HQ-HUB é um site/app que surgiu da ideia de conectar colecionadores de HQ’s, criar estantes virtuais e catalogar os seus quadrinhos para não se perder mais naquilo que você ou ainda não tem em sua estante. E para falar mais sobre o projeto hoje vamos entrevistar o criador por trás de tudo, o Rogério de Sá
- Como surgiu a ideia do HQ-HUB e, afinal, o que é o HQ-HUB? Qual problema vocês querem resolver para leitores e colecionadores de histórias em quadrinhos?
O HQ-HUB surgiu, antes de tudo, de uma necessidade que eu sentia como leitor e colecionador. Conforme uma coleção cresce, começa a ficar cada vez mais difícil lembrar exatamente o que você possui, o que já leu, o que ainda falta e até quais edições fazem parte de determinada sequência.
A ideia foi criar um lugar onde o colecionador pudesse reunir tudo isso de maneira simples e visual.
Hoje, eu gosto de definir o HQ-HUB como uma plataforma feita para quem gosta de quadrinhos. A proposta é reunir coleção, leitura, descoberta e comunidade em um mesmo ambiente.
Mais do que simplesmente cadastrar HQs, queremos ajudar o colecionador a conhecer melhor a própria coleção e tornar mais fácil algo que, para quem possui muitas edições, pode se tornar bastante trabalhoso.
- Hoje existem diferentes plataformas e formas de acompanhar uma coleção de HQs. O que diferencia o HQ-HUB de outras plataformas e aplicativos que já existem?
Acredito que o principal diferencial seja a tentativa de olhar para a experiência completa do colecionador.
Não queremos que o HQ-HUB seja apenas um catálogo onde você marca as HQs que possui. Queremos que a estante seja o ponto de partida.
A partir dela, podemos criar recursos relacionados à leitura, organização da coleção, interação entre amigos, descoberta de novas HQs e até negociação de exemplares entre colecionadores.
Além disso, estamos desenvolvendo o projeto muito próximos dos usuários. Muitas decisões surgem justamente das dificuldades e sugestões de pessoas que estão usando a plataforma.
A plataforma
- Como funciona a estante do HQ-HUB? O usuário consegue personalizar sua coleção e marcar as HQs que já leu?
Sim. A estante é uma das partes centrais do HQ-HUB.
A ideia é que ela represente digitalmente a coleção do usuário. Ele pode adicionar suas HQs e acompanhar sua coleção de maneira muito mais organizada e visual.
Também queremos que a estante não diga apenas “eu tenho essa HQ”, mas também ajude a registrar a relação do leitor com aquela edição, incluindo informações como o que já foi lido e o que ainda está aguardando leitura.
No futuro, queremos ampliar bastante essa experiência de personalização e organização.
- Para quem possui uma coleção grande de HQs, especialmente edições clássicas e antigas, qual é a principal vantagem de utilizar o HQ-HUB?
É justamente nesse cenário que uma ferramenta como o HQ-HUB começa a fazer ainda mais sentido.
Quando alguém possui dezenas, centenas ou até milhares de quadrinhos, confiar apenas na memória fica complicado.
Você pode estar em uma loja, sebo, evento ou vendo uma oportunidade na internet e pensar: “Eu já tenho essa edição?”
Ter a coleção organizada e acessível pelo celular facilita muito.
E existe outro aspecto importante: preservar digitalmente as informações sobre aquela coleção. Uma coleção construída durante muitos anos também conta uma história.
Comunidade e parceiros
- O HQ-HUB também tem uma proposta de aproximar leitores e colecionadores. Como vocês imaginam a interação entre amigos e usuários dentro da plataforma no futuro?
Essa é uma parte que considero muito importante.
Quadrinhos sempre tiveram um componente social muito forte. A gente indica histórias, mostra uma aquisição nova, conversa sobre personagens, troca informações sobre edições e ajuda outros colecionadores.
Queremos trazer essa experiência para dentro do HQ-HUB.
A ideia é que, com o amadurecimento da plataforma, o usuário possa acompanhar amigos e outros colecionadores, conhecer suas estantes, descobrir o que estão lendo e encontrar pessoas com interesses semelhantes.
Eu gostaria que o HQ-HUB se tornasse não apenas o lugar onde você organiza sua coleção, mas também onde encontra outros apaixonados por quadrinhos.
- Qual é a importância dos canais e criadores parceiros neste início do projeto? E como vocês pretendem trabalhar essas parcerias para fazer o HQ-HUB chegar a mais leitores?
Eles são fundamentais.
Os criadores de conteúdo já possuem algo que uma plataforma nova precisa conquistar: uma relação de confiança com a comunidade.
Além de ajudarem a apresentar o HQ-HUB para novos leitores, eles também podem contribuir muito com feedback. Quem produz conteúdo sobre quadrinhos está diariamente conversando com leitores e colecionadores e conhece muitas das necessidades desse público.
Nossa intenção é construir parcerias que façam sentido para os dois lados, sem transformar isso simplesmente em publicidade. Queremos que canais, criadores e comunidades também participem da evolução do HQ-HUB.
Marketplace
- Como funciona o marketplace do HQ-HUB? A negociação e o pagamento acontecem dentro da própria plataforma ou o HQ-HUB funciona como uma ferramenta para aproximar compradores e colecionadores que estão vendendo suas edições?
Neste momento, a proposta está muito mais próxima da segunda opção.
O HQ-HUB funciona como uma ponte para aproximar quem possui uma edição disponível de quem está procurando por ela.
Não queremos nos precipitar e criar uma estrutura financeira complexa antes de termos maturidade para isso. Pagamentos internos envolvem questões de segurança, intermediação, disputas e outras responsabilidades.
Por isso, preferimos evoluir essa área gradualmente, observando como a própria comunidade utiliza a ferramenta.
- Existe algum sistema de segurança, avaliação ou validação dos usuários e das negociações para aumentar a confiança entre compradores e vendedores?
Esse é um ponto que consideramos essencial para a evolução do marketplace.
À medida que as negociações entre usuários crescerem, mecanismos de reputação, avaliações e outras formas de aumentar a confiança entre as partes passam a ser muito importantes.
A ideia é construir isso de maneira responsável. O marketplace não pode crescer apenas em quantidade de anúncios; ele também precisa crescer em confiança.
Futuro do HQ-HUB
- Vocês pretendem levar o HQ-HUB para eventos de quadrinhos, com estandes e ações presenciais para divulgar a plataforma e aproximá-la ainda mais da comunidade?
Sim, é algo que gostaríamos muito de fazer.
Eventos de quadrinhos são justamente onde leitores, colecionadores, artistas, lojas, editoras e criadores se encontram. Portanto, faz todo sentido que o HQ-HUB também esteja nesses espaços.
No momento, estamos concentrados em amadurecer a plataforma, mas participar de eventos, realizar demonstrações e conversar presencialmente com os usuários está certamente entre as possibilidades que enxergamos para o crescimento do projeto.
- Quais são os planos do HQ-HUB a longo prazo? O que vocês gostariam que a plataforma se tornasse nos próximos anos?
O objetivo é que o HQ-HUB se torne uma espécie de casa digital do colecionador de quadrinhos.
Um lugar onde você possa organizar sua coleção, acompanhar suas leituras, descobrir o que falta, conhecer novas histórias, encontrar outros colecionadores e, quando necessário, localizar uma edição que procura.
Mas queremos chegar a isso gradualmente.
Prefiro construir uma plataforma que evolua junto com seus usuários do que tentar colocar dezenas de funcionalidades de uma vez e perder a simplicidade.
- Conforme a base do HQ-HUB cresce, vocês enxergam a possibilidade de utilizar os dados das coleções para identificar tendências entre os colecionadores, como os personagens, editoras ou títulos mais presentes nas estantes?
Sim, existe um potencial muito interessante nisso, sempre respeitando a privacidade dos usuários.
Dados agregados podem ajudar a entender melhor o próprio universo dos colecionadores: quais personagens aparecem mais nas estantes, quais séries são mais colecionadas, quais editoras possuem maior presença e até quais edições são mais difíceis de encontrar.
No futuro, isso pode gerar informações interessantes não apenas para os usuários, mas para entendermos melhor o comportamento da comunidade de quadrinhos no Brasil.
- Uma dificuldade de qualquer colecionador é saber exatamente qual edição possui e qual edição ainda falta. Vocês pretendem desenvolver ferramentas que ajudem o usuário a identificar lacunas na coleção e encontrar os exemplares que procura?
Sim, e considero essa uma das possibilidades mais interessantes do HQ-HUB.
Imagine abrir uma coleção e visualizar rapidamente:
“Você possui 27 das 30 edições. Faltam as edições 12, 18 e 26.”
E, além disso, poder descobrir se algum usuário está oferecendo justamente uma dessas edições.
Esse tipo de conexão entre estante + coleção + busca + marketplace representa muito bem o que queremos construir.
- O projeto está sendo aperfeiçoado gradualmente. Quais foram as funcionalidades ou mudanças que vocês perceberam que eram necessárias depois de colocar o HQ-HUB nas mãos dos primeiros usuários?
Uma coisa que aprendemos rapidamente é que aquilo que parece simples para quem desenvolve nem sempre é simples para quem utiliza.
Os primeiros usuários ajudam muito a perceber detalhes de navegação, organização das informações, cadastro das HQs e principalmente da experiência pelo celular.
Também percebemos que, para um colecionador, velocidade importa bastante. Se cadastrar uma coleção for trabalhoso demais, principalmente para quem possui centenas de edições, isso se torna uma barreira.
Por isso, simplificar cada vez mais o processo de adicionar e organizar HQs tornou-se uma preocupação importante.
- Existe alguma funcionalidade que vocês consideram especialmente importante para o futuro do HQ-HUB, mas que ainda não podem revelar?
Existem algumas ideias sendo estudadas. (risos)
Mas posso dizer que estamos pensando bastante em como utilizar a própria coleção cadastrada para tornar o HQ-HUB mais inteligente.
Não queremos que o sistema apenas armazene informações. Queremos que, no futuro, ele consiga ajudar o colecionador a entender melhor a própria coleção.
Vou deixar o restante como surpresa.
- Para quem está conhecendo o HQ-HUB agora, qual seria o principal motivo para começar a cadastrar sua coleção hoje, mesmo que ainda esteja construindo ou aperfeiçoando a própria estante?
Porque uma coleção não precisa estar completa para começar a ser organizada.
Na verdade, quanto antes você começa, mais fácil é acompanhar o crescimento dela.
Além disso, quem entra agora também acompanha uma fase muito interessante do HQ-HUB, porque a plataforma ainda está crescendo e o feedback dos primeiros usuários tem um peso enorme nas decisões que estamos tomando.
De certa forma, essas pessoas não estão apenas cadastrando suas coleções. Elas também estão ajudando a construir o HQ-HUB.
- Para você, pessoalmente, qual é a importância de registrar e organizar uma coleção de quadrinhos? O HQ-HUB mudou de alguma forma a sua própria maneira de enxergar ou acompanhar sua coleção?
Para mim, uma coleção é muito mais do que uma quantidade de revistas em uma estante.
Existem HQs que lembram uma época da nossa vida, outras que procuramos durante muito tempo, algumas que foram presentes e outras que simplesmente possuem um valor afetivo enorme.
Quando você começa a organizar tudo isso, percebe melhor a história da própria coleção.
E desenvolver o HQ-HUB também mudou a maneira como eu olho para a minha. Passei a perceber informações que antes estavam espalhadas ou simplesmente guardadas na memória.
No fundo, o HQ-HUB nasceu justamente dessa experiência de colecionador.
- O HQ-HUB pretende facilitar a organização de coleções, mas existe um risco de que o colecionador passe a se preocupar mais em completar números e edições do que efetivamente ler os quadrinhos? Como vocês enxergam essa relação entre colecionar e ler?
Essa é uma discussão muito interessante porque existem diferentes maneiras de viver o hobby.
Há quem goste principalmente de ler, quem tenha prazer em completar coleções, quem procure determinadas capas ou edições e quem faça tudo isso ao mesmo tempo.
Não acredito que o HQ-HUB deva dizer ao usuário qual é a maneira “correta” de colecionar quadrinhos.
O que podemos fazer é incentivar também a leitura. Por isso, acompanhar o que foi lido, o que está na fila e futuramente explorar recursos ligados à experiência de leitura é importante.
No final, a coleção deve proporcionar prazer. Completar uma sequência pode ser divertido, mas as histórias continuam sendo o coração de tudo isso.
Encerramento
- Para quem está conhecendo o HQ-HUB agora e gosta de ler ou colecionar histórias em quadrinhos, por que vale a pena conhecer e fazer parte da plataforma?
Porque o HQ-HUB está sendo construído por quem gosta de quadrinhos para pessoas que também gostam de quadrinhos.
Se você possui cinco HQs ou cinco mil, existe uma história sendo construída naquela coleção.
Queremos ajudar você a organizar essa história, descobrir o que já possui, lembrar o que já leu, encontrar o que está procurando e conhecer outras pessoas que compartilham dessa mesma paixão.
E talvez o mais interessante de entrar agora seja justamente poder acompanhar o nascimento dessa comunidade e participar da construção dela.
O HQ-HUB ainda tem muito para crescer, e queremos que os próprios leitores e colecionadores façam parte desse crescimento.
No final, não queremos apenas catalogar quadrinhos. Queremos conectar pessoas através deles.
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Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah

