A Electronic Arts (EA) iniciou mais uma onda de demissões em massa, atingindo principalmente os setores de recrutamento, suporte ao cliente, TI e a divisão de segurança e moderação (trust and safety). Este já é o terceiro corte relevante que a gigante dos videogames promove apenas este ano.

A informação foi confirmada por fontes de mercado e pelo monitoramento de demissões públicas nas redes sociais. Embora a EA não tenha divulgado o número exato de profissionais desligados, o impacto é global: os cortes afetaram desde funcionários em regime de home office nos Estados Unidos até equipes inteiras no escritório de Hyderabad, na Índia — onde profissionais com mais de uma década de casa foram dispensados.
Em um e-mail interno enviado na última semana à equipe de suporte ao cliente, a chefia do departamento justificou a reestruturação como um movimento para “adaptar a forma de trabalhar às novas necessidades dos fãs”, mencionando a eliminação de cargos antigos e a migração de funções para parceiros externos ou outras sedes.
A rotina de cortes em meio a lucros altos
O histórico recente da EA é marcado por uma temporada agressiva de demissões, que contrasta com seus resultados financeiros:
- 2023: Mais de 200 testadores de Apex Legends demitidos por uma chamada de Zoom; cortes na Codemasters e na BioWare; além da demissão de 800 funcionários semanas após a empresa registrar lucros massivos.
- 2024: Cerca de 670 demissões globais.
- 2025: Mais cortes na BioWare, eliminação de 300 vagas (incluindo 100 na Respawn) e o fechamento definitivo da Cliffhanger Games.
- 2026: Antes da onda atual, a empresa já havia demitido desenvolvedores das franquias Skate e Battlefield 6 — este último, ironicamente, o jogo premium mais vendido de 2025 nos EUA.
O pano de fundo: Uma venda de US$ 55 bilhões
Essa nova limpa nas equipes acontece em um momento crucial: a EA se prepara para fechar seu capital e se tornar uma empresa privada. A companhia está em vias de ser vendida por estimados US$ 55 bilhões para um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, em parceria com a Silver Lake Partners e a Affinity Partners (gestora de Jared Kushner, genro do ex-presidente americano Donald Trump).
O negócio está na reta final e aguarda apenas o aval de órgãos antitruste da União Europeia, cujo prazo limite é 22 de julho. Enquanto enxuga a folha de pagamento, a saúde financeira da EA vai bem: a empresa fechou o ano fiscal em março de 2026 com uma receita líquida de US$ 7,5 bilhões, uma alta de 1% em relação ao ano anterior.
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