O Patobah agradece a Mommy’s Best Games / JF Comms pela licença de Chainstaff

Chainstaff homenageia shooters clássicos sem esquecer de trazer algo novo à mesa
Imagine uma invasão alienígena massiva. Imagine agora que são esporos espaciais que modificam a fauna e a flora enquanto começam a dizimar os locais e tomar a Terra à força. Criativo e diferente, no mínimo.
Chainstaff é um indie divertido, ainda que tropece em alguns aspectos de jogabilidade e no sistema de upgrades — que, apesar de polêmico e com finais atrelados, limita o arsenal do jogador diante dos desafios apresentados.
Um alienígena muito louco
Você é um tenente de um esquadrão dizimado pelos aliens em uma emboscada. Gravemente ferido, um curioso espécime que mais parece uma barata gigante se funde a você antes que você morra. Com isso, você adquire força inumana e os meios para combater seus inimigos.
É uma história simples, mas funcional. Chainstaff não precisava de muito e, ainda assim, os desenvolvedores criaram um bom ponto de partida.
Direção de arte psicodélica de outro mundo!
Eu não vou mentir: os gráficos do jogo são muito loucos. As fases são uma “viagem”. De florestas chuvosas lotadas de insetos até um céu repleto de medusas elétricas, tudo funciona nesse departamento. Logicamente, o jogador pode ficar confuso com tantas informações, e o hitbox dos inimigos é um pouco complexo de acertar e entender, mas, com o costume, tudo se encaixa.
O design do personagem e dos chefes — que são incríveis, por sinal — relembra filmes de ficção científica, e a apresentação das fases com arte de capa de vinil traz uma ótima imersão.

Jogando no limite
A jogabilidade diverte e funciona a maior parte do tempo. O problema aqui é o grande diferencial: o chainstaff. Como o carregamento, o dano e o tamanho dele estão atrelados a upgrades essenciais, a mecânica pode ficar um pouco atrasada se comparada às ameaças que você vai enfrentar. Esse é um problema de ritmo que fez minha jornada na parte final um pouco mais demorada do que precisava.
O chefe da fase da floresta, uma espécie de tartaruga mecânica, é um exemplo desse problema que tive. Usar a corrente para pular abismos e para mecânicas ambientais, no entanto, é divertido; é sempre refrescante usá-la contra inimigos para benefício próprio. Um acerto na maior parte do tempo. No mais, o tenente atira e pula, e obviamente temos também a trava de movimentação do personagem para mais controle — tudo o que se espera de um jogo “à la Contra”.
Trilha sonora de qualidade
Se inspirando no Rock and Roll, que se funde ao gênero como o ar que respiramos, Chainstaff tem uma trilha sonora fora do comum de tão boa. Os efeitos sonoros são ótimos também, mas as mudanças de ritmo entre exploração e combate, a urgência das trilhas e as excelentes composições embalam a aventura. Deon Van Heerden é o encarregado da vez e ele consegue novamente. A trilha sonora do primeiro estágio e da luta contra o primeiro chefe merecem destaque, embora todas sejam de alto nível.
Performance na medida
O jogo funcionou bem a maior parte do tempo. Não tem quedas de frames e os loadings são rápidos. O problema aqui são bugs bobos, como o alienígena que solta uma espada maluca ao morrer: ela se move como quer, gerando mortes desnecessárias no segundo estágio. Além disso, a câmera simplesmente não ajuda; em diversos momentos, ela não acompanhou o personagem ou se moveu atrasada demais, gerando dano desnecessário e repetições de trechos. Cabe um trabalho de otimização do estúdio nesse aspecto.

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Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial
