Nesta quinta-feira (30), a Gamescom foi palco de um debate essencial para o futuro da indústria de jogos: a palestra “Construindo jogos em escala global: como estúdios AAA orquestram o desenvolvimento externo”. Mediado por Marcelo Vieira, jornalista do The Gaming Era, o painel reuniu gigantes do setor: Julio Castano (Sony), Stephanie Arnette (Epic Games) e David Lan (Blizzard Entertainment).
Os especialistas discutiram como a produção de grandes títulos (os chamados “Triple-A”) está mudando, o papel estratégico do Brasil e o impacto da inteligência artificial na criação artística. Uma das grandes discussões da gamescom latam 2026.
O Brasil no radar: De prestador de serviço a parceiro estratégico
Um dos pontos centrais da discussão foi a maturidade do mercado brasileiro. Segundo Julio Castano, da Sony, a realidade atual é drasticamente diferente de dez anos atrás, quando o país ainda lutava para atender às exigências de grandes publishers estrangeiras. Hoje, o Brasil não apenas se adequou, como cresce em relevância tanto na América Latina quanto no cenário global.

Embora a impressão geral seja de que o ecossistema brasileiro ainda está em fase de amadurecimento para liderar jogos Triple-A do zero, o país já contribui diretamente em grandes produções através de estúdios como o Kokku (originalmente brasileiro, agora sediado em Portugal) e a Runway, em Recife.
A mudança mais significativa, no entanto, é conceitual. David Lan (Blizzard) e Castano destacaram que o termo “outsourcing” está caindo em desuso, sendo substituído pela ideia de “Partnership” (Parceria). Diferente da terceirização comum, o co-desenvolvimento integra os estúdios parceiros diretamente às equipes principais, criando um trabalho conjunto onde o colaborador externo faz parte da equipe criativa, e não apenas cumpre demandas isoladas.
Cultura e liderança no desenvolvimento global
Questionados sobre como manter a identidade cultural de um jogo ao desenvolvê-lo em diferentes partes do mundo, David Lan foi enfático: o segredo está em uma liderança forte. Já Stephanie Arnette, da Epic Games, reforçou que o desenvolvimento global é uma ferramenta poderosa para unir comunidades diversas sob a mesma visão criativa, celebrando o fato de um evento como a Gamescom proporcionar esse tipo de discussão em solo brasileiro.
O dilema da inteligência artificial: Ferramenta ou substituta?
O painel também abordou o tema mais quente do momento: a Inteligência Artificial. As três empresas demonstraram visões distintas, mas complementares:
- Sony: Julio Castano afirmou que a empresa não planeja adotar IA em larga escala no curto prazo. A filosofia da Sony permanece focada em experiências “feitas à mão”, priorizando a paixão dos desenvolvedores para entregar produtos que tenham “alma”.
- Epic Games: Stephanie Arnette confirmou que os desenvolvedores que trabalham com as ferramentas da Epic já integram IA em seus fluxos de produção para otimizar processos.
- Blizzard/Microsoft: David Lan indicou que o assunto está sendo analisado com cautela pela Microsoft, estando atualmente em uma fase experimental.
O consenso entre os palestrantes é que a IA deve ser focada em tarefas operacionais, e não na essência artística do jogo. “A IA será uma realidade e os brasileiros terão que se adaptar, mas ela não deve substituir o core criativo. O resultado sem a intervenção humana muitas vezes carece de alma”, pontuou o debate.
Ao final do evento realizado na gamescom latam 2026, Marcelo Vieira destacou o otimismo com o avanço do Brasil. O país deixou de ser apenas um consumidor para se tornar um braço fundamental na engrenagem de desenvolvimento global. Se a maturidade para um Triple-A 100% brasileiro ainda parece um passo futuro, a presença de nossos profissionais no coração das maiores franquias do mundo já é uma realidade incontestável.
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Prazer, eu sou o Fauno, fundador do História e Games, Jornagamer e fã dos jogos em que escolhas importam. Repórter do Patobah
