A espera finalmente acabou para a comunidade do lado verde da força. Um dos RPGs mais imponentes e comentados dos últimos tempos desembarca oficialmente no ecossistema Xbox. Graças ao envio direto da chave do jogo pela equipe da Square Enix, a quem deixamos o nosso profundo agradecimento pela parceria e confiança, passamos os últimos dias imersos nas vastas terras que compõem este novo capítulo do projeto de reconstrução de uma lenda.
FINAL FANTASY VII REBIRTH expande drasticamente os horizontes do que foi visto no título de 2020. Se o primeiro jogo nos enclausurava na distopia industrial de Midgar, aqui as portas do mundo se abrem de maneira avassaladora. Trata-se de uma jornada que equilibra uma narrativa densa e emocionante com uma quantidade absurda de conteúdo opcional, minigames viciantes e escolhas de design ousadas, mas que também expõe o peso técnico de carregar tamanho escopo em diferentes hardwares.
O Retorno da Avalanche e a Sombra de Sephiroth
Graficamente deslumbrante e embalado por uma trilha sonora impecável que rearranja clássicos com maestria orquestral, a história de Rebirth nos coloca imediatamente na pele de Cloud Strife e do carismático grupo Avalanche. Logo após escaparem das garras da megacorporação Shinra e cruzarem os limites da cidade de ferro, o grupo se vê diante de um mistério muito maior e mais perigoso o temido Sephiroth.
O grande trunfo do roteiro deste segundo capítulo é a forma como ele humaniza e destrincha o passado do lendário soldado de cabelos prateados. Longe de ser apenas uma ameaça distante, Sephiroth ganha camadas profundas de desenvolvimento. O jogador é convidado a testemunhar flashbacks e entender o que quebrou a mente do guerreiro mais poderoso do planeta antes de reencontrá-lo no presente. O enredo é conduzido de forma extremamente envolvente, alternando momentos de pura tensão dramática com o humor característico e a dinâmica de companheirismo entre os membros do grupo.

Um Mundo Aberto Gigantesco e Orgânico
A transição de Midgar para as terras abertas do continente é um choque visual e estrutural. A Square Enix não optou por um mundo aberto genérico e vazio; cada região visitada possui sua própria identidade geográfica, fauna, flora e ecossistema de locomoção. Seja cavalgando diferentes raças de Chocobos cada uma com habilidades únicas, como escalada de paredes ou planar por desfiladeiros, ou explorando a pé, a sensação de escala é massiva.
O mapa é repleto de atividades que vão além de simplesmente ir do ponto A ao ponto B. Existem relíquias antigas para serem escaneadas, monstros especiais que exigem táticas de combate refinadas para serem derrotados, e torres de transmissão de dados que ajudam a mapear o local. O design convida à exploração natural e recompensa o jogador curioso com materiais raros e histórias paralelas que expandem a mitologia daquele universo.

A Febre dos Minigames: Queen’s Blood, Piano e Muito Mais
Se há algo que define a experiência de Final Fantasy VII Rebirth, é a absurda quantidade de minigames. Eles não são meros passatempos descartáveis, muitos possuem linhas de missões inteiras e mecânicas incrivelmente polidas.
O maior destaque de longe fica para o Queen’s Blood, um jogo de cartas estratégico que se tornou uma verdadeira febre. Com um tabuleiro dividido em três fileiras, o objetivo é acumular mais pontos que o oponente dominando território e posicionando cartas com diferentes padrões de ataque e habilidades de suporte. É o tipo de atividade que te faz esquecer da missão principal por horas, apenas para viajar pelo mundo desafiando novos NPCs e colecionando cartas mais raras e poderosas para montar o deck perfeito.
Outra adição que chama a atenção pela precisão técnica é o minigame do Piano. Ao encontrar partituras espalhadas pelo mundo, Cloud pode se sentar e tocar músicas clássicas utilizando os dois analógicos do controle para ditar as notas e os acordes em uma interface circular complexa e rítmica. Para os jogadores mais dedicados, há inclusive um modo livre que transforma o controle do videogame em um instrumento musical real, permitindo criar as próprias composições.


Facilidades e Customização Extrema nos Menus
Pensando tanto no jogador veterano quanto naquele que quer apenas aproveitar o enredo sem investir centenas de horas em evolução de nível, o título traz opções de acessibilidade e customização extremamente generosas em seus menus.
Ao iniciar a campanha, o jogador se depara com a opção “Novo Jogo (fortalecido)”. Esse recurso permite começar a história com os personagens já consideravelmente modificados, trazendo uma grande quantidade de itens fundamentais logo de cara, muito Gil (a moeda do jogo), Matérias cruciais, equipamentos avançados e acessórios que normalmente exigiriam dezenas de horas de exploração.
Além disso, a aba de “Ajustes de vantagens de jogo” funciona quase como um menu de modificadores oficiais. É possível habilitar opções que deixam os Pontos de Vida (PV) e Pontos de Magia (PM) sempre no máximo, manter as barras de Limite e BTA constantemente cheias, causar dano máximo tanto no combate tradicional quanto em minigames específicos, e até triplicar o ganho de Experiência e Pontos de Habilidade (PA). A interface também permite limpar elementos da tela, como ocultar o registro de bate-papo secundário, mantendo o foco do jogador 100% na ação ou na beleza cinematográfica das cenas.



O Desempenho no Xbox Series X vs. O Poder do PS5 Pro
No campo técnico, a chegada ao ecossistema Xbox traz um misto de sentimentos. Ao testarmos o game no Xbox Series X, a performance no Modo Desempenho se mostrou apenas razoável. O jogo oferece as opções usuais de otimização gráfica, permitindo escolher entre priorizar a resolução ou focar na fluidez dos 60 quadros por segundo com as configurações Desempenho Nítido ou Desempenho Suave.

Na prática, contudo, o hardware da Microsoft sofre para manter a estabilidade. Mesmo optando pelo perfil voltado à nitidez, a imagem frequentemente assume um aspecto embaçado nas áreas abertas e quedas perceptíveis de FPS ocorrem durante combates contra múltiplos inimigos ou em transições rápidas de cenário. Há uma forte expectativa de que a desenvolvedora publique um patch de otimização nos próximos dias para polir esses detalhes, mas, no estado atual, o Series X entrega uma experiência correta, embora um pouco aquém do esperado para um console de mesa desse porte.
Por outro lado, quando colocamos o jogo lado a lado com a versão rodando no PS5 Pro, o cenário muda de figura. O console premium da Sony tira proveito direto do PSSR 2 (PlayStation Spectral Super Resolution), a tecnologia de upscaling via Inteligência Artificial proprietária da plataforma. O resultado prático é avassalador a imagem ganha uma nitidez cristalina, os contornos dos cenários e cabelos dos personagens perdem o aspecto serrilhado ou borrado do Xbox, e o framerate se crava em 60 FPS com uma estabilidade impressionante. Graficamente, o PS5 Pro entrega a versão definitiva e mais vistosa do jogo até o momento.
Veredito: Vale o Pitaco?
Final Fantasy VII Rebirth é uma obra-prima do RPG moderno. Suas pequenas falhas de otimização técnica no Xbox Series X, embora perceptíveis para os olhos mais atentos ao framerate e à resolução, não são capazes de apagar o brilho da grandiosidade desse universo. Com um mundo que dá gosto de explorar, uma história emocionante, menus altamente customizáveis e minigames incrivelmente divertidos, o título é uma aquisição obrigatória para qualquer fã do gênero.
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.
