Quem assiste a Equilibrium, aquele filme lá de 2002 estrelado por Christian Bale, provavelmente percebe uma coisa estranha durante os tiroteios… os personagens levam vários disparos, caem pelo cenário, mas praticamente não aparece sangue.
Pode parecer uma escolha bastante estranha para um filme cheio de armas e combates, mas existe uma explicação curiosa por trás disso.
A história se passa em Libria, uma sociedade futurista onde demonstrar sentimentos é proibido. Para manter todos sob controle, o governo obriga a população a tomar uma droga chamada Prozium, que impede as pessoas de sentir emoções. Quem deixa de seguir essa regra pode ser executado.
É nesse mundo que conhecemos John Preston (Christian Bale), um dos Clérigos Grammaton. Esses agentes são responsáveis por perseguir e eliminar qualquer pessoa que desafie o governo. Para cumprir suas missões, utilizam o Gun Kata, uma técnica fictícia que mistura artes marciais e tiros de maneira bastante estilizada.
As cenas de combate são uma das coisas mais legais do filme, mas a falta de sangue acabou chamando atenção de quem assistiu com mais cuidado.
Quando o orçamento começa a fazer falta
Equilibrium teve um orçamento estimado em US$ 20 milhões… Não era pouco dinheiro, mas também não dava para fazer tudo o que uma produção de ficção científica daquele tamanho poderia exigir.
Nas gravações, a equipe utilizou pequenos explosivos chamados squibs para simular os impactos dos tiros. Eles ajudavam a levantar poeira, soltar pedaços das roupas e dar mais impacto às cenas.
A ideia era acrescentar alguns efeitos digitais durante a pós-produção, incluindo o sangue dos personagens atingidos. Só que a produção enfrentou limitações financeiras, e parte desse trabalho acabou ficando de fora.
O resultado é bastante diferente do que estamos acostumados a ver em filmes de ação. Em vez de sangue espalhado pelo cenário, temos personagens caindo enquanto pequenas nuvens de poeira e fumaça aparecem ao redor deles.
Uma característica que acabou combinando com a história
Por mais que a ausência de sangue tenha relação com as limitações da produção, ela não chega a prejudicar tanto o resultado. Na verdade, acaba combinando com o mundo apresentado pelo filme.
Libria é uma sociedade sem espaço para sentimentos. Tudo parece frio, calculado e controlado. Até as mortes seguem essa mesma lógica. Os confrontos parecem quase mecânicos, como se os personagens fossem apenas peças sendo retiradas de um tabuleiro.
Isso fica ainda mais evidente nas cenas em que Preston enfrenta vários inimigos ao mesmo tempo. O Gun Kata transforma os tiroteios em uma espécie de dança violenta, com movimentos precisos e disparos calculados.
É curioso pensar que uma limitação financeira acabou ajudando a criar uma característica tão particular. Talvez, com todos os efeitos planejados originalmente, o filme tivesse uma aparência bem diferente.



