Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um excelente shooter com câmera de ação superior. Com um arsenal bem variado, bons personagens e um sistema de evolução divertido, o jogo da Fogo Games distribuído pela Nuntius mostra que, mesmo com orçamento limitado, jogos brasileiros podem construir algo sólido.

Uma curiosidade sobre Ghetto Zombies é sua história.
A abordagem de um apocalipse zumbi na periferia da cidade me pareceu uma premissa muito boa: um vírus enigmático, distribuído pelo sistema de água da cidade grande, transforma seus residentes em zumbis. A Vila Fundinho, na periferia, sofre com o desabastecimento e, por isso, foi a única não afetada. Uma iniciativa de resistência é feita, e jovens mutantes são construídos em laboratório para combater a ameaça zumbi. E aqui o jogo começa.
Eu me diverti muito com Ghetto Zombies. Os gráficos usam uma pixel art charmosíssima, e a variedade de inimigos e armas contrasta com os cenários mais diretos e uma estrutura linear. A jogabilidade é fácil de pegar e, mesmo sendo um top-down shooter, a mira é bem simples de se adaptar. Meu único problema é o sistema de recarga e o desbalanceamento de algumas armas. Muito demorado, o jogador deve apertar o botão de recarga e aguardar um período. Escopetas e rifles pesados levam uma infinidade apesar de poderosos, e as armas especiais patinam entre completamente inúteis ou muito fortes. O lançador de ketchup, a serra — que só funciona MUITO próxima ao inimigo — e a maravilhosa lança-abelhas são exemplos que quis citar dessa disparidade. No final, o jogador se afeiçoará a um número limitado.

Armas convencionais como pistolas, escopetas, rifles pesados e metralhadoras também fazem parte do arsenal dos caçadores de zumbis. Além da mecânica de recarga, os botões de ação pedem que você mire com o analógico direito, atire com os gatilhos e esquive com sua estamina em questão. O enfrentamento de hordas de inimigos em diversos trechos vai exigir também a obtenção de novas armas que você coleta em baús pelo cenário. Vida também só é obtida dessa maneira, e a moeda do jogo são estrelas que zumbis deixam cair ao morrerem. Um sistema simplificado de evolução com vitalidade, agilidade e outros fatores também está presente e funciona como deveria: subiu de nível, destrava ponto de habilidade e gasta na base.
A exploração é direta:
Avance pela cidade encontrando pontos de grafitagem. Após usar sua habilidade de grafite, zumbis aparecem atraídos pela sua arte. Derrote todos e, após completar todas as paredes da área, uma chave é liberada para você avançar ao próximo bloco necessário.

A trilha sonora remete a clássicos 8-bit e, apesar de simples, é muito bem-feita. É seguro dizer que Ghetto Zombies é um jogo que vai trazer muita nostalgia para quem jogou títulos mais antigos, mas com um charme próprio.
E um elogio à Fogo Games aqui, muito merecido
O jogo está impecável no PS5. Não tive nenhum bug ou queda, e ele rodou maravilhosamente bem do início ao fim. O escopo impede mais fases e chefes, mas espero que a empresa consiga financiar uma sequência maior e melhor.


Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial