Se você sente falta daqueles RPGs raiz, que não pegam na sua mão e ainda te jogam num mundo meio hostil só pra ver se você sobrevive… Então Drova: Forsaken Kin chega como um soco direto nessa nostalgia.

Desenvolvido pela Just2D Interactive e publicado pela Deck13 Spotlight, o jogo bebe claramente da fonte de clássicos como Gothic e outros RPGs mais “cascudos”, mas com uma identidade própria baseada na mitologia celta e uma pegada bem sombria.
Na versão Android, ele não é só um port qualquer. É um jogo que tenta trazer essa experiência densa pro bolso, com acertos bem interessantes e alguns tropeços que vou comentar.
História
A narrativa de Drova gira em torno de uma sociedade que descobriu como capturar e controlar espíritos da natureza, entidades que antes eram praticamente forças divinas dentro daquele mundo. Só que, como sempre, mexer com o que não entende dá ruim.
O resultado é um mundo dividido, onde diferentes facções disputam poder, enquanto os espíritos restantes estão… digamos… bem irritados.
Você não entra como “o escolhido” na história. Nada disso. Aqui você é só mais um tentando sobreviver e encontrar seu lugar nesse mundo extremamente hostil. E isso é um baita ponto positivo.
O jogo te deixa explorar, conversar, se alinhar com grupos e tomar decisões que realmente influenciam o rumo da história. Não é aquela ilusão de escolha, você sente que está moldando o mundo ao seu redor.
A vibe é densa, quase melancólica, com aquele clima de “tudo já deu errado e pode piorar”. Se você curte narrativas mais maduras e menos mastigadas, aqui é um prato cheio. Garanto que não vai ter do que reclamar nessa questão.

Gameplay
O jogo é um RPG de ação em mundo aberto com visão de cima, mas passa longe daquele estilo arcade fácil de pegar. O combate aqui é mais travado, estratégico e, principalmente, punitivo.
Na prática, você vai passar boa parte do tempo explorando um mundo aberto cheio de áreas perigosas, enfrentando criaturas e outros personagens tanto no corpo a corpo quanto à distância, evoluindo seu personagem com habilidades e atributos, além de interagir com NPCs que podem te ajudar… ou complicar ainda mais a sua jornada. As escolhas de facção também entram forte, trazendo consequências reais que impactam sua experiência.
O combate exige atenção o tempo todo. Não dá pra sair atacando sem pensar. Cada golpe tem importancia, tempo de execução e risco envolvido. Esquiva e posicionamento são fundamentais, e os inimigos não estão ali só de enfeite, eles punem erros com facilidade. No mobile, os controles até cumprem seu papel, mas não são perfeitos. Em situações mais intensas, pode rolar aquele desconforto típico de controles virtuais, principalmente pra quem não está acostumado.
A progressão segue uma linha mais tradicional e sem pressa. Nada de evolução rápida ou recompensas fáceis. Cada melhoria é conquistada com esforço. O sistema de atributos realmente impacta o gameplay, as habilidades precisam ser desbloqueadas com dedicação, e os equipamentos fazem diferença de verdade. Você sente evolução não só pelos números, mas pela sua própria habilidade como jogador.
Já a exploração é facilmente um dos pontos mais fortes. O mundo é interconectado, cheio de segredos, caminhos alternativos e áreas que claramente não são para o seu nível atual. E mesmo assim, você vai querer ir. E provavelmente vai morrer tentando. Mas é exatamente esse risco que torna a experiência tão envolvente.

Direção de arte, som e parte técnica
Visualmente, Drova: Forsaken Kin manda muito bem. A pixel art é extremamente caprichada, com cenários ricos em detalhes e ambientes que têm identidade própria, evitando aquela sensação de repetição comum em jogos do gênero. As animações são simples, mas funcionam bem dentro da proposta, mantendo tudo fluido e coerente. O jogo não tenta exagerar nos efeitos e, justamente por isso, constrói uma atmosfera consistente e imersiva do começo ao fim.
Na parte sonora, a proposta segue a mesma linha mais contida, mas eficiente. A trilha sonora reforça o clima sombrio do mundo, sem precisar ser grandiosa o tempo todo. Os sons ambientes ajudam a dar vida aos cenários, enquanto os efeitos sonoros (principalmente no combate) cumprem bem seu papel. É tudo bem equilibrado, sem exageros, mas com impacto suficiente pra manter a imersão.
Já no desempenho no Android, a situação é um pouco mais mista. Em aparelhos mais potentes, o jogo roda de forma suave, sem grandes problemas. Em dispositivos intermediários, podem acontecer quedas de desempenho em momentos mais carregados (teste feito com o S23 e um A55). Os controles de toque funcionam, mas não são ideais em situações mais intensas, especialmente no combate. Não chega a comprometer totalmente a experiência, mas deixa claro que o jogo não nasceu pensando exclusivamente no mobile.
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