Lembro até hoje quando Call of Duty: WWII foi anunciado, a promessa era clara: abandonar o futuro, os exoesqueletos e as armas experimentais para voltar às origens da franquia.

Depois de anos vendo a série apostar em conflitos futuristas, a ideia de retornar à Segunda Guerra Mundial parecia exatamente o que muitos fãs estavam esperando (inclusive este que escreve).
Após terminar a campanha, fiquei com a sensação de que a Sledgehammer Games conseguiu entregar um dos retornos mais sólidos da franquia.
Call of Duty: WWII não reinventa nada ao meu ver. Pelo contrário. Ele abraça a fórmula clássica da série e faz isso com bastante competência. O resultado é uma experiência cinematográfica, intensa e acessível, mesmo para quem não acompanha a franquia há anos e prova que jogos mais “simples” ainda tem muito espaço na franquia “COD”.
História
A campanha acompanha Ronald “Red” Daniels, um jovem soldado da 1ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos durante alguns dos momentos mais importantes da guerra na Europa.
Logo de cara, o desembarque na Normandia deixa claro o tom da aventura. A missão não chega ao nível de impacto histórico que o desembarque de Omaha Beach em Call of Duty 2 teve para a indústria na época, mas ainda assim entrega um dos momentos mais marcantes do jogo. O caos das explosões, os tiros cruzando a praia, gritos, e os soldados caindo ao redor criam uma atmosfera bastante convincente.
O que mais gostei foi que a campanha tenta humanizar seus personagens. Daniels não é só mais um soldado genérico. Ao longo da jornada, vemos os relacionamentos dentro do esquadrão se desenvolverem, especialmente com Zussman, Turner e Pierson.
Pierson, inclusive, é responsável por boa parte dos conflitos internos da história. Sua postura rígida e muitas vezes cruel gera atritos constantes dentro da unidade, criando situações interessantes que vão além do simples “avance até o próximo objetivo”.
Embora a narrativa não alcance o mesmo nível emocional de algumas campanhas mais modernas da franquia, ela consegue manter o interesse do começo ao fim. São cerca de sete a oito horas recheadas de momentos incríveis, tenso e de tirar o fôlego, e isso sem grandes quedas de ritmo.

Gameplay
A gameplay é onde Call of Duty: WWII encontra seu equilíbrio entre tradição e pequenas mudanças. O combate continua rápido e extremamente satisfatório. As armas possuem real diferença nos confrontos. Rifles como o M1 Garand transmitem aquela sensação clássica de potência que muitos jogadores associam aos antigos jogos ambientados na Segunda Guerra Mundial (sim! que saudades!).
Cada disparo parece importante. Diferente dos títulos futuristas, onde equipamentos avançados muitas vezes roubavam a atenção, aqui o foco está nas armas e na movimentação. É você contra o inimigo, sem tecnologia criando algum tipo de vantagem.
Uma das mudanças mais interessantes foi a remoção da regeneração automática infinita de vida. Em vez disso, o jogador depende de kits médicos fornecidos por companheiros de esquadrão ou encontrados no decorrer da missão.
Pode parecer uma alteração pequena, mas ela muda completamente o ritmo dos confrontos. Em vários momentos precisei pensar duas vezes antes de avançar sobre uma posição inimiga. Tomar dano excessivo pode rapidamente transformar uma situação controlada em um verdadeiro desastre.
A mesma lógica vale para a munição. Durante a campanha, alguns aliados podem fornecer recursos quando solicitados. Isso cria uma sensação maior de cooperação dentro do pelotão e reforça a ideia de que você faz parte de uma equipe, não de um exército formado por um único super-herói.
As missões também apresentam boa variedade. Há momentos focados em combate aberto, infiltração, uso de blindados e até sequências mais furtivas. Nem todas funcionam perfeitamente (principalmente a aérea), mas ajudam a impedir que a campanha caia na repetição.
Apesar de alguns vícios padrão “COD” durante a história e sua narrativa, o jogo consegue ser imersivo e não cansar. Você quer ver onde isso tudo vai dar.

Gráficos e som
Visualmente, Call of Duty: WWII continua impressionando mesmo anos após seu lançamento. Os cenários são detalhados, os efeitos de iluminação ajudam a construir a atmosfera dos campos de batalha e os modelos dos personagens apresentam excelente qualidade. As explosões parecem explosões (?), os veículos são bem reproduzidos e a direção artística consegue transmitir o clima da Europa devastada pela guerra.
O áudio também merece elogios. O som das armas é forte e convincente, enquanto a trilha sonora aparece nos momentos certos para aumentar a tensão ou destacar passagens emocionais da campanha.
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