Atualmente, diversos desenvolvedores buscam inspiração nos clássicos da era retrô. Vemos isso em projetos que homenageiam o Game Boy Advance (como Mina the Hollower) ou o PlayStation 1 (Verho). Hoje analisarei Gastova: The Witches Of Arkana, um título que remete aos marcantes gráficos de 16-bits do Mega Drive.
O jogo marca a estreia do estúdio no mercado e promete entregar uma experiência de RPG no estilo metroidvania.

Premissa:
A trama se passa em um mundo medieval repleto de magia, protegido por uma sociedade de bruxas. A cada geração, uma jovem da academia de magia é escolhida para liderar o grupo e defender o reino de ameaças externas além das bruxas que protegem as fontes elementais de Arkana. A atual guardiã é Gastova, uma jovem extremamente preguiçosa que evita suas obrigações a todo custo. Em vez de defender os limites do reino, ela prefere erguer um campo de força mágico ao redor das terras protegidas e delegar as tarefas às amigas enquanto fica em casa jogando videogame.
Como esperado, a negligência resulta em desastre, a barreira é destruída e as protetoras elementais desaparecem. Sem opção, a protagonista é forçada a agir e partir em busca das companheiras. Pelo caminho, diversos habitantes relatam que a garota é a maga mais poderosa que já existiu, embora nunca tenha se dedicado. Esse contraste gera um interessante arco de amadurecimento para a personagem, que precisa abandonar a zona de conforto para assumir suas responsabilidades. A história é simples e conduzida de forma leve, contando com NPCs que possuem diálogos curtos, mas eficientes para expandir o universo do jogo.
Gameplay:
O projeto é estruturado como um metroidvania side-scrolling (com rolagem lateral), mas incorpora elementos de RPG como a construção de builds, oferecendo uma certa variedade de cajados e magias para equipar. O mapa é extenso e dividido por salas interligadas, contendo áreas secretas e recompensas que exigem o desbloqueio de novas habilidades para serem alcançadas.

Cada bioma abriga uma das companheiras presas. Ao resgatá-las no final de cada região, a protagonista recebe um novo poder que facilita a navegação, permitindo acessar pontos inéditos e revisitar zonas antigas para desvendar todos os segredos (backtracking).
Direção de Arte:
Os desenvolvedores miraram na estética dos anos 90 e início dos anos 2000, acertando com precisão no apelo à nostalgia, incluindo até as temidas fases aquáticas da época. A paleta de cores e os componentes do cenário resgatam a sensação de estar diante de um clássico, mas apoiado por conveniências modernas. Por outro lado, a variedade visual de inimigos, equipamentos e personagens é limitada e carece de maior criatividade.

A trilha sonora entrega a essência das composições da época e combina muito bem com a proposta. Embora não traga temas tão marcantes quanto os clássicos que a inspiraram, cumpre bem o seu papel em imergir o jogador naquele universo.
Qualidade Técnica:
Por ter analisado uma versão de acesso antecipado, enfrentei alguns problemas técnicos. Presenciei pequenas falhas que abriam uma janela de comando (CMD) dentro do jogo, crashes pontuais e hitboxes (caixas de colisão) desalinhadas. Embora entenda que o projeto estava em estágio de desenvolvimento e possa não refletir o produto final, esses foram os percalços presentes na minha experiência.

Apaixonado por jogos que desafiam, especialmente no cenário indie. Produzo análises com opinião honesta, senso crítico e compromisso com a transparência editorial.
Meu canal no Youtube: @onivelhardt