Não há outra forma de começar esta review comentada senão agradecendo à Unbound Creations pela confiança de fornecer a esta equipe o acesso antecipado de seu mais novo lançamento, Cleaning Up. Jogo focado no gerenciamento de tempo e na melhor escolha das suas ferramentas para limpar o mais rápido possível as fases, que não só se expandem como, a cada novo serviço, se tornam mais e mais complexos.

Nós, da equipe, agradecemos imensamente pela oportunidade e confiança no nosso trabalho.
E PARA ONDE CLEANING UP NOS LEVA?
Para todo lugar que você possa pensar.
Porque no papel e olhar de uma nova funcionária em um aplicativo que conecta dedicados trabalhadores com pessoas desesperadas e sufocadas até o pescoço por sujeira, Cleaning Up começa a sutis passos te introduzir em um universo de confusão e lembranças. Porque aqui, você não está só limpando um cômodo ou ajudando a dar um novo olhar para uma casa, apartamento ou ambiente de trabalho.
Não, eu considero que você faz mais do que isso. Você está reconectando as pessoas com suas memórias, você está permitindo que elas se lembrem do que um dia foi importante ou do que precisa estar ali mais uma vez por elas.
Já que pode ser com um quadro que passou os últimos meses ou anos coberto de sujeira, uma cama que não é mais vista e que nem fornece conforto por estar com lixo empilhado até o teto, ou mesmo uma sala de estar que já não permitia mais que as pessoas se reunissem, já que um hábito vicioso se misturou com a sujeira e ali se perdeu uma família. É nesses ambientes que você vai recuperar memórias e reestruturar mentes.
Você é de quem essas pessoas precisam.
“CADA OBJETO CUIDADO, CADA CANTO LIMPO, É UM ESFORÇO DE INTEGRAÇÃO DO INDIVÍDUO QUE PROTEGE O DEVANEIO E A PAZ DO ESPÍRITO.”
E é aqui que uma arte encontra e se integra à outra. Já que a frase, dita ou pelo menos atribuída a Gaston Bachelard, nos retorna ao período de 1884 a 1962, especificamente a 1958, quando o mundo conheceu A Poética do Espaço, para a época o mais importante livro no qual Bachelard trabalharia a ideia do ambiente, seja o lar ou de convívio, como instrumento não só para a sanidade e saúde física e mental do sujeito, como também forte influência de ações dentro da sociedade na qual vivemos.
Para Bachelard, a casa não seria mais somente um objeto geométrico ou um abrigo para os dias frios; não, ela é o nosso “canto do mundo”, uma manifestação do nosso próprio e “primeiro” universo. Fazendo com que dessa forma, a vida cotidiana e os
ambientes de trabalho pudessem ser compreendidos não mais somente pela estética, mas sim como uma manifestação direta e um reflexo de como está a nossa saúde e a nossa integridade frente ao mundo.
Quando Bachelard encontra Cleaning Up, o que temos é o entendimento de que a sujeira não é mais somente um detalhe a ser resolvido, mas sim uma manifestação física da desestruturação desse ambiente. Onde, em um local coletivo como as fases de prédios, empreendimentos ou locais comuns que o jogo entrega; aqui o descaso com aquele ambiente não só motiva para que o jogo comece como também é o primeiro sinal de que a “imagem da casa” (um lugar seguro, um refúgio, o conforto sentido) foi violada pela indiferença e pelo cansaço do dia a dia.
O impacto é entender que cuidar do espaço é cuidar de si mesmo e do outro. De forma que o aplicativo que nos leva até essas famílias está nos pondo não só no posto de alguém fazendo “tarefas domésticas”, mas sim como quem pode garantir de volta a saúde e o bem-estar daquele que não se sente mais acolhido.
O tal “estado seguro”, que ao longo de todas as fases nós tentamos alcançar, é, na realidade, uma busca para que os quartos, salas, cozinhas, bibliotecas, cidades ou mesmo a própria Lua, voltem a se tornar “férteis”. Férteis para boas ideias e para essas pessoas que podem, a partir dessas fases, recuperarem oque perderam.
COMO CLEANING UP VAI FAZER ISSO?
