Company of Heroes 3 – Final Stand Bundle reúne dois jogos com propostas bem diferentes, de um lado, temos Company of Heroes 3, um jogo de estratégia em tempo real ambientado na Segunda Guerra Mundial, com campanhas, batalhas multiplayer e aquele tipo de combate em que mandar um tanque para o lugar errado pode transformar uma operação militar em um churrasco de soldados. Do outro, temos Company of Heroes 3: Final Stand, uma experiência independente de defesa em ondas, com elementos de roguelite, partidas solo ou cooperativas para dois jogadores e a missão básica de sobreviver enquanto o inimigo manda cada vez mais tropas para cima de você.

O pacote é interessante porque entrega a experiência tradicional da série e também uma versão mais direta, feita para quem quer entrar na batalha, montar uma defesa e descobrir quanto tempo consegue durar antes de tudo explodir. Final Stand não possui uma campanha tradicional com uma grande história cheia de personagens. A narrativa está mais na própria situação: você está cercado, os inimigos não param de chegar e sua missão é continuar vivo. É praticamente o equivalente militar de “só mais uma partida”, mas com menos tranquilidade e muito mais artilharia.
Gameplay
Começando por Company of Heroes 3, a base do pacote continua sendo um dos melhores exemplos de estratégia em tempo real focada em combate tático, isso é fato. Você controla tropas, veículos, construções e recursos enquanto tenta conquistar pontos importantes do mapa. Não basta simplesmente produzir soldados e mandar todo mundo correr para frente. O terreno, a cobertura, o posicionamento e o tipo de unidade utilizado fazem muita diferença. Um grupo escondido atrás de uma parede pode sobreviver bastante tempo, enquanto soldados atravessando uma rua aberta podem ser eliminados antes mesmo de entenderem o que aconteceu.
O sistema de cobertura é uma das grandes forças do jogo. Muros, casas, sacos de areia, veículos destruídos e outros objetos podem proteger suas tropas dos disparos inimigos. Isso faz com que cada batalha pareça menos uma disputa de quem tem mais unidades e mais uma partida de xadrez em que as peças estão armadas com metralhadoras. Você precisa observar o cenário, escolher bons pontos de defesa e pensar em como avançar sem entregar suas tropas de bandeja. Quando tudo dá certo, é muito satisfatório ver um esquadrão resistir a um ataque pesado porque você teve a ideia de colocá-lo no lugar certo.

A destruição dos cenários também ajuda bastante. Casas podem ser danificadas, posições defensivas são destruídas e o campo de batalha muda conforme os combates avançam. Uma construção que servia como abrigo no começo da partida pode virar um monte de entulho alguns minutos depois. Isso obriga o jogador a se adaptar, já que uma estratégia que funcionou antes pode deixar de funcionar quando o mapa começa a parecer uma obra pública depois de três meses de atraso.
A campanha principal de Company of Heroes 3 leva o jogador para o Mediterrâneo, com operações na Itália e no Norte da África. A estrutura mistura missões mais tradicionais com decisões estratégicas no mapa, permitindo escolher caminhos, organizar forças e decidir como avançar. Essa liberdade é interessante porque dá a sensação de estar comandando uma operação maior, e não apenas participando de batalhas isoladas. Porém, também pode deixar o ritmo um pouco irregular. Existem momentos muito bons, mas a campanha nem sempre consegue manter o mesmo nível de impacto do combate tático.
No multiplayer, a experiência fica ainda mais exigente. Jogar contra outras pessoas significa lidar com estratégias imprevisíveis, ataques rápidos, defesas bem montadas e jogadores que parecem ter estudado cada centímetro do mapa. Para quem gosta de estratégia, é uma ótima maneira de continuar jogando por muitas horas. Para quem só queria testar uma partida antes do jantar (como foi o meu caso), pode ser uma experiência parecida com entrar em uma aula de matemática avançada sem saber multiplicação.

Já Final Stand muda bastante a estrutura. Em vez de campanhas longas ou partidas tradicionais, o modo coloca você em uma batalha de sobrevivência contra ondas cada vez mais difíceis. O objetivo é preparar suas defesas, controlar suas tropas e resistir por 12 rodadas, enfrentando chefes, eventos especiais e situações que podem bagunçar completamente seus planos. Também existe um modo Endless, feito para quem acha que sofrer por 12 ondas ainda é pouco.
O sistema de roguelite é o principal diferencial. Depois de cada onda, o jogador escolhe entre unidades, habilidades ou melhorias aleatórias que permanecem durante aquela partida. Isso significa que cada tentativa pode seguir um caminho diferente. Em uma partida, você pode conseguir uma força defensiva excelente. Na outra, pode receber opções que parecem ter sido escolhidas por alguém que odeia você. Essa aleatoriedade ajuda a deixar as partidas mais variadas e faz com que o jogador tente novas combinações.

Entre uma partida e outra, também existem melhorias permanentes ligadas a cada facção. Essas melhorias desbloqueiam novas possibilidades e ajudam a tornar as próximas tentativas mais fortes. É um sistema simples de entender, mas que funciona bem para criar aquela vontade perigosa de jogar novamente. Você perde, pensa que foi azar, começa outra partida e, quando percebe, já está há duas horas dizendo que a próxima será a última.
Final Stand permite jogar com quatro facções conhecidas da série: Forças dos Estados Unidos, Wehrmacht, Forças Britânicas e Deutsches Afrikakorps. Cada uma possui características próprias, unidades diferentes e árvores de progressão específicas. Isso dá um motivo para experimentar os exércitos e descobrir qual combina melhor com seu estilo. Também existem cinco campos de batalha, 36 unidades-chefes, eventos dinâmicos, oito níveis de dificuldade e partidas cooperativas para dois jogadores.
O problema é que Final Stand parece mais limitado quando comparado ao conteúdo completo de Company of Heroes 3. A defesa em ondas é divertida, mas a fórmula começa a mostrar sinais de repetição depois de algumas partidas. Você prepara a defesa, sobrevive às ondas, escolhe melhorias e repete o processo. As mudanças entre as tentativas ajudam, mas não escondem completamente que a estrutura é relativamente pequena.
A cooperação com outro jogador pode melhorar bastante a experiência. Dividir funções, proteger os pontos fracos e combinar habilidades deixa tudo mais interessante. O problema é que o modo cooperativo depende muito de encontrar alguém disposto a jogar de forma organizada. Se cada pessoa resolver cuidar apenas da própria base, o inimigo agradece. Final Stand é mais divertido quando existe comunicação, mas também pode ser aproveitado sozinho por quem prefere controlar tudo sem precisar discutir estratégia com um amigo que insiste em colocar um tanque em cima de uma ponte prestes a cair.

Direção de arte geral
Company of Heroes 3 mantém o visual realista e pesado esperado da franquia. Os mapas são cheios de detalhes, os veículos possuem boa presença e os efeitos de explosão ajudam a criar a sensação de uma guerra acontecendo de verdade.
A destruição dos ambientes também contribui para a atmosfera, já que o cenário vai mudando conforme a batalha avança. Não é um jogo colorido ou preocupado em parecer bonito o tempo inteiro. A intenção é mostrar um campo de batalha sujo, perigoso e cheio de fumaça.
A interface é funcional, mas pode parecer carregada para quem nunca jogou um RTS desse tipo. Existem muitos comandos, informações, menus e atalhos para aprender. Depois de algum tempo, tudo começa a ficar mais natural, mas as primeiras partidas podem parecer uma visita guiada por uma central de controle de aeroporto. Final Stand aproveita a mesma base visual, embora seus mapas mais fechados e sua estrutura de ondas deixem a apresentação um pouco mais direta.
O som também cumpre bem seu papel. Tiros, motores, explosões e ordens dos soldados ajudam a entender o que está acontecendo no campo de batalha. Em uma partida mais intensa, o áudio contribui para o caos e faz você perceber que está perdendo uma posição antes mesmo de olhar para o mapa. Ainda assim, a direção de arte não é o ponto mais inovador do pacote. Ela funciona, entrega a atmosfera correta, mas não chega a surpreender quem já conhece a série.

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