Se tem uma coisa que a comunidade gamer aprendeu a temer com o passar dos anos, foi o esquecimento. Clássicos que marcaram gerações frequentemente somem das prateleiras digitais, tornam-se incompatíveis com sistemas operacionais modernos ou simplesmente viram relíquias impossíveis de rodar sem malabarismos técnicos.
Mas a GOG continua provando que existe um caminho diferente. O GOG Preservation Program acaba de conquistar o Research Data Alliance Award na categoria de Comércio, Indústria e Terceiro Setor durante o prêmio Digital Preservation Awards 2026.
O peso da preservação fora dos museus
A premiação, organizada pela Digital Preservation Coalition (DPC), aconteceu em Varsóvia e reconhece iniciativas que garantem o acesso de longo prazo a conteúdos digitais fora de instituições tradicionais de memória. É o tipo de reconhecimento que valida uma dor profunda da nossa indústria: por muito tempo, ninguém quis encarar a pergunta sobre o que aconteceria com os jogos após duas décadas.
Piotr Gnyp, gerente sênior de comunicação e defesa de marca da GOG, resumiu perfeitamente o sentimento da equipe ao receber o troféu:
“Os jogos são agora uma forma dominante de cultura. Para décadas, ninguém perguntava o que aconteceria com eles em vinte anos. Hoje, a indústria vê quão frágeis os jogos são e que alguém tem que protegê-los… Significa muito para nossa equipe que arquivistas, pessoas cujo trabalho é garantir que nada se perca, tenham reconhecido nosso trabalho.”
Números que dão gosto de ver
Lançado oficialmente em novembro de 2024 com um catálogo inicial de 100 jogos, o programa cresceu de forma impressionante. Até fevereiro de 2026, a iniciativa já alcançava 267 títulos, acumulando mais de 1.400 correções, melhorias e conteúdos restaurados.
O diferencial do programa não é apenas revender um jogo antigo, mas o trabalho artesanal dedicado a cada título. A equipe da GOG mexe em cada obra individualmente — criando desde wrappers personalizados para DirectX até instaladores completamente refeitos —, tudo com o compromisso inegável de mantê-los vivos e compatíveis com PCs modernos.
Vale lembrar que este não é o primeiro reconhecimento internacional da iniciativa: no final do ano passado, o projeto já havia faturado o Checkpoint Award 2025 em Roma. Com títulos de peso como The Elder Scrolls IV: Oblivion e Ghostwire: Tokyo integrando recentemente o guarda-chuva de preservação, fica claro que a missão de “fazer os jogos viverem para sempre” (Make Games Live Forever) está mais forte do que nunca.
Para nós, jogadores, ver o nosso meio cultural sendo tratado com esse nível de respeito por uma distribuidora é, no mínimo, reconfortante. Afinal, videogame bom é videogame que a gente pode continuar jogando, não importa quantos anos passem.



