Depois de transformar mineração espacial em um dos jogos cooperativos mais queridos dos últimos anos, a Ghost Ship Games retorna ao universo de Deep Rock Galactic com uma proposta diferente. Deep Rock Galactic: Rogue Core abandona parte da estrutura tradicional do game original para mergulhar de cabeça no gênero roguelike, misturando progressão procedural, builds aleatórias e missões focadas em combate intenso.

Mesmo sem ter experiência prévia com outros títulos da franquia, foi possível entender rapidamente por que esse universo conquistou tantos jogadores. Jogando exclusivamente no PC, a sensação é de que Rogue Core tenta expandir a identidade da série sem abandonar totalmente suas raízes cooperativas. O resultado, pelo menos nesse início de acesso antecipado, é um jogo divertido, competente e cheio de potencial, embora ainda pareça preso entre duas ideias diferentes.
História/Premissa
O universo de Deep Rock Galactic continua girando em torno da exploração de cavernas hostis por anões espacialmente armados a serviço de uma corporação gigantesca e claramente indiferente à sobrevivência de seus funcionários. Desta vez, porém, os protagonistas são os chamados Recuperadores, uma espécie de força de elite especializada em missões extremamente perigosas.

Na prática, isso significa enfrentar hordas de criaturas subterrâneas enquanto explora minas repletas de recursos valiosos, objetivos secundários e eventos inesperados. Apesar do discurso de “elite militar”, os personagens continuam fazendo aquilo que define a franquia: minerar, improvisar soluções e sobreviver no caos.
A estrutura das missões segue uma fórmula relativamente simples. O jogador escolhe uma classe, entra em uma operação subterrânea, coleta recursos para melhorias temporárias e tenta sobreviver até alcançar a batalha final. Tudo isso acontece dentro de um sistema procedural que muda layouts, recompensas e upgrades a cada nova tentativa.
Embora o enredo não seja o principal foco da experiência, o carisma do universo continua presente. Existe uma identidade muito forte nesse contraste entre mineração corporativa e combate desesperado contra criaturas alienígenas, algo que ajuda Rogue Core a manter personalidade própria mesmo dentro de um gênero extremamente competitivo.
Gameplay/Jogabilidade
A maior diferença entre Rogue Core e a fórmula tradicional da franquia está justamente em sua estrutura roguelike. Cada partida funciona como uma corrida independente, onde o jogador precisa improvisar builds, escolher vantagens e administrar recursos enquanto avança pelas cavernas.
As classes funcionam quase como heróis especializados. Cada uma possui habilidades próprias que incentivam cooperação constante. Algumas focam em suporte, outras em controle de grupo e algumas priorizam sobrevivência individual. Durante minhas partidas, a classe que mais chamou atenção foi justamente o fatiador, me dando mais mobilidade durante a gameplay.
O jogo tenta constantemente incentivar trabalho em grupo. Determinados upgrades são escolhidos coletivamente, criando momentos em que os jogadores precisam decidir quem receberá os melhores bônus. Em teoria, isso fortalece a cooperação; na prática, às vezes quebra um pouco o ritmo da ação, já que toda a partida pausa para decisões compartilhadas.
Ainda assim, o combate funciona muito bem. As armas possuem impacto satisfatório, boa resposta sonora e variedade suficiente para tornar cada tentativa diferente. Granadas criogênicas, efeitos elétricos e habilidades de área ajudam a criar momentos intensos, principalmente quando as hordas começam a cercar o grupo.
O problema aparece na repetição estrutural. Até o momento, as missões disponíveis seguem padrões muito semelhantes, fazendo com que várias partidas pareçam versões levemente modificadas umas das outras. Como a progressão também libera melhorias de forma lenta e gradual, existe uma sensação de que o jogo segura conteúdo demais para prolongar artificialmente o ciclo de evolução.
Mesmo assim, a base da jogabilidade é ótima. O loop de exploração, mineração e combate continua viciante, especialmente para quem gosta de experiências cooperativas focadas em sobrevivência.
Direção de Arte/Técnica
Visualmente, Deep Rock Galactic: Rogue Core mantém a identidade estilizada da franquia principal. O design das cavernas continua excelente, criando ambientes claustrofóbicos iluminados por neon, explosões e criaturas grotescas surgindo da escuridão.
Os efeitos visuais ajudam bastante durante os combates. Ataques elétricos, explosões elementais e habilidades especiais tornam as batalhas visualmente dinâmicas sem comprometer a leitura da ação. Existe um equilíbrio interessante entre caos e clareza, algo essencial em jogos cooperativos focados em hordas.
No PC, a performance se mostrou bastante estável durante as sessões jogadas. Mesmo em momentos com muitos inimigos simultaneamente, o desempenho permaneceu consistente. A direção sonora também merece destaque, especialmente pelo impacto das armas e pelos alertas de combate que aumentam a tensão durante fugas contra o cronômetro.

O maior mérito técnico talvez seja justamente manter a identidade de Deep Rock Galactic mesmo adaptando sua estrutura para outro gênero. Ainda é possível reconhecer imediatamente o DNA da franquia em cada missão.
Pontos Positivos
-> Classes com habilidades distintas e boa sinergia em equipe
-> Excelente identidade visual e sonora
-> Sistema de progressão com potencial interessante
-> Atmosfera caótica e divertida típica da franquia
-> Boa performance no PC durante o acesso antecipado
Pontos Negativos
-> Estrutura das missões ainda bastante repetitiva
-> Progressão lenta em alguns momentos
-> Muitos upgrades parecem pouco impactantes
-> Falta maior variedade de objetivos e eventos
-> Algumas mecânicas cooperativas acabam interrompendo o ritmo da ação
Conclusão
Deep Rock Galactic: Rogue Core ainda parece um projeto em construção, mas já demonstra uma base extremamente promissora. A Ghost Ship Games claramente entende o que tornou o universo de Deep Rock Galactic tão especial e tenta transportar essa identidade para um formato mais voltado ao roguelike cooperativo.
Embora o conteúdo atual ainda pareça limitado e a progressão possa soar excessivamente contida, existe diversão genuína em explorar cavernas, improvisar builds e sobreviver ao caos com amigos. O combate funciona, as classes possuem personalidade e o universo continua tão carismático quanto antes.
Para quem gosta de jogos cooperativos com progressão procedural, hordas de inimigos e partidas rápidas cheias de improviso, Rogue Core já entrega bons momentos mesmo em acesso antecipado. Agora resta acompanhar como a Ghost Ship Games irá expandir a experiência nos próximos meses.
Se o estúdio conseguir aumentar a variedade de missões, tornar as builds mais ousadas e acelerar a sensação de progressão, existe potencial aqui para mais um grande acerto dentro do universo Deep Rock Galactic.
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Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah
