Não sei nem por onde começar a falar sobre esse jogo, essa experiência, oque foi mostrado e oque eu só teorizo que está por vir. Porque tem jogos que são simplesmente assim, eles nem precisam de tempo para despertar algo dentro da gente.

Bastou alguns minutos de volta a esse bar, agora situado no além do oceano e em terras completamente nova que imediatamente te trazem de volta para “casa”; para que você se junte com uma trilha sonora sensacional e a promessa de mais uma vez marcar completamente a minha e a sua experiência.
Isso mesmo, como você já deve ter lido, falaremos de Coffe Talk Tokyo, o novo jogo do que vem se consolidando como uma franquia e também um universo cada vez maior, tendo seu novo título com lançamento previsto para maio deste ano, 2026.
O desafio da vez? Continuar honrando o legado emocional deixado pelo jogo anterior, enquanto simultaneamente tenta encontrar dentro da sua própria fórmula, uma nova visão de Tokyo, um dos corações do mundo dos jogos.
A demo que estaremos falando sobre agora, já pode ser acessada e baixada, prometendo em torno de 30-40 minutos de conversa e personagens completamente novos. Aproveita e dê uma chance a si mesmo pra conhecer esse universo!

Um novo café
Nossas portas são abertas muito antes do café iniciar seu dia, porque o começo já vem marcante com uma delicadeza que os desenvolvedores alcançam mais uma vez, da forma mais sútil possível. Através de um monólogo tão melancólico, que ele quase recai na tristeza, só para então ser gentilmente acolhido e levantado pela única forma de contrapor um mundo instável de sonhos e pesadelos: esperança. Esperança e o silencioso amadurecimento que só começa quando visitamos e estamos em lugares onde nos sentimos bem, onde sentimos que pertencemos.
Só então, corta para a nova cafeteria junto a uma nova voz e um novo rosto nos esperando: Vin. Finalmente alguém com quem dividir o espaço do café!

A sensação de felicidade por termos um rosto novo foi imediata, mas também sofre com uma montanha russa ao percebermos que não será tão fácil e muito menos raso assim. Vin parece estar nitidamente passando por problemas, esses os quais esperamos poder ajudar no futuro.
E é curioso também como, não menos importante, o Hendry, personagem recorrente dos jogos anteriores, também está aqui e imediatamente funciona muito bem com os novos personagens que vamos sendo apresentados. Nós repetimos uma vez mais a fuga de uma rotina barulhenta e que balança nossas almas, para finalmente encontrarmos um lugar no qual todos conseguem encontrar conforto entre uma música e outra.
Primeiros rostos, novas dinâmicas.
Mesmo sendo apenas uma demo e se passando pouco mais do que um dia dentro desse universo, Coffe Talk Tokyo já entrega um grupo de personagens surpreendemente carismáticos. E o mais interessante é perceber que você tem o retorno de problemas comuns, só que sendo postos dentro de uma roupagem completamente diferente do que vimos antes e que pertence não só especificamente a época desse novo jogo, como a própria cabeça da vida contemporânea de um país tão diferente.
Jun por exemplo, é um cantor que pelo que parece está posto em uma trajetória de sucesso, só que agora se vê assombrado pelo medo de ter perdido exatamente o talento que trouxe ele até aqui.
Kenji, um que aparece tão pouco por só descobrirmos ele perto do final da demo, está visivelmente cansado e precisa conversar. Precisa se abrir com a gente.
Por outro lado, temos Vin que eu já comentei antes, o nosso assistente que parece já ser uma grande companhia, mas que também tem seus próprios problemas para resolver. Você percebe isso no silêncio proposital de algumas cenas, na entrelinha das dicas que o protagonista e ele dão enquanto conversam, tentando pelo que parece, esconder algo da gente que está jogando e que ainda não consegue descobrir. Parece ser sobre como eles se conheceram.
Mas você nem tem tempo, porque logo Ayame e Fuku entram na sua vida. Ayame que é um espírito preso à Terra e que não entende como se desvincular, visto que não tem memórias das pendências de vida que ainda a prendem neste plano.
E Fuku que até está tentando resolver isso com sua sua força de vontade, que é tão grande e desproporcional, que me leva também a pensar se ela não tem algum problema com sua própria identidade ou os créditos que dá a si mesma. Ela quer impressionar alguém? Ou será que provar algo a si mesma?
Por fim de novo e isso não significa que é menos importante, temos Henry, o querido da franquia e que aqui reaparece viajando para Tóquio para encontrar Jun, só que com as frustrações do garoto, agora o próprio Henry se vê afetado.
Percebe como temos tantas opções? E isso é só o começo. Eu tenho muita fé mesmo na qualidade desse time de desenvolvedores e no que podem estar apenas esperando para nos entregar no lançamento!

Promessa do futuro
Eu terminei essa demo mais rápido do que esperava e o motivo é de que eu queria mais tempo com eles. Coffe Talk Tokyo me fisgou com uma facilidade enorme, me deixando genuinamente animado pelo que pode vir no produto final, assim como com uma vontade imensa de revisitar o primeiro título que deu luz a isso tudo.
Você se sente acolhido aqui da mesma forma como foi jogar o anterior e esse conforto, pra mim, vem justamente desse sentimento de acolhimento familiar. As mecânicas continuam próximas dos títulos anteriores e isso, longe de soar repetitivo ou um problema, funciona na verdade como um reencontro com oque já deu certo. Você se sente bem por parecer que só está “continuando” oque já era bom.
Por outro lado, se empolga com os personagens. Mesmo aqueles que parecem partir de conflitos parecidos com anteriores, ainda assim carregam suas próprias inseguranças e particularidades, que os tornam quase que reais. Ele são “pessoas”, dentro do possível, tentando sobreviver aos seus próprios dias.
Cansados, confusos, contraditórios mas todos esperançosos. Não importa o quão escondida esteja essa esperança, nós vamos encontrar ela depois de alguns goles de café e conversa.
Muito obrigado por mais um trabalho dos desenvolvedores. Viva os jogos que te fazem se sentir vivo.
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“No gods or kings. Just ducks.”