Através dos vinte cenários que iremos percorrer, a Unbound Creations mais uma vez sabe exatamente como inovar e impressionar, não deixando que o jogo caia na repetição que se torna chata, ou mesmo permitindo que um fenômeno recente (sinal talvez de um gênero que pode estar chegando ao ponto de saturação), de que os “jogos para relaxar” acabem soando como “segundos empregos”, se estabeleça. Aqui não rola isso, porque os desenvolvedores têm bagagem e conhecimento prévio suficientes para que isso permita a eles, através de um dos mais diferentes (proposta) jogos da empresa, oferecer uma obra que não para de se reinventar fase após fase.
COMO É O ESTILO ARTÍSTICO DO JOGO?
Fora as imagens que você está vendo, impossível não pensar nas várias e várias lembranças visuais que as artes desse jogo remetem. Só de primeira já me lembro de Adventure Time, Loud House ou mesmo de jogos como Overcooked! e Moving Out.
Oque por si só prova e vai se mostrar cada vez mais verdadeiro a medida que você for jogando, que Cleaning Up também é além de um ensaio pessoal sobre o poder da limpeza nas nossas vidas também como ela pode ser não só saudável como um ato divertido.
Como estar ali, dedicado a outra pessoa e pelo sentimento que pode retornar a aquele ambiente, também de um jeito ou outro vai te conquistar.
Você vai ter a todo momento uma câmera que se posiciona acima do personagem e que por mais que em alguns momentos frustre pela dificuldade de enxergar se algum lixo foi deixado pra trás, ainda assim sabe muito bem se posicionar afim de dar dimensão as montanhas enormes de lixo. Você constantemente vai se sentir pequeno perto delas.
E QUAIS SÃO AS NOSSAS ALTERNATIVAS?
Aqui você vai desde aspirar latas de bebida, sacos de comida, plásticos perdidos ou até mesmo luzes de um Natal que já passou; também limpar, esfregar, varrer e perfumar os locais por onde passa.
Onde também te será oferecida a melhora de cada uma dessas ferramentas, seja pela alteração de seus atributos que vão desde a força de uma vassoura até o raio em que um aspirador pode agir. Trazer com isso um estímulo para um desafio pessoal na perseguição dos melhores tempos e na resolução mais esperta das fases.
Sem considerar também os vários segredos escondidos pelo cenário, indo de bônus de fases até otimizações do seu tempo de percurso.
PODEMOS ENTÃO COGITAR UMA “PLATINA”?
Definitivamente, já que contando com cerca de trinta e uma conquistas para serem alcançadas, Cleaning Up é um daqueles jogos que também pode ser mirado por quem gosta de colecionar troféus na sua coleção.
A limpeza aqui, também pode ser vista como um meio para alcançar outro hobbie de manutenção da nossa vida pessoal.
NO FIM DE TUDO, É UMA COMPRA GARANTIDA? O QUE ACHAMOS?
Eu termino o jogo com um total de 6 horas e pouco, quase 7 horas de conteúdo, e posso te garantir que sim, Cleaning Up é um grande acerto dos desenvolvedores e que certamente acreditamos que vá se consolidar como uma das melhores portas de entrada para esse nicho de jogos.
Mas a compra vai depender tão somente de você e a sua relação não só com o gênero desse jogo, como também no seu entendimento do que a limpeza desses cômodos e o que ela causa na vida dessas pessoas que pedem a sua ajuda, significa para você.
E se ainda for uma dúvida, por que não dar uma chance para a mudança hoje? Por que não contratar os serviços da empresa desse jogo, onde em uma manhã inesperada, essa garota apareça para te contar sobre como arrumar seu quarto e tirar o lixo no dia certo pode mudar completamente a sua vida?
Agradecemos a Cleaning Up mais uma vez e eu me despeço através das palavras de Bachelard, que com certeza gostaria de ter tido acesso a esse jogo em seu tempo, já que:
“[…]Reinterpretamos continuamente nossa felicidade quando nos abrigamos em um espaço que nos pertence.”
Mais reviews? AQUI

“No gods or kings. Just ducks.”
