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Opinião | Crimson Desert como jogo mais controverso do ano mostra o distanciamento entre público e imprensa

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O foco excessivo em engajamento e na entrega frenética de conteúdo transformou grandes portais em meros replicadores de rumores, flame wars e polêmicas desnecessárias.

Opinião | Crimson Desert como jogo mais controverso do ano mostra o distanciamento entre público e imprensa Crimson Desert
Crimson Desert

Discursos acalorados e engajamentos negativos — que vão desde postagens desenhadas para atrair pessoas de inteligência limitada até a encarnação de “personagens” — ditam o tom. São vídeos pensados para ridicularizar, criar divisões e polêmicas vazias. Somam-se a isso artes e textos horrorosos feitos por Inteligência Artificial que permeiam as redes; hoje, o “certo” parece ser brigar e discutir.

No centro desse esgoto, está o jogo das últimas semanas: Crimson Desert. E o debate aqui é extremamente real. Pode um “jornalistinha”, um crítico que “só” tenha jogado 90 horas, detestar o meu joguinho? NÃO, ELE NÃO PODE.
Crimson Desert
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Tenho críticas a dois tipos de pessoas. E lá vai a primeira:

O “sem personalidade” do rolê. Aquele que precisa validar não sua persona, mas seus gostos pessoais. Ora, se você acha meu videogame ruim, você é um lixo. Se o jogo que eu amo é, no máximo, nota 6 para você, você também é um lixo! Você vê esse indivíduo aos milhares, em qualquer assunto: futebol, política, filmes, séries… Como todo “sem personalidade”, ele não consegue cativar além do externo. Sua identidade é definida estritamente pelas coisas que ama. Isso cria um ambiente hostil, onde todos são “burros” e só presta quem idolatra as mesmas coisas que ele.

Porém, criando conteúdo com o Patobah e sendo bem versado na arte de discutir com estranhos, o pior de todos, a meu ver, são pessoas como o personagem que citarei aqui. Carinhosamente, o chamarei de Enrico. Pois bem, o senhor Enrico afirma ter uma vasta carga horária na profissão de jornalista gamer. Ele possui um portal que atrai grandes marcas e gerencia muitos críticos.

Na análise do jogo em seu portal, sabendo que a nota seria baixa e que o crítico receberia muita “porrada”, o que ele faz? Simplesmente aposta dobrado. Visualizações a rodo, crítico tomando pancada de todos os lados… O que importa, não é mesmo? O importante é ENGAJAR.

E após todo o bafafá (ou “resenha”, como queiram chamar), ele menciona em uma postagem que também recebeu a chave de um jogo de R$ 350,00, mas que não saberia se faria uma crítica ou se sequer jogaria, porque “não faz muito o meu gosto pessoal de gamer”.

Entrei nesse meio há pouco tempo, mas já consigo entender a raiva e o desgosto do público por certos indivíduos que trabalham com isso. A irresponsabilidade, a postura de moleque e a falta de profissionalismo são tremendas. A falta de noção de um homem barbado, casado e com família, em não entender que um jogo de 70 dólares (R$ 350,00) é algo que muitos na nossa realidade jamais poderão desfrutar, é bizarra. Dar de ombros a essa oportunidade e debochar em rede social só o torna um grande esnobe — para não usar palavras piores.

Eu aceito pessoas que pensam diferente de mim. Às vezes brigo mesmo e defendo fervorosamente minhas opiniões, mas sempre no campo das ideias. Minha regra é: jogo que não me agrada, eu NÃO PEÇO CHAVE OU SIMPLESMENTE NÃO JOGO.

No entanto, desfazer-se de um produto e menosprezar o próprio trabalho a ponto de usar plataformas digitais para se expor a qualquer custo beira o ridículo. Não importa quão grande o seu portal seja.

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Esse texto é uma opinião do autor.

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