GUREI, desenvolvido pelo estúdio brasileiro Lobo Sagaz Studio e publicado pela Astrolabe Games, chega com uma proposta desafiadora e engrandece ainda mais o cenário independente nacional.
Apostando no gênero boss rush, o título nos coloca em uma jornada de precisão, purificação e confronto contra forças espirituais, entregando uma experiência que combina estética refinada e mecânicas afiadas.

GAMEPLAY E MECÂNICAS
A jogabilidade de GUREI é extremamente fluida e direto ao ponto, essencial para um jogo focado puramente no combate contra chefes. A movimentação responde com precisão imediata a cada comando, a sobrevivência do jogador depende inteiramente do posicionamento, do tempo de ataque e do uso consciente da esquiva. Essa decisão de design deixa o combate limpo, exigindo foco total na leitura dos padrões dos adversários. Vale ressaltar que o jogo não conta o tradicional parry, o que cria no jogador a necessidade de masterizar com precisão a esquiva e aprender cada golpe dos chefes.
A estrutura do jogo é baseada em uma mecânica central marcante: o jogador possui um limite de 4 chances para os bosses. Se essas tentativas se esgotarem, a run é resetada. Esse sistema eleva a tensão a cada confronto e impulsiona o fator rejogabilidade, especialmente porque o jogo permite escolher a ordem em que você enfrentará os 10 KAMIs (os chefes do jogo). Para deixar tudo mais imprevisível, a cada KAMI derrotado, os chefes restantes ficam mais difíceis e ganham ataques novos, o que impede que o jogador apenas decore rotinas e o force a se adaptar constantemente.

Cada confronto vitorioso transporta o jogador para um purgatório onde os espíritos dos KAMIs ficam aprisionados. Ao derrotar um chefe, você absorve o seu poder e ganha novas habilidades para a sequência da jornada — como a habilidade obtida ao vencer o Besouro, que libera um potente ataque de lança e o Bagre, que concede um escudo ao jogador. A punição em GUREI é constante, mas extremamente justa, premiando a evolução técnica do jogador a cada tentativa. Entre um combate e outro, existem pequenas side quests espalhadas pelo mundo, que consistem em interagir ou ajudar personagens secundários, trazendo respiros bem-vindos ao ritmo frenético dos confrontos.
LORE E ESTRUTURA NARRATIVA
A narrativa de GUREI é contada de forma minimalista, utilizando pequenos trechos de diálogos que constroem uma trama intrigante sem interromper a ação. A figura de um homem misterioso surge sempre que a protagonista morre, sendo o responsável por reanimá-la e oferecer conselhos valiosos para os próximos desafios.

Um dos detalhes mais interessantes da construção do mundo é a interação com os próprios chefes vencidos. Após serem derrotados, os espíritos dos KAMIs permanecem presentes, dialogando com a protagonista e até mesmo entre si. Eles oferecem dicas sobre os guardiões que ainda estão de pé, criando uma dinâmica única onde os antigos inimigos se tornam conselheiros graduais na sua jornada.
DIREÇÃO DE ARTE E SOM
Visualmente, a Lobo Sagaz Studio entregou um trabalho irretocável. O estilo de arte é maravilhoso e adota uma estética baseada no folclore e na cultura japonesa, com uma cutscene inicial incrivelmente bem trabalhada. A escolha da paleta de cores é um espetáculo à parte: o jogo utiliza tons predominantemente monocromáticos, aplicando cores vibrantes de forma pontual para dar destaque aos próprios chefes, onde cada boss é representado por uma cor específica.

Essa escolha artística lembra imediatamente a abordagem minimalista e marcante de Titan Souls, tanto no foco absoluto em lutas intensas contra chefes quanto no uso de uma direção visual forte que guia a atenção do jogador para o que realmente importa na tela. As animações gerais são refinadas e muito bem executadas, com uma menção honrosa para a animação de morte da personagem. A HUD é sutil e imersiva, integrando-se perfeitamente à tela sem poluir o visual.
O design dos bosses é impressionante, destacando-se de forma especial os confrontos contra a Cobra e o Corvo, que entregam visual atordoante e dinâmicas de combate marcantes. A trilha sonora acompanha esse nível de entrega com composições que transitam com facilidade entre momentos relaxantes de exploração e faixas épicas durante os confrontos, elevando a atmosfera de cada luta.
+ reviews

Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.