Equilibrar as demandas da vida de adulto com a jogatina, por si só, já é um desafio e tanto. Mas e se nesse meio o jogador tiver que abrir espaço para a skin de pai? É justamente esse o desafio encarado pelo analista administrativo Arthur Di Giorge Finati, de 34 anos, assíduo jogador de Ragnarök Online.
Conhecido pelo nick Papai Thoi, há três anos ele passou a conciliar suas aventuras por Rune Midgard com outra função: a de pai.
Três anos é, justamente, a idade do seu filho, Fernando, que com o tempo virou um verdadeiro parceiro das sessões de Ragnarök Online. “Meu filho é meu companheiro, ele sempre participa de tudo que eu faço, e não teve jeito, ele me vê jogando, sabe que é o joguinho e já pede pra jogar”, conta Papai Thoi.

Do espadachim ao Papai Thoi
Papai Thoi é um jogador de Ragnarök Online das antigas. Sua relação com o game começou com a chegada do jogo, em 2004, quando Arthur tinha só 12 anos. E como era comum na época, jogar o game era quase sinônimo de “ir até a Lan House mais próxima”.
“Eu era uma criança ainda, tinha 12 anos e eu frequentava a Lan House perto da minha casa, lembro que vi um cara mais velho jogando de Kina, e ter um personagem de classe 2 era o máximo na época”, diz. A partir daí, Arthur relata que ficou encantado com o jogo e começou a jogar de espadachim.
Mas os desafios não ficavam restritos aos adversários de Ragnarök Online, mas também a encarar os “inimigos” como internet discada e tempo limitado disponível para ir até a Lan House. “Me arrepio só de voltar todos esses anos”, comenta.
Mais de duas décadas depois, Arthur ainda joga, mas em um cenário diferente. Sai de cena a Lan House, entra o PC em casa, o Ragnarök Online Latam e seu ambiente mais atualizado e seguro, a companhia do filho e um apelido que tem tudo a ver com a “nova função”.
“Meu personagem favorito dos super-heróis é o Thor. Aqui em casa a gente tem superpoderes, então o meu é o do Thor, o da minha esposa é o da Mulher Hulk e o do Fernandinho é o Homem-Aranha. Como ele ainda é muito novo, tem dificuldade em falar a letra R, então ele me chama de Papai Thoi. Como é uma coisa nossa, e me traz para o lado imaginário, achei que seria legal criar um universo onde o Thoi fosse uma pessoa ‘real’”, explica.
Um bestiário rebatizado
Fernandinho ainda não tem idade para jogar sozinho, mas isso não o impede de participar. E a sua presença já muda até a forma como seu pai joga. Ou, ao menos, como Arthur chama alguns personagens do jogo. Aos 3 anos, ele já rebatizou boa parte do bestiário de Rune Midgard com seu próprio vocabulário: o Poring e os familiares viraram “Meleca”, e o temido Bafomé ganhou o apelido de “Lobo Mau de Fogo”.
“Sim, ele tem 3 aninhos, mas já é doido pra jogar! Vem aqui no meu colo e já começa a mexer no teclado”, conta Arthur. “Ainda brinco com ele fingindo que está jogando pra ele já ir sentindo a energia do Ragzinho”, completa.
Como em qualquer casa com criança pequena, o tempo livre é um recurso raro. Arthur e a esposa dividem as tarefas domésticas, e a rotina da família gira em torno do horário de Fernando: chegada do trabalho por volta das 19h, banho, jantar e, só depois que o menino dorme, as poucas horas que sobram para o Ragnarök e para a criação de conteúdo para o seu canal. “Claro que nada disso seria possível se minha esposa não me apoiasse”, reconhece.
Mas é nos finais de semana, quando Arthur grava conteúdo para o canal, que pai e filho têm seu momento cúmplice: Fernando acompanha de perto os personagens e as conquistas do pai. “E olha, a próxima geração que se prepare porque o Fernandinho vai chegar com tudo”, brinca.
Passado, presente e futuro em um único jogo
Perguntado sobre o que faz o Ragnarök ser diferente de qualquer outro jogo, Arthur diz que considera o jogo uma representação do seu passado, do seu presente e do seu futuro.
“Eu comecei com 12 anos, hoje estou com 34. Vivi minha infância, adolescência, a fase adulta e agora a fase de pai. Ali vivo um misto de sensações, um lugar meu onde posso sentir todas as fases da vida juntas.”
Agora, aos poucos, ele apresenta esse universo, que ele conhece tão bem e encontra os amigos, ao filho. “Poder viver isso com o meu filho agora, vendo o despertar do jogo nele, é muito nostálgico. Não vejo a hora de chegar o momento da criação do personagem dele.”
Para Arthur, dividir o Ragnarök Online com Fernando não é só sobre nostalgia, é sobre conexão. “Na maior parte do meu tempo com ele, eu vivo no universo dele: das brincadeiras, dos amigos imaginários. Poder trazê-lo para o meu mundo da ‘imaginação’ é algo mágico. Nos aproxima ainda mais.”
Arthur deixa um recado para quem também sonha em compartilhar seus hobbies com os filhos. “Ter um hobby é extremamente necessário. Imagino que todos temos batalhas diárias, e ter um momento para extravasar é super necessário. Poder mostrar isso para as pessoas que você ama, e quem sabe até compartilhar isso entre vocês, é surreal de bom.”
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