionar. A IA começa a ocupar os objetivos, os personagens começam a se posicionar melhor e você percebe que matar um adversário nem sempre é a coisa mais importante. Às vezes, colocar um inimigo fora de posição vale muito mais do que tirar uma parte da vida dele.

Os ataques de oportunidade também entram nessa brincadeira. Algumas situações fazem com que o posicionamento seja ainda mais importante, porque movimentar um personagem na hora errada pode colocá-lo em perigo.

O jogo não precisa necessariamente de uma quantidade enorme de inimigos na tela para criar tensão. Quatro personagens de cada lado já são suficientes para deixar uma situação complicada. Um erro de posicionamento pode abrir espaço para dois ou três inimigos atacarem o mesmo personagem. Um campeão fora da zona certa pode fazer você perder o controle de um objetivo. E gastar uma habilidade importante cedo demais pode fazer falta justamente quando você mais precisa dela.

Infinity: HexaDome Tactics

Não é um jogo em que você simplesmente espera sua vez e escolhe o ataque com o maior número. Pelo menos não quando você começa a entender suas possibilidades.

Outro ponto interessante é a quantidade de campeões. São 12 personagens, cada um com suas características, habilidades e funções. Isso dá bastante espaço para experimentar equipes diferentes e encontrar combinações que combinam mais com seu jeito de jogar. Alguns vão agradar quem gosta de jogar de longe, outros funcionam melhor quando estão no meio da confusão e também existem aqueles que parecem muito mais úteis quando você aprende a controlar o campo.

No começo, é normal escolher os personagens simplesmente porque você gostou deles. Depois de algumas partidas, a coisa muda. Você começa a pensar em composição, sinergia e posição. “Esse personagem funciona bem com aquele outro?” “Será que preciso de alguém para controle?” “Estou levando muito dano porque não tenho suporte?” Esse tipo de pensamento aparece naturalmente, sem o jogo precisar ficar explicando tudo o tempo inteiro.

A progressão da campanha também ajuda nisso. Novos campeões e cosméticos são desbloqueados conforme você avança, e existem desafios com condições diferentes que mudam um pouco a forma como você encara cada partida. Isso é importante para o modo solo porque impede que ele seja apenas uma sequência de partidas iguais contra a inteligência artificial. Mesmo assim, é justamente no modo solo que encontrei uma das limitações do jogo.

A inteligência artificial cumpre seu papel, mas não é capaz de substituir completamente a imprevisibilidade de uma pessoa. Você aprende os padrões, entende melhor como ela costuma reagir e, depois de um tempo, algumas situações começam a parecer previsíveis. Isso não significa que a campanha seja fácil ou ruim, mas existe uma diferença clara entre enfrentar uma IA e imaginar como uma pessoa real poderia reagir à mesma situação.

Como eu não joguei o PvP, não vou fingir que sei como essa parte funciona na prática. O que dá para afirmar é que o projeto foi pensado para confrontos 1 contra 1, com cada jogador controlando uma equipe de quatro campeões, e existe também modo ranqueado e duelos contra amigos. Para esta análise, porém, minha experiência ficou totalmente no lado solo.


Direção de arte


Visualmente, Infinity: HexaDome Tactics tem uma proposta bastante colorida. A arena parece um grande espetáculo futurista, e isso combina muito com a ideia de transformar os combates em uma espécie de esporte para o público. Aqui existe bastante cor, personagens exagerados e uma identidade visual que lembra um pouco aqueles desenhos futuristas que tentam misturar esporte, ficção científica e pancadaria.

Os personagens são provavelmente a parte mais chamativa. Cada campeão tem uma aparência própria e isso ajuda bastante na hora de identificar quem está no campo. Não precisei ficar parando toda hora para descobrir quem era quem, algo que pode acontecer em alguns jogos de estratégia quando todos os personagens acabam parecendo iguais.

Infinity: HexaDome Tactics

As arenas também cumprem bem o papel. Elas não são apenas espaços bonitos onde as batalhas acontecem. O desenho do mapa interfere diretamente na partida, principalmente por causa das zonas de controle e dos caminhos que os personagens precisam percorrer. O fato de os mapas terem sido reduzidos durante o desenvolvimento ajudou bastante no ritmo das partidas, porque agora existe menos espaço vazio entre um objetivo e outro.

A interface também passou por várias mudanças. A linha do tempo das ações ficou mais clara, as habilidades dos campeões foram separadas das cartas dos personagens e os elementos visuais das cartas táticas receberam ajustes. Não é algo que você vai parar para admirar, mas é o tipo de detalhe que faz diferença depois de algumas horas jogando.

O resultado geral é bonito e funcional. Não é um jogo que tenta impressionar tecnicamente, mas possui uma identidade visual própria e consegue passar bem a sensação de estar participando de um grande espetáculo futurista.

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PATÔMETRO
Conclusão
Infinity: HexaDome Tactics é um jogo de estratégia que parece simples no começo, mas vai mostrando sua profundidade conforme você aprende a usar os personagens, as cartas e o espaço da arena. No modo solo, que foi o foco desta análise, a campanha funciona bem para ensinar as mecânicas e apresentar o universo, embora a inteligência artificial não tenha a mesma imprevisibilidade de um jogador real. O combate é o grande destaque. As partidas são rápidas, as decisões importam e montar uma equipe que realmente funcione exige atenção. Não é um jogo para sair atacando sem pensar, mas também não chega a ser complicado demais para quem está começando. Para quem gosta de estratégia por turnos e quer algo diferente, vale a pena dar uma chance. Claro, o game foi pensado para o online, isso é bem claro, só que isso depende dos players darem um chance.
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